“50% é só o emocional, o pensamento positivo”, diz a conselheira Cíntia Tietze, sobre as vitórias que teve

Comemorar o renascimento a cada ano é uma dádiva. E é exatamente assim, agradecida e com vitalidade, que a conselheira tutelar Cíntia Tatiane Tietze, 40 anos, se enxerga. Quem a vê aproveitando cada dia com muita alegria, serenidade e um sorriso no rosto, talvez pouco conheça da sua história e as marcas que carrega.

Em um dia nublado e fresco, ela recebeu a reportagem do Ibiá, e mesmo com o tempo fechado, abriu as portas de sua casa – e de sua vida – para relatar sua história de superação e vitória àqueles que precisam de esperança.

A decisão de contar os tratamentos que precisou enfrentar para duas doenças graves, câncer e H1N1, foi pensando, também, em dar força e esperança para quem passa pelo mesmo problema, através do seu relato. “Enquanto a gente tiver vida, não pode desistir e nem deixar de lutar. Devemos buscar nas pequenas coisas que a vida oferece a felicidade; ser grato. E não se precisa de muito para ser feliz. Devemos enfrentar os obstáculos sempre com otimismo”, salienta, difundindo o verdadeiro espírito natalino.

A descoberta do câncer e a cura da doença depois de muita luta
Hoje com 40 anos, por volta dos 20, no auge da juventude, como pontua, Cíntia descobriu um câncer de linfoma Hodgkin, o mesmo que o ator Reinaldo Gianecchini precisou enfrentar. “Foi quando estava me arrumando para uma festa que identifiquei um nódulo no pescoço. Mostrei para minha mãe e lembro-me de ter dito que não devia ser nada grave; nessa idade a gente não leva as coisas muito a sério”, pontua.

Com a ajuda da boa memória do pai, Cíntia foi lembrando, por etapa, os momentos e datas de uma época que, segundo ela, trouxe amadurecimento e outra maneira de enxergar a vida. “Sempre fui otimista, de bom astral, para cima. E tive o apoio da família e amigos. Nesses momentos difíceis a gente se fortalece, acaba descobrindo uma força que nem sabia ter”, relata.

E foi após realizar diversos exames em hospitais especializados de Porto Alegre e constatar a doença, por meados de 1997, que a conselheira iniciou o tratamento. Foram oito sessões de quimioterapia e mais 54 aplicações de radioterapia. As marcas, ela carrega até hoje. Faz questão de mostrar e explicar o que são as manchas no peito, que muito se assemelham a pintas.

“Nunca quis trazer aquela imagem de doente para as pessoas. E quando se fala em câncer, todo mundo associa com morte, o que não é verdade. A própria medicação deixa a aparência mais debilitada, mas ainda há preconceito das pessoas”, afirma. Todo o tratamento e processo de cura duraram aproximadamente dois anos. Mas como no período de cinco anos ainda havia a possibilidade de a doença reincidir, mais meia década se foi de acompanhamento médico e exames de rotina. “Não me senti vítima em nenhum momento, não me vejo assim, pelo contrário. Tudo isso foi um grande aprendizado e evoluí muito como ser humano”, sensibiliza-se.

“De 7 vidas, 2 já foram”
Com essa frase em tom divertido, Cíntia relembra a sua segunda provação de vida: em 2008, contraiu a gripe H1N1, em seu ano de descoberta. “Fazia faculdade de Serviço Social, na qual agora estou formada. E foi na Serra Gaúcha, em uma visita ao meu namorado, que comecei a me sentir mal. Era tosse, febre, que mal conseguia realizar as atividades diárias”, conta.

Ficou, então, 12 dias em coma induzido, ganhou transferência para Montenegro de um hospital de Caxias do Sul, e ficou mais 13 dias entre a UTI e quarto hospitalar. “Precisei reaprender a andar e a comer. Quando acordei de tudo, mal sabia o que estava acontecendo”, descreve.

Precisa enfrentar e superar? Cíntia sabe como ninguém fazer isso. E ao pensamento positivo ela confere 50% de suas curas, nos dois casos. Mais um mês de atendimento a domicílio, com acompanhamento de enfermeiros de 6h em 6h, sessões de fisioterapia e a cura foi declarada. “A vida não é um mar de rosas, há dias bons e ruins para todos. Mas por mais difícil que possa parecer uma situação, nunca se deve perder a fé e a esperança”, conclui.

Na hora de se despedir, um abraço apertado de quem se apega – efetivamente – a os bons gestos, e um desejo de felicidades, boas festas e muita saúde.

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