Fábio não tem dúvidas em devolver telefone esquecido

Bom exemplo. Profissional do volante devolveu celular esquecido por passageira dentro de táxi, no Centro

Há apenas cerca de cinco meses trabalhando como motorista de táxi no ponto do Café Comercial, na rua Olavo Bilac, esquina com a Ramiro Barcelos, Fábio Rafael da Silva, 36 anos, devolveu o telefone celular esquecido por uma passageira em corrida realizada por volta das 9h de ontem até a Estação Rodoviária. A mulher, cujo nome ele não sabe, havia esquecido o aparelho no banco de trás, e não percebeu o esquecimento quando finalizou a viagem.

Ao voltar ao ponto onde trabalha, Fábio foi dar mais uma retocada na limpeza do carro e, justamente, revisar se nada havia sido esquecido, como sempre faz. Não muito tempo depois o número do ponto voltou a tocar. Do outro lado da linha estava a idosa, que sequer tinha certeza de que o telefone realmente tinha ficado no veículo.

“Ela ficou toda faceira na hora, me disse que bom, e ainda questionou se o telefone estava mesmo no carro”, recorda o motorista, ontem à tarde. Ex-motorista de ônibus em Montenegro, Fábio ficou um tempo parado até receber um convite para trabalhar na “praça”, como também são conhecidos quem trabalha com o táxi.

Feliz pela oportunidade, o motorista considera que fez nada mais do que a obrigação ao devolver o telefone. Com dois aparelhos, de operadoras diferentes por causa do serviço, ele garante não ter o interesse em mais telefones, por melhor que sejam. E aponta outro fator, mais importante, para a sua decisão: “O que não é meu eu devolvo”.

Fábio se coloca no lugar da passageira, lembrando que se acaso perder seu telefone, espera que quem o ache tome a mesma atitude que teve. “Não pensei em ganhar vantagem. Cada um tem que comprar as coisas com o seu suor”, acrescenta.

No caso da passageira que perdeu o telefone, o final feliz foi colaborado pelo fato da mulher ser cliente antiga do ponto, o que facilitou a rápida ligação com os profissionais, mesmo que Fábio tenha transportado a cliente pela primeira vez. Ele espera que com a sua atitude a classe possa ser vista com outros olhos, deixando de lado o preconceito que muitas vezes têm com quem trabalha com o táxi, inclusive, muitos sendo taxados de desonestos.

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