Atividades na Escola do Senai buscaram facilitar o processo de comunicação no mercado de trabalho

Palestra teve momentos de reflexão, comunicação e expressão dos estudantes que irão para o mercado de trabalho

Imagine-se de frente para o colega de sala de aula. Olho no olho, sem dizer sequer uma palavra, falar o melhor dela, imaginar o melhor e esperar o melhor. Alguns segundos de olhar fixo selados com um abraço. Foi com essa atividade que os alunos da Escola Técnica do Senai iniciaram a aula de sexta, dia 5: uma palestra interativa sobre comunicação não-violenta.

Durante pelos menos 3h, eles participaram de ações que buscaram estimular o processo de comunicação e expressão. A ideia, segundo uma das organizadoras da palestra, a assistente técnica Patrícia Daniele da Silva, foi tornar essa situação mais comum, sem barreiras. “Acho que eles adquirem conhecimento, além de melhorar a postura pessoal e profissional”, ressalta.

De acordo com ela, a atividade expandiu o olhar dos jovens para o aspecto humano das relações. “Saber como ouvir e se colocar no lugar do outro é muito bom para eles, pessoalmente, como também para a vida.”

Responsável pelas interações entre os jovens, o terapeuta Tiago Bueno Camargo disse que o encontro serviu para eles expressarem os sentimentos e, consequentemente, sentissem-se acolhidos. “Muitas vezes, quando eles não recebem esse acolhimento, seja pela família ou amigos, traduzem isso em violência. E a violência sempre vai ser a linguagem da pessoa que não é ouvida. Vai ser a forma dela mostrar aquilo que está isolado dentro dela, daquilo que não está sendo escutado. Muitas vezes isso é traduzido em comportamentos violentos”, argumenta.

Segundo ele, essa é uma forma de melhorar a comunicação com as pessoas com quem os estudantes se relacionam nas empresas. “Do contrário, é muito fácil criar muros entre as pessoas com quem a gente convive diariamente. Então, no momento em que se percebe que não há nada de ruim ou mal em elas falarem sobre a sua vulnerabilidade e expressar seus sentimentos, mesmo no ambiente de trabalho, elas humanizam aquele ambiente. Locais mais humanos fazem o diferencial hoje nas empresas.”

LEONARDO Fernandes Martins

Jovens mais bem preparados para as vagas de emprego
Para Leonardo Fernandes Martins, 21, aprendiz que ajudou a organizar o encontro, este serviu para ampliar e melhorar as relações interpessoais. “Acredito que comunicação é a base de tudo, ainda mais aqui no Senai, onde muitos estão dando inicio a uma carreira. É super importante aprender sobre comunicação não violenta, porque muitas vezes o que as pessoas carregam consigo, padrões repetitivos, crenças limitantes e condicionamentos, não faz bem a si próprias e também não fazem bem para um bom ambiente de trabalho.” conclui.
Em sua visão, a formação dos profissionais que saem de cursos do Senai é mais direcionada para a parte técnica, enquanto a comportamental é pouco menos desenvolvida, sendo que é um dos fatores principais para o bom relacionamento em ambientes de trabalho.

Taiane Sabrina da Silva, 15 anos, contou que em uma das atividades sentiu que não foi preciso pronunciar as palavras para demonstrar o sentimento. “Falamos coisas verdadeiras, coisas que a gente sempre ficava se fechando para falar com outras pessoas. A gente pode se libertar de coisas e falar de novos sentimentos.” Aprendiz de Mecânica e Usinagem, a jovem disse que apenas ao se colocar no lugar da outra pessoa se pode sentir a energia positiva e de boas ações que se transmitiu.

1 comentário

  1. (…) “porque muitas vezes o que a pessoas trazem consigo não é muito conveniente, principalmente para ir ao mercado de trabalho”, defende.”

    -> Fazendo uma observação, nesse ponto eu estava me referindo a alguns condicionamentos e crenças limitantes que acabam não sendo convenientes para o bom relacionamento em grupo.

Deixe seu comentário