foto: Reprodução/Internet

Mobilização. Representantes de Montenegro participarão do evento, que ocorrerá na próxima sexta-feira, em Porto Alegre

O sindicato dos professores estaduais (Cpers) vai realizar, na próxima sexta-feira (18), uma Assembleia Geral Popular de Mobilização. O encontro acontecerá à tarde, às portas do Palácio Piratini, em Porto Alegre, marcando algumas reivindicações da classe. Dentre elas, a reposição salarial dos educadores, a defesa por uma gestão democrática nas escolas e o repúdio à municipalização e à terceirização da educação.

Representantes do 5º Núcleo do sindicato – do qual Montenegro faz parte – estarão na Assembleia. Nos próximos dias, eles devem se reunir para falar sobre a logística da viagem à capital. Os recursos do núcleo prevêem espaço para que demais simpatizantes da causa – não professores – também possam comparecer. A primeira chamada da Assembleia ocorre às 13h30min e, a segunda, às 14h.

Um dos diretores do 5º Núcleo, o professor Ricardo Agádio Kraemer, garante que estará no encontro. Ele explica que, até lá, o grupo local terá se reunido previamente para discutir alguns apontamentos que levarão à reunião geral.

Dentre as reivindicações a serem colocadas, ele indica que a da reposição salarial é a mais urgente. Os professores pedem reajuste de 22,73%. “A nossa é a categoria mais prejudicada dentre os servidores do Estado”, avalia. “O contracheque do professor é o mesmo desde janeiro de 2015. Esse percentual que estamos pedindo é só a reposição da inflação deste período. Só isso.”

Outro ponto a ser colocado na sexta-feira é o pedido de pagamento do Piso Salarial Nacional dos professores. No Estado, os educadores ganham abaixo deste piso. “Está bem defasado. O Rio Grande do Sul é o Estado que menos paga para os seus professores”, avalia Ricardo. Os servidores também devem reivindicar por uma gestão mais democrática nas escolas, na qual as definições não sejam simplesmente impostas pelo governo, mas melhor discutidas junto à comunidade escolar. Ricardo acredita que uma greve não será considerada.

Repúdio à municipalização das escolas e receio das consequências da Reforma Trabalhista
Uma das agendas do Governo do Estado – iniciada no governo Yeda Crusius – foi o processo de municipalização. Por ele, as escolas de Ensino Fundamental vão ficando sob responsabilidade dos municípios, deixando o Estado apenas com as de Ensino Médio. “Isso não pensando na qualidade”, analisa Ricardo Kraemer. “Eles fazem é por querer se verem livres deste número de alunos”, acrescenta o professor. O repúdio a esta política estará na pauta na Assembleia.

A categoria também contestará as terceirizações na educação que, permitidas pela Reforma Trabalhista, estão sendo postas em prática com a contratação de funcionários nas escolas que, terceirizados, são mão de obra mais barata. Também previsto na Reforma, o contrato intermitente – quando um trabalhador é contratado apenas por um pequeno período, de acordo com a necessidade da contratante – está sendo estudado para ser, de acordo com o Cpers, aplicado nos professores.

“Trabalhando assim, o professor não cria um vínculo com a comunidade escolar. Isso interfere na relação e também fragiliza o planejamento da escola, que precisa ter uma continuidade. A educação perde o vínculo e também a qualidade”, coloca o professor Ricardo Kraemer.

Dificuldade de mobilização na cidade

Ricardo Kraemer, diretor do 5º Núcleo do Cpers. foto: Acervo Pessoal

Diretor do Cpers, Ricardo Agádio Kraemer avalia que há uma dificuldade da classe, em Montenegro e região, de se mobilizar para reivindicar seus direitos. A constatação ficou clara durante a última greve dos professores estaduais, que teve baixa adesão no município. “Acredito que é por termos muitos professores em final de carreira, que parecem já ter perdido essa vontade. Temos também muitos contratados, que ficam com medo de serem demitidos”, considera. No estado, o Cpers estimula que seus Núcleos levem as discussões e reivindicações para as escolas.

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