Jovem trará “Entre fazer o bem e ganhar dinheiro, prefiro escolher os dois”. foto: Smile Flame/Divulgação

Atração em evento da ACI, empreendedor fala sobre a força de um propósito

Em 2013, o porto-alegrense Daniel Mattos largou seu emprego para abrir uma empresa diferente: a Smile Flame. Definido como uma “fábrica de sonhos impossíveis”, o empreendimento se propõe a realizar projetos “do bem” e já conquistou destaque nacional.

Dentre as iniciativas, a equipe da Smile já colocou em ação um campeonato de skate no Asilo Padre Cacique, na capital; uma “Corrida Maluca”, com meninos e meninas cadeirantes fantasiados em uma mistura de corrida com concurso de moda; e uma viagem espacial por realidade virtual promovida para as crianças internadas na Oncologia Pediátrica do Hospital de Clínicas.

Hoje, a partir das 18h, Daniel será uma das atrações do “24º Fórum da Qualidade e Gestão de Pessoas” da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI) Montenegro/Pareci Novo. Ele foi convidado a contar um pouco sobre seu empreendimento. O evento acontece no Clube Riograndense e traz a temática “Espiando o Futuro: empresas como vetores da mudança”. A ideia é justamente mostrar como instituições, além de negócios, podem trazer transformações nos locais onde estão inseridas.

Ao lado de Daniel, o Fórum traz como atrações o fundador da WTF! School, Felipe Menezes, que falará sobre “A era das inovações exponenciais”. Com eles, as “Pratas da Casa” deste ano são os fundadores da montenegrina Dobra, Guilherme Massena e Eduardo Seelig. Eles trarão a palestra “Como qualquer empresa pode ajudar a mudar o mundo”.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Ibiá, Daniel Mattos adiantou suas expectativas para o evento e falou sobre o perfil de um novo empreendedor que tem se instituído. Confira:

Entrevista com o empreendedor DANIEL MATTOS
Jornal Ibiá: Tua palestra hoje traz o tema “Entre fazer o bem e ganhar dinheiro, prefiro escolher os dois”. O que tu pretende trazer ao público do Fórum em tua fala?
Daniel Mattos: Nossa ideia é abordar alguns conceitos que a gente utiliza dentro do empreendedorismo social. A gente quer explicar como gerar impacto, trazendo resultados reais para quem está envolvido no processo. Vamos trazer um pouquinho da história da Smile Flame, que exemplifica muito bem como a gente conseguiu colocar esses conceitos na rua, para não ficar só naquela parte de compartilhar conceitos, sem explicar como aplicá-los na vida real.

JI: Essa concepção da Smile, de ir além da busca por ganhos e trazer transformações sociais, poderia ser aplicada em qualquer tipo de negócio?
Mattos: Eu tenho convicção que sim. Toda empresa precisa ter um “porquê”. Ela precisa ter uma essência. Precisa ter um propósito. Precisa acreditar em alguma coisa. E é importante ela não só criar um discurso, mas também ter atitudes que sejam alinhadas com esse discurso que ela está criando. A maneira mais profunda de tu conseguir se conectar com o teu cliente de uma maneira verdadeira é através de essência e de propósito.
Hoje em dia, é muito pequeno tu acreditar que teu diferencial é pelo preço pago ou pela qualidade do produto. O que tem ganhado relevância mesmo é essa conexão entre empresas e público alvo. É realmente a empresa acreditar nas mesmas coisas, lutar pelas mesmas causas. Enfim, é as pessoas (clientes) sentirem que a empresa quer construir o mesmo mundo que elas querem construir.

JI: Olhando pra ti e para as demais atrações do Fórum, vemos que são todos empreendedores jovens e que têm um perfil mais “descolado”, sempre buscando pensar fora do convencional. Tu acha que este perfil é uma característica específica da geração de vocês? É um desafio incentivar este comportamento em gerações anteriores?
Mattos: Eu acredito nas duas constatações. É algo que vem, sim, de uma forma mais natural com a nossa geração, que aprendeu através das ferramentas que tivemos acesso desde pequenos. Ainda criança, a gente já usava a internet, já aprendia essa lógica de não só escutar, mas também compartilhar, de ter uma comunicação de mão dupla, enfim. Eu acho que o contexto em que a nossa geração nasceu ajuda muito a criar essa lógica colaborativa dentro dos negócios.
Porém, eu acho que é possível que a gente consiga trocar e, a partir dessa troca, fazer com que gerações um pouco mais antigas – que tenham um insight um pouquinho mais conservador – também comecem a beber um pouquinho dessa fonte e entender a importância que é ter um processo colaborativo que se conecta com o público alvo através do propósito. A nossa geração já veio com esse DNA e é super importante a gente estar aberto a conversar e trocar com essas gerações mais antigas para que elas possam também construir este mundo mais igual e mais bacana que a gente quer construir daqui pra frente.

JI: Qual é a tua expectativa para o evento desta noite?
Mattos: Minha expectativa é muito alta. Eu vejo muita gente legal se envolvendo com o evento. Não só na parte dos palestrantes, mas também na parte dos participantes. A gente vê que tem uma expectativa muito alta e uma energia muito boa de gente querendo participar e fazer com que essa experiência seja única. Estou super disposto a essa troca que, não só vai me permitir compartilhar um pouco das coisas boas que tive com a Smile, mas também me fazer voltar com muitas informações do público. Acho que vou crescer bastante com essa experiência.

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