Economista Fernando Marchet fez palestra ontem a convite da ACI

Palestra. Fernando Marchet disse a empresários da ACI que o próximo
presidente terá que discutir o tamanho do Estado e seguir com reformas

Nos bastidores, disse-se que faltou um cafezinho para manter os espectadores bem alertas, mas a palestra do economista Fernando Marchet ontem no Clube Riograndense abasteceu o empresariado montenegrino com análises da economia brasileira no ontem, no hoje e no amanhã. Experiente executivo do mercado financeiro e de capitais, o palestrante da reunião-almoço da ACI Montenegro/Pareci Novo projetou as perspectivas do País diante das eleições gerais deste ano.

Em uma hora e dois minutos, ele lançou hipóteses para o Brasil no cenário pós-eleição, conforme o candidato eleito. Do direitista Jair Bolsonaro, por exemplo, ele afirmou ter dúvida quanto à efetiva implantação do plano econômico que tem defendido. Não que discorde das bases dessa política aconselhada pelo liberal Paulo Guedes, mas pelo risco de ficarem pelo caminho após o pleito. “O risco é quando o candidato age em campos que não conhece. O Bolsonaro é um nacionalista, o que nos leva a pensar que é contra privatizações. E hoje falar que o governo tem que ser dono de tudo, tem que investir em estradas, é impossível porque não tem dinheiro para investir.”

Ciro Gomes, disse Fernando, “sempre morreu sozinho” mas campanhas, porque prejudica a si mesmo. Já Marina Silva derrotaria Bolsonaro no segundo turno, dizem as pesquisas atuais, mas se trata de uma líder “quase PT”. Como ela tem como conselheiro Eduardo Gianetti, economista que simpatiza com um Estado menor e o empresariado como protagonista da nação, a dúvida é o quanto seguiria as diretrizes desse guru. “Quem ouve os deputados do partido da Marina falarem no Congresso, vê que não se pode imaginar que eles fariam a concessão de uma estrada”, compara.

Com uma projeção no telão daquilo que chamou de tabuleiro eleitoral — havia todos os pré-candidatos e os respectivos conselheiros econômicos —, o especialista fez ressalvas de que é apenas um retrato sujeito a mudanças. “Ainda nem sabemos se haverá conjugação entre partidos. Esse tabuleiro é, portanto, um risco para a nossa economia, assim como as reformas, que precisam sair para a situação do país melhorar”, justifica.

Fernando elaborou uma espécie de roteiro que o próximo presidente, independentemente de quem seja, terá de seguir para elevar o nível de desenvolvimento da nação: avanço em reformas estruturais: previdenciária, tributária e política; implementação efetiva da reforma trabalhista; plano extenso de concessões e privatizações; manutenção do tripé econômico, ou seja, atingir metas de inflação, dólar flutuante e superávit primário; e discussão sobre o tamanho e o papel do Estado, na economia e na sociedade.

Projeções 2018
— PIB total: avanço de 2,85%
— PIB agropecuária: crescimento de 0,74%
— PIB indústria: melhora de 2,53%
— PIB serviços: expansão de 2,35%
— IPCA (variação): 3,5%
— Selic meta (ao ano, no fim do período): 7%
— Dólar (ao fim do ano): R$ 3,44

Fonte: estimativas econômicas Bateleur

Números mostram retomada da economia em várias áreas
O economista Fernando Marchet confirmou que o País está em ritmo de crescimento, mas setores têm se recuperado mais do que os outros. Segundo ele, números mostram tendência de melhora para todos segmentos. “Na prática, o investidor sinaliza para voltar a empregar e a investir em seu negócio, enquanto as pessoas estão mais abertas ao consumo, o que é fundamental para a retomada da economia. Dados mostram que o endividamento das famílias vem caindo, o que abre espaço para consumir mais”, pondera.

O varejo — atividade-fim de uma série de espectadores da palestra de ontem — teve evolução de 6% no país nos últimos 12 meses, percentual razoável se confrontado com anos anteriores, quando os números eram negativos. Na esteira disso vem o aumento do emprego, porém numa proporção menor. “Foram abertas 140 mil vagas nos últimos 12 meses, o que não é muito para um país do tamanho do ano. Mas quem está empregado sentiu que a renda média real ficou melhor”, avalia.

Com relação à taxa Selic, o economista acredita que não terá oscilação até os últimos meses deste ano. Depois, ele aposta em aumento dos juros, mas aí como medida para conter a inflação decorrente da escalada do consumo.

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