Clara Regina Gauer, ao lado do cliente Mateus Machado, afirma que preza pelo bom relacionamento com o consumidor ao longo de 20 anos

Levantamento da Fecomércio fez “raio-x” do segmento no RS e mostra os pontos em que é preciso avançar

A Fecomércio-RS divulgou sua “Sondagem de Segmentos” focada nos minimercados gaúchos e constatou que 71,2% dos estabelecimentos é antigo (com mais de dez anos de existência) e que, por isso, o segmento sentiu o impacto da crise econômica e, também, ainda tem dificuldade em se modernizar.

Nos últimos seis meses, 35,6% dos minimercados considerou que suas vendas foram ruins, e 54%, regular. Além disso, 54,5% dos estabelecimentos espera que as vendas melhorem um pouco; e 23,9% apenas anseiam por alguma estabilidade. “A gente sempre tem esperança. Se não tiver esperança, a gente não é nada”, resume a empresária Clara Regina Gauer, dona de um minimercado montenegrino há 20 anos.

O período de experiência evidencia uma crise nos últimos anos, com baixa no faturamento da loja. Ela conta que, em 2018, ainda não viu melhoras em comparação com 2017. “Parece que está igual ao ano passado”, compara, deixando claro que sempre acredita na melhoria.

A pesquisa da Fecomércio-RS aponta que 57,7% dos entrevistados citou a crise como um empecilho para suas vendas. Um número ainda maior, no entanto, 58,4%, apontou para a carga tributária brasileira como um problema para o seu melhor desempenho.

Clara Regina concorda. “A gente se mata pagando imposto. O governo só quer receber”, desabafa. Ela aponta que, com a entrada da Nota Fiscal Eletrônica – que, gradualmente, está chegando como obrigação para o segmento de minimercados – o controle do Fisco sobre as operações da empresa é muito maior. Em cima disso, a carga tributária é alta e impede um melhor resultado aos empresários.

Informatização ainda é um desafio
Donos de minimercados costumam passar longe de computadores. Mas a obrigação da Nota Fiscal Eletrônica vem mudando essa realidade. A Sondagem de Segmentos aponta que 43,6% dos minimercados possuem controle informatizado de estoque e de vendas, mesmo que apenas uma planilha em Excel. 29,4% possui só o controle das vendas. E 26,2% não possuem nenhum controle do tipo em meio eletrônico. 40% dos minimercados pesquisados nem mesmo trabalha com cartão de crédito ou débito.

O mesmo vale quando se fala em divulgação. Um percentual expressivo – de 64,2% dos estabelecimentos – não utiliza as redes sociais, como o Facebook ou o WhatsApp, para divulgar produtos, promoções ou se relacionar com clientes. 29,6% não realiza divulgação de nenhum tipo.

Dos que fazem alguma propaganda para divulgar seus itens, 77,9% usam apenas os cartazes fixados no interior da loja; 14% distribuem folhetos pela vizinhança; e 24% ainda usam carros de som passando pela cidade. “A gente já é conhecido”, justifica a comerciante montenegrina Clara Regina Gauer diante do fato de que não realiza nenhuma divulgação do tipo. Em seu minimercado, ela esclarece, o que vale é a relação de proximidade e de amizade com o cliente – característica que é marcante no segmento.

OS MINIMERCADOS GAÚCHOS
– 71,2% têm mais de 10 anos de existência;
– 92,5% empregam até cinco pessoas;
– 35,6% dizem terem tido vendas ruins no semestre; 54% dizem terem tido regulares;
– 54,5% esperam que a economia melhore um pouco em 2018;
– 58,4% citam os impostos como empecilho do negócio; 57,7% apontam para a crise; 28,3% para a concorrência;
– 31,7% misturam finanças pessoais com empresariais;
– 24,9% têm controle financeiro superficial ou nulo;
– 25,2% não variam continuamente os produtos do estoque;
– 29,6% não promovem de nenhuma forma os seus produtos;
– 77,9% preferem os cartazes internos como propaganda;
– 64,2% não usam redes sociais;
– 40% não utilizam vendas com cartões de crédito

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