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Maternidade. Mulheres afirmam que, após o nascimento dos filhos, competir no mercado de trabalho por uma oportunidade tornou-se mais difícil

Atualmente, ter filhos e sucesso profissional é o desejo de muitas mulheres. E tem sido uma realidade para muitas, é verdade. Porém, para outras tantas esses projetos de vida acabam ficando pelo caminho, esbarrando em um grande obstáculo: a falta de oportunidades no mercado de trabalho após a maternidade.

Aléxia Xavier ficou meio ano à procura de emprego
Crédito: arquivo pessoal

Mães montenegrinas relatam a dificuldade de conseguirem uma vaga depois de darem à luz a seus herdeiros, sendo uma delas Aléxia Xavier, 19 anos, mãe de Manuella Xavier da Silva, dois anos e cinco meses. “Fiquei de outubro de 2016 a abril desse ano procurando emprego, fiz várias entrevistas nesse meio tempo, e as primeiras perguntas feitas sempre nas seleções foram: têm filhos? Quantos? Se você começar a trabalhar, a criança ficará com quem? E caso fique doente, você terá que faltar o trabalho?”, relembra.

Atualmente empregada, depois de muito entregar currículos por Montenegro, ela ressalta que o mercado de trabalho é muito fechado para as mulheres com filhos. “Hoje, graças a Deus, arrumei um ofício que eu gosto, com um horário bom, que posso me dedicar bem tanto à ocupação quanto dar a devida atenção à minha filha”, conclui a comerciária.

Joseane Aguia procura uma oportunidade. foto: arquivo pessoal

Já Joseane Aguiar, 27 anos, não teve a mesma sorte e, em todas as tentativas nos últimos oito meses, encontrou portas fechadas. “Meu filho tem um ano. Quando engravidei estava recebendo seguro desemprego. E nunca havia ficado tanto tempo desempregada; sempre saía de um trabalho para outro. Antes de dar à luz certamente era muito mais fácil conseguir uma vaga”, ressalta.

Ela relata que, inclusive, diversas amigas passam pela mesma situação, e afirma não entender o que passa na cabeça dos contratantes ao entrevistarem uma mãe. “Logo quando comecei a procurar emprego deixei um currículo numa loja onde tinha vaga para vendedora. Após uma semana, entraram em contato comigo e algumas perguntas foram feitas pelo telefone. Eram do tipo se eu estudava, se tinha disponibilidade de horário e também se tinha filhos. Eu assenti que sim, e que meu filho tinha seis meses, e ela simplesmente disse que era uma pena, encerrando assim a conversa”, lamenta a jovem.

A pergunta que não quer calar, mais uma vez
Michele de Vargas, 28 anos, mãe da pequena Isabelly, de três, reforça as perguntas escutadas durante as entrevistas de emprego, pelo fato de ser mãe. “Sobre ter filhos, se vai à creche, se tem com quem deixar caso o horário da vaga seja noturno. Eu, como tenho experiência em farmácia, estou com dificuldade para conseguir oportunidade nesse ramo. Também porque geralmente os empresários querem funcionários para fechamento do turno, e talvez fiquem meio receosos pelo fato de eu ter uma filha”, destaca.

Para ela, outro impasse talvez seja o fato de que as empresas precisam pagar auxílio creche.
Mas há, felizmente, mulheres que nunca encontraram dificuldade para se reintegrar ao mercado de trabalho após a maternidade, caso de Daniela Brochier, 24 anos, mãe de um menino. A jovem não considera que haja menos chances para mulheres com filhos na disputa por uma vaga. “Nunca tive problemas. No momento, inclusive, trabalho autonomamente. Claro que os empregadores perguntam se meu filho vai à creche e se tenho com quem deixar, mas não considero menos favorável a esse público”, termina.

Tendo a tão solicitada experiência para perfil de farmácias, Michele de Vargas afirma estar com dificuldade de empregar-se no ramo. foto: arquivo pessoal

Oportunidades igualitárias
De acordo com o coordenador da agência Sine de Montenegro, Roque da Rocha, não há discriminação na oferta de vagas. A questão é que a falta de emprego, com a crise atual. “Por isso frisamos sempre a importância da qualificação. O mercado de trabalho está escasso para todos, quem estiver melhor capacitado, ganhará a vaga”, informa.
Inclusive, segundo ele, no perfil enviado pelos empresários para a agência, não há nenhuma restrição quanto às mulheres terem ou não filhos, sendo feminino muito do público que sai empregado. “O Sine é responsável por efetuar cadastros e enviar currículos para as empresas. Quem define o perfil é o empresário”, conclui Roque.

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