Correntes circulam nas redes sociais e muitos compartilham por receio

Simples repasse de texto não é suficiente para alcançar uma graça pedida

Ao final do texto, o aviso manda repassar o conteúdo a algumas pessoas que algo bom vai lhe acontecer ou que seus pedidos serão realizados. Quem nunca recebeu uma mensagem semelhante, as famosas correntes repassadas pelo WhatsApp ou e-mail? E não raro vêm com um alerta, em tom de ameaça, de que algo ruim poderá acontecer se o texto for ignorado.

Pastor Cléber diz que é preciso ter fé em Deus e nada de ruim ocorrerá

O pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Cleber Fontinele Lima, observa que essas correntes têm um tom de magia, sugerindo que o simples repasse de uma mensagem é suficiente para algo acontecer. Para ele, esses textos não devem ser levados a sério. “Procura-se orientar os membros (da Igreja) no sentido de que as coisas não são mágicas”, afirma.

Para ele, essas mensagens não fazem sentido, são “esquisitas” por argumentar que o simples repasse a um número de pessoas possa fazer algo acontecer. Lima acrescenta ainda que não há por que temer apagar ou ignorar essas correntes. “Não acreditamos em pragas ou castigos”, afirma. “Podem deletar tranquilos, confiar em Deus e colocar sua fé e esperança em Deus que nos ama e quer o nosso bem”, resume. “Se você crê em Deus e confia plenamente nisso, essas coisas não lhe atingem”, reforça.

Padre Diego Knecht explica que o compartilhamento das correntes não deve ser confundido com uma oração

Essas mensagens, no entanto, podem mexer com as pessoas, tanto daquelas que realmente acreditam em seu poder e seguem a corrente, como a quem faz isso porque, na dúvida, prefere não correr riscos. “Quando vai para o lado da superstição, a Igreja não olha com bons olhos”, observa o padre Diego Knecht, pároco da Igreja São João Batista.

Ele esclarece que a Igreja não associa esse tipo de correntes que circulam nas redes sociais à oração, pois valorizaria uma ideia deturpada de prece. Na sua opinião, a continuidade dessas correntes virtuais é fruto de uma necessidade das pessoas em querer ter algo mais para “se agarrar” na busca de alguma coisa. “Não se pode pensar que simplesmente ao mandar uma mensagem está tudo resolvido”, acrescenta.

Ele diz que a convicção, a confiança de que algo irá acontecer pode sugestionar a pessoa, que irá relacionar um acontecimento à corrente. Desta forma, cair ao tropeçar em uma calçada, por exemplo, pode ser associado à punição por quebra da corrente, mesmo que o local da queda estivesse esburacado e propício a um tombo. “Muitas vezes, são causas naturais e físicas”, opina. Do mesmo modo, o padre observa que a convicção pode levar alguém a crer que algo de bom aconteceu devido ao envio da mensagem seguindo a corrente.

“Nunca duvidamos do poder da oração, do pedido, mas muitas vezes se sugestiona demais”, analisa Knecht. “Não é bem por aí, Deus nos ajuda à medida que se necessita não à medida que se pede”, acrescenta. O padre afirma que já recebeu textos dessas correntes, mas apaga sem passar adiante.

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