enquanto aguardam ser chamados para as entrevistas, candidatos compartilham histórias e esperança

Montenegrinos participam de seleção para vaga de emprego na esperança de conseguirem uma vida melhor

O índice de desemprego aumentou significativamente no Brasil, levando pessoas a formarem longas filas na expectativa de arrumar um trabalho com carteira assinada e mudar de vida. Esse desejo faz parte da realidade de muitos montenegrinos que, para conseguir um emprego, estão dispostos a mudar de cidade, se for necessário.

Na última quinta-feira (11), a disputa pelas vagas de atendente de recepção e auxiliar de cozinha para uma grande empresa de hamburger, mostrou que o cenário é bem mais delicado do que se imagina. Alguns candidatos ofereciam bem mais do que o perfil exigia e até poliglota era possível de encontrar nessa disputa.

As vagas são para trabalhar em Porto Alegre. Disponibilidade para viajar, residir em alojamento e não ter experiência, eram alguns dos pré-requisitos determinados pela empresa contratante, que oferecia um total de 10 vagas para cada área.

Desempregado há um bom tempo, o licenciado em história André Souza, 35, relata que a situação de escassez de trabalho no país aumentou consideravelmente nos últimos anos, o obrigando a procurar por atividades fora da sua formação. “Hoje estou na esperança de conseguir algo, já que é a segunda vez que participo da seleção dessa empresa”, comenta o historiador, que já trabalhou no mercado de exportação e como tradutor árabe.

Entre uma chamada e outra para as entrevistas coletivas e individuais, o padeiro e confeiteiro Fábio Júnior Reis, 33, conta sobre a paixão pela profissão que lhe permite dar formas aos pães. Ele destaca que no processo de fabricação, cada minuto é valido, relembrando quando deixou queimar uma porção de cucas, sendo descontado do seu salário que na época era de R$ 200,00. Há dois anos desempregado, mudar de cidade é o último problema para Júnior, que já morou em outros municípios para trabalhar. “A falta de oportunidade está muito grande, deixando as pessoas desesperadas e aumentando a criminalidade, infelizmente isso é real”, enfatiza o padeiro.

Além do desejo de garantir uma vaga, cada pessoa levava uma habilidade especial para as entrevistas, como é o caso da manicure Liane Reis, 34, que até tatuou um esmalte para eternizar o amor pela profissão. Ciente das características que a maioria das vagas exige, ela discorda do confeiteiro, ao afirmar que o problema não é a falta de oportunidades, mas sim, o que empresas buscam. “Emprego tem, mas o perfil é o que mais conta e detalhes como marido, filhos e idade, fazem toda diferença na hora da disputa”, acrescenta.

Candidatos querem mais clareza no processo de seleção
Essa não é a primeira vez que a empresa busca mão de obra em Montenegro, sendo a terceira seleção para preencher o quadro de funcionários tendo como referência o município. Alguns candidatos reclamaram sobre a falta de transparência durante o processo, comentando que seria importante a entidade tornar público os selecionados, com o objetivo de mostrar à população que não há existência de “favorecimento” durante o processo.

o Coordenador da Agência FGTAS/Sine de Montenegro Rock da Rocha, se diz otimista quanto o números de contratações

O Coordenador da Agência FGTAS/Sine de Montenegro, Rock da Rocha, comenta que o dever desse órgão público é somente de realizar a captação de pessoas interessadas nas vagas, depois, cabe ao empregador fazer a seleção de acordo com as necessidades da empresa. “Nas duas últimas seleções foram contratadas 11 pessoas, ou seja, esse número é bem expressivo se levado em consideração a atual conjuntura”, disse Rocha.

Sobre o perfil do contratante, há uma orientação breve por parte do Sine, que sempre busca esclarecer à população que as vagas sempre têm algumas exigências. “Nós não estipulamos nada, nem idade, nem credo ou algo parecido, mas na hora da seleção a empresa busca formar o melhor grupo, de acordo com o que eles precisam”, complementa o coordenador.

Na disputa por emprego, também estava a autônoma Lueine Shu, 20, que relatou sentir muita dificuldade em arrumar trabalho. ”Eu acho que está difícil para todo mundo, mas para os jovens recém-saídos do ensino médio é mais complicado”, reclama Shu, na expectativa de conseguir uma vaga na grande empresa.

Ao final dessa edição, o Sine entrou em contato com o jornal confirmando o contrato de seis pessoas nesse terceiro processo de seleção, sendo duas para recepcionista e quatro para auxiliar de cozinha.

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