Daniel e Astor acreditam que a curva de crescimento vai aumentar se houver corte nos juros para financiamento

Mercado. Lojas de tratores em Montenegro garantem que o pior período já passou, pois primeiro semestre registra recuperação

O pior já passou. É o que afirma o gerente da AD Brenner, Astor Weizenmann. No alto de seus 47 anos de experiência no setor de máquinas agrícolas, ele conta que o mercado começou um movimento de recuperação após a crise, que teve o ano passado como ápice, mas foi bastante sentida nos dois anos anteriores. “Nosso 2017 foi muito ruim, mas já em março, abril e maio deste ano as vendas reagiram. Percebemos que os ânimos melhoram quando o produtor entra na loja para ver o trator, e isso tem acontecido. Quando o país passa por uma crise, a agricultura normalmente é o último setor a senti-la e, depois, o último a retomar o ritmo. Ainda assim, foram os agricultores que seguraram o país em pé, considerando o cenário macroeconômico”, compara.

Paralisação dos caminhoneiros, que teve apoio dos agricultores, refletiu na queda das vendas no mês de maio. Foto: Arquivo/Jornal Ibiá

Conforme Astor, a agricultura familiar segue predominando no Vale do Caí. Os produtores do setor estavam retraídos nos últimos anos não apenas em função da crise econômica, mas também pela instabilidade do cenário político, o que os fez puxar o freio de mão. “Havia bastante gente só na expectativa, esperando para ver o que ia acontecer.” Aos poucos, o tempo está se abrindo e a troca do trator — a clientela da Brenner renova as máquinas a cada 10 anos, em média — é uma perspectiva que cresce no horizonte.

O momento atual ainda não é o ideal em termos de compra por financiamento, mas já evoluiu bastante em relação ao ano passado. A taxa de juros está na casa dos 5,5% ao ano pelo programa Pronaf Mais Alimentos, uma política destinada aos pequenos produtores. “Do nosso público, 90% adquire o trator via Pronaf, então é importante ter uma taxa de negociação favorável. A gente sente que ainda tem produtor esperando o juro baixar mais”, constata Daniel Luft, vendedor externo da AD Brenner.

Tanto Astor quanto Daniel comentam que a citricultura ainda é o carro-chefe do setor agrícola do Vale do Caí (muitas vezes combinada com avicultura e suinocultura), mas também se verifica uma boa produção de hortifrutigranjeiros, pecuária, milho e leite. A produção de lenha (eucalipto e acácia) também tem bom espaço. “De olho no reaquecimento do mercado e nesses agricultores familiares, a Agrale lançou este ano uma nova linha de tratores, com destaque para inclusive o modelo 575, de 75 cv de potência, que atende adequadamente a quem planta citros, por exemplo”, observa o gerente.

Um ano complicado para prognósticos
De janeiro a maio deste ano, as vendas aumentaram 27,31% em relação aos cinco primeiros meses do ano passado, na loja de Montenegro da rede Unyterra/Agritech. O gerente de vendas, Marcos Milech, diz que os números são bem-vindos, mas não chegam a empolgar, porque o ano passado foi fraco e, além disso, não se confirmou a queda de juros que se esperava. “Agora, a nossa expectativa é por um segundo semestre um pouco melhor. Nossa expectativa é crescer ao redor de 35% na comparação com igual período do ano passado”, antecipa.

Com 15 anos de atuação no segmento de máquinas agrícolas, Marcos afirma que 2018 foi o ano mais complicado para se fazer prognósticos. “Temos sido surpreendidos constantemente. São questões da política, da economia… Há pouco tivemos a greve dos caminhoneiros. Essas variáveis vêm de fora, mas influenciam muito o nosso negócio”, lamenta.

Os primeiros cinco meses deste ano tiveram crescimento, segundo ele, também por que a Unyterra comercializa equipamentos para a construção civil — setor que esboçou reação, ainda que timidamente. A partir de agosto, a movimentação na concessionária deve aumentar bastante, porque a Agritech acrescentará novos produtos à sua linha tratores, que serão “mais tecnológicos”, sublinha o gerente. Em Montenegro, o setor primário é puxado pela citricultura e, na sequência, pela horticultura. “O Vale do Caí continua forte no agronegócio, o que é importante, porque impacta na economia como um todo”, aponta Marcos.

Clientela retoma sentimento de confiança

Na região, os tratores da marca John Deere, que possui unidade industrial em Montenegro, têm apresentado crescimento nos dois últimos anos, segundo comerciantes

Silvio Pacheco, consultor estratégico de negócios da concessionária Verdes Vales, que distribui a marca John Deere na região, afirma que a crise do setor já ficou para trás. O momento atual está aquecido, com um movimento bem positivo quanto à busca de informações e, principalmente, aumento de vendas. Nestes primeiros meses do ano, segundo ele, o crescimento foi de 30% a 40% em relação ao mesmo período do ano passado, que já havia crescido de 15% a 20% na comparação com 2016. “Em, 2016 e 2015 tivemos o auge da crise e aí as vendas foram muito ruins”, recorda.

No dia a dia, percebe-se que a clientela tem demonstrado mais confiança na retomada da economia. Assim, para o segundo semestre deste ano, a expectativa dele é de que a boa fase permaneça e até melhore mais, porque há rumores de que a taxa de juros de financiamento sofra redução em breve.

Silvio conta que a maior procura por máquinas novas vem do setor agropecuário, com destaque para avicultores, suinocultores, citricultores e hortifruticultores.

Depois do pior ano, marca coreana LS registra crescimento de 40%
Instalada desde 2013 em Montenegro, na margem da ERS-240, próximo ao pórtico da cidade, a concessionária KIM, da marca sul-coreana LS Tractor, teve no ano passado o seu desempenho mais fraco, a exemplo do que ocorreu com a maioria das lojas do setor.

Em 2018, de janeiro a maio, o processo de recuperação deu seus primeiros sinais — a alta foi de 40%, conforme o gerente de vendas Lucas Barreto. “Foi um bom sinal, mas ainda não atingimos o padrão que se tinha antes de o mercado entrar em crise”, comenta.

Para o segundo semestre deste ano, Barreto acredita que será possível manter a mesma taxa de crescimento, ou seja, 40%, em relação ao período de julho a dezembro de 2017. Neste sentido, ele toma por base a expectativa em torno do Plano Safra da Agricultura Familiar, que deve entrar em vigor no mês de julho com juros mais baixos.

Com relação a novos modelos, o gerente da KIM LS Tractor anuncia novidades para breve, mas sem entrar em detalhes. As novidades chegarão na última semana de agosto, quando tem início mais uma edição da Expointer. “Posso afirmar que teremos mais de um lançamento”, acrescenta.

Em Montenegro, a concessionária tem como carro-chefe a venda de tratores com potência entre 50 e 65 CV de potência, exatamente os mais adequados para as demandas da citricultura — principal atividade econômica do setor primário na região — e da horticultura, também bastante expressiva no Vale do Caí.

Trator novo significa menos trabalho e maior produtividade, afirma citricultor de Santos Reis
O rendimento do serviço está bem maior desde novembro do ano passado na propriedade do citricultor ecológico Ricardo Renato Weber, 48 anos. Com oito hectares de pomar na localidade de Santos Reis, interior de Montenegro, ele investiu em uma roçadeira e num Yanmar Agritech 1155, cujo porte e potência são bem adequados ao cultivo de citros.

A partir de então, Weber produz mais em menos tempo. “É a segunda vez que compro um trator. Agora, peguei um maiorzinho financiado pelo programa Mais Alimentos, que tem juro bem mais baixo, porque facilita bastante o nosso trabalho. Se faz [investimento] dentro daquilo que se consegue, porque somos pequenos, então não podemos dar o passo maior que a perna”, destaca.

A nova máquina, conforme o montenegrino, oferece maior agilidade e facilidade no que se refere ao uso de equipamentos agrícolas. O Yanmar maior agora permite a ele fazer parte de um grupo de produtores de Santos Reis que possui uma série de equipamentos, como o espalhador de composto orgânico, que faz uma espécie de rodízio pelas propriedades. “Antes, ou eu terceirizava esse serviço ou esperava pela cooperativa, mas aí a gente não tinha o implemento na hora que precisava.”

Nos últimos tempos, a família toda tem trabalhado com sentimento de satisfação, porque a demanda por produtos livres de agrotóxicos não conhece crise. “Começamos com o sistema orgânico em 2009 e não nos arrependemos. A Ecocitrus vai bem e fica com toda a nossa produção”, diz o associado.

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