Patrícia Borba salienta que todos os tipos de tampas de plástico são recebidas

De várias cores, tamanhos e formatos, 20 toneladas de tampinhas de plástico deixaram de ser lixo para seguir no caminho da reciclagem e ganhar nova utilidade. Esse é o balanço do projeto Tampinha Legal, que completou um ano neste mês de outubro, com 500 pontos de coleta em 150 cidades gaúchas. O próximo levantamento terá aquelas que vêm sendo coletadas pela Sociedade Beneficente Espiritualista (Lar do Menor), entidade montenegrina que aderiu ao programa e já acumula cerca de 80 quilos de tampinhas, coletadas nos últimos quatro meses, desde que aderiu à promoção.

Uma ação socioambiental de caráter educacional, a campanha foi lançada no Congresso Brasileiro do Plástico (CBP), uma iniciativa dos três sindicatos do setor – Sinplast, Simplás e Simplavi – com apoio institucional do Instituto Plastivida e patrocínio da Braskem. A promoção garante um destino adequado a milhares de tampinhas e ainda oportuniza recursos financeiros a mais de 40 entidades assistenciais que fazem a coleta.

A coordenadora executiva da Tampinha Legal, Simara Souza, salienta que 100% do valor com a venda das tampinhas é revertido à instituição que promoveu a coleta. “É uma ação socioambiental que visa recolher e ensinar o destino adequado dos resíduos sólidos e plásticos de uma forma lúdica, inteligente, fácil e de baixo custo”, resume Simara.

No Lar do Menor, o objetivo é coletar 500 quilos de tampinhas, que lhe renderão cerca de R$ 1,5 mil. Coordenadora do projeto na entidade, Patrícia Borba esclarece que a campanha abrange todos os tipos de tampas. “Não é só as de garrafas”, frisa. Ela acrescenta que há coleta em todas as instituições da Sociedade Beneficente Espiritualista, que inclui cinco unidades de Educação Infantil e o Abrigo Menino Jesus de Praga.

A entidade está planejando buscar parceria junto a restaurantes que poderão dar um destino certo às tampinhas descartadas pelo estabelecimento, bem como ser posto de coleta para a comunidade. “É tudo coisa que vai pro lixo, mas pode ser aproveitada”, argumenta Patrícia. Ela esclarece que está sendo elaborado um projeto de educação ambiental abrangendo a separação adequada do lixo, que vai ao encontro da campanha Tampinha Legal.

A entidade já conta com o apoio da Polo Films, que além de receber tampinhas, também garantirá o transporte até Porto Alegre, na ocasião da venda do material. Patrícia calcula que cerca de 80 quilos já foram recolhidos, sem contar o montante que está sendo coletado na indústria parceira. As tampas são separadas por cores e acondicionadas em sacos apropriados, que garantam ventilação.

Simara esclarece que as tampinhas são destinadas à indústria de reciclagem e a separação por cor agrega valor. Ela explica que aquelas verdes, por exemplo, se tornarão vassouras verdes, ou qualquer outro objeto dessa cor. “Quando estão todas misturadas, são derretidas e terão uma cor indefinida”, acrescenta. Sinara observa que um plástico preto não volta a ser colorido, mas se houver a separação por cor, há maior aproveitamento e, portanto, mais valor.

Pontos de coleta
Unidade de Educação Infantil Anita Harres Ferraz (Lar do Menor) bairro Municipal
Unidade de Educação Infantil Cléo Heller bairro Panorama
Unidade de Educação Infantil Nilton Moreira Trilhos/bairro Senai
Unidade de Educação Infantil Cinco de Maio bairro Cinco de Maio
Unidade de Educação Infantil Hélio Araújo bairro Promorar
Abrigo Menino Jesus de Praga bairro São João
As empresas ou instituições interessadas em dispor de um espaço para um recipiente para coleta podem entrar em contato com a Sociedade Beneficente Espiritualista, localizada na rua Bruno de Andrade, no bairro Municipal, no Lar do Menor.

Por que tampinhas?

A entidade assistencial faz a separação por cor para que as tampas tenham mais valor

Se todo o plástico pode ser aproveitado e dá origem a vários outros produtos, por que a campanha se limita a receber tampas? “Por serem fáceis de coletar”, responde Simara Souza Ela acrescenta que é um material mais limpo e, ao levantar de um restaurante, por exemplo, é fácil de recolher a tampinha do refrigerante para levar a um ponto de coleta. “Se fosse a garrafa, ou prato, seria mais difícil de recolher”, compara.

Simara observa que a coleta da tampinha é uma forma simbólica de mostrar que um objeto a menos faz diferença no meio ambiente, além de garantir recursos às entidades que aderiram à campanha. Ela afirma que algumas pagaram a folha de salários com recursos da campanha. “Há entidades que já tinham lista de demissões e deixaram de demitir por receber recursos com as tampinhas”, afirma. E menciona outra, de Tramandaí, que visa adquirir um mamógrafo com o retorno financeiro da coleta.

A coordenadora da campanha observa que, desta forma, o alcance da iniciativa inclui mais saúde e educação ambiental. “É uma ação modificadora de comportamento, para que as pessoas tenham atitude”, resume.
Em um ano, as cerca de 20 toneladas de tampinhas de plástico coletadas geraram em torno de R$ 40 mil às entidades assistenciais participantes.

Matéria-prima para novos produtos
Após coletadas, as tampinhas seguem o caminho da reciclagem na indústria de transformação, dando origem a vários outros produtos, como bancos, painéis para carros, vasos, vassouras, baldes, prendedores de roupas, cabides, cestinhas de supermercado, entre outros. Simara Souza observa que uma infinidade de produtos pode ser feita com as tampinhas.

A coordenadora esclarece, no entanto, que elas não retornarão ao mercado como tampas de embalagem de produtos alimentícios, pois o plástico reciclado não pode ser usado em utensílios para acondicionar alimentos. “As tampinhas, assim como outros plásticos, são 100% recicláveis, têm vida ilimitada, precisamos devolver o plástico para a indústria para fecharmos a economia circular. Como matéria-prima, são valiosos, não podem ser descartados aleatoriamente”, resume.

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