Jojo Toddynho conquistou fama automática com o polêmico hit. foto: reprodução internet

Foi, de fato, um disparo que acertou o alvo. Dominando a lista das músicas mais tocadas com o hit “Que tiro foi esse”, a cantora Jojo Toddynho garante não ter escutado reclamações depois que os vídeos em que as pessoas caem ao som dos tiros viralizaram na internet. Isso porque o “tiro”, de acordo com a artista, não tem relação com a violência; é usado com uma expressão de surpresa.

“Que tiro foi esse” lidera entre as músicas de sucesso do Brasil e circula entre as mais executadas do mundo, no Spotify. Lançado no fim de 2017, o clipe já acumula mais de 90 milhões de visualizações só no YouTube. No Vale do Caí, o gosto pelo hit também pegou e pode ser observado por um vídeo que chamou a atenção no Facebook. Isso porque a encenação clássica foi feita por várias pessoas diretamente envolvidas com o tradicionalismo gaúcho.

 

Manoela foi quem incentivou o grupo de CTG no qual dança a encenar e a gravar o vídeo. foto: Arquivo pessoal

A montenegrina Manoela Petry, de 24 anos, foi quem sugeriu a ideia: 15 dançarinos, que integram o CTG Pelego Branco, de Taquari, gravaram um vídeo com a encenação. “Entramos na onda. Não queremos de forma alguma desrespeitar nossa cultura e tradição, queremos mostrar que mesmo de pilcha, mesmo cultivando tradições antigas, somos jovens. Estamos ligados nas redes sociais e no que acontece ao nosso redor”, comenta. E é claro que essa atitude acaba também divulgando o nome do grupo pelas redes.

Quando o vídeo foi gravado, eles estavam em um rodeio, em Veranópolis. Manoela conta que havia um campo, com um ótimo espaço no local e isso foi determinante para a iniciativa. “A música já estava fazendo sucesso e os vídeos também. Queremos mostrar que mesmo de pilcha, somos jovens, vivemos a modernidade, a tecnologia, a união de culturas e a mistura”, reforça.

Manoela diz que todos os integrantes do grupo estão de olho no que se passa nas redes sociais e que aquele era um momento de alegria e diversão, que o grupo aproveitou para se divertir e registrar. “Mas, claro, defendemos e lutamos para que, dentro das entidades, em momentos dedicados ao cultivo da nossa cultura e tradição maior, sejam preservados os costumes dos nossos antepassados, para não se perder o que é realmente nosso”, explica.

Mais união, menos preconceito

Gabriel diz que a gravação do vídeo não interfere na cultura das danças. foto: Arquivo pessoal

No início, o objetivo era apenas se divertir com algo que todo mundo está fazendo. Gabriel Azeredo de Mello, de 20, também participou do vídeo e conta que a situação foi muito engraçada. “A gente comentou em fazer e todo mundo topou, o que, para mim, foi até uma surpresa. Mas foi muito legal, a gente passa por muitos momentos tensos, com ensaios, rodeios e tudo mais, e o vídeo foi um momento de descontração, onde a gente deu muita risada”, descreve. Ele observa ainda que os memes e as brincadeiras relacionados à música se espalharam rapidamente na internet.

O jovem reconhece que, depois da brincadeira, surgiram algumas críticas, por ser um grupo tradicionalista gravando, mas afirma que o importante é entender e respeitar todos os gêneros. “E, querendo ou não, somos todos jovens, que além de se dedicar ao tradicionalismo, também temos horas de lazer fora do meio tradicionalista, em que ouvimos e gostamos de outros tipos musicais”, declara. Gabriel acredita que as pessoas têm necessidade de se sentirem atualizadas e de mostrar que estão acompanhando os acontecimentos. E, por vezes, quererem mostrar a sua versão das coisas, de maneira diferenciada.

Lisiane defende o respeito aos gêneros musicais e diz que gostou muito de participar do víde. foto: Arquivo pessoal

Quem também participou do vídeo e defende o respeito a todos os gêneros e culturas é Lisiane Silva Dias, de 19. “Eu gostei de participar. Até porque foi uma brincadeira, que foi muito engraçada de fazer. Acho que tem muito preconceito no nosso meio com músicas que não são tradicionais e o vídeo serve para isso”, diz. Para ela, mostrar que dois gêneros completamente diferentes podem caminhar juntos é essencial para valorizar o que é produzido no Brasil.

Polêmica
A Prefeitura de Joaquim Gomes, uma cidade de Alagoas, proibiu que a música “Que tiro foi esse” seja reproduzida durante as festas de Carnaval do município. A medida foi tomada por questões de segurança, após uma solicitação da Polícia Militar em uma reunião realizada entre representantes da Prefeitura, dos blocos de rua e de integrantes da PM. A alegação é de que a música traz um som de disparo de arma de fogo, sendo que o porte é proibido pelo Estatuto do Desarmamento. Também foi argumentado que o hit incentiva a violência contra a mulher. Caso se identifique o descumprimento da proibição, o responsável pagará uma multa de R$ 2 mil.

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