Nesta casa, o local das cartas só recebe as contas de água e luz, que não dependem dos Correios

Moradores precisam se deslocar até o Centro para buscar suas contas. Situação também dificulta compras on-line

Daniel Rodrigues lamenta a falta de atendimento em seu bairro e afirma que os transtornos são muitos

O pedreiro Daniel Rodrigues mora no bairro Estação com a família há sete anos. Nunca recebeu carta ou encomenda em casa. Em sua rua e em tantas outras do bairro, o serviço dos Correios não chega. “Sempre tivemos esse problema. Tem fatura que vence e a gente pode até ficar por caloteiro”, conta. “Às vezes é alguma coisa importante e a gente nem sabe que está lá”.

Frequentemente, Daniel e a esposa precisam se deslocar até o Centro para verificar se alguma correspondência ou pacote em seus nomes está lá para retirada. Encomendar pela internet, sem chance, pois o transtorno não compensa. Nas lojas locais, a família precisa contar com a compreensão dos comerciantes, para que aceitem que as faturas mensais das compras feitas a prazo sejam buscadas presencialmente.

“Correios nós não temos”, afirma o aposentado Jorge Ubirajara de Oliveira. Sua família, seguidamente, precisa correr atrás de faturas e demais contas para manter os pagamentos em dia. Já acabaram pagando algumas em atraso. “O serviço faz muita falta.” Ali, somente as contas de luz e água, entregues pelas próprias empresas distribuidoras, que chegam. Do mais, só contratando transportadoras particulares.

A Assessoria de Comunicação dos Correios coloca a culpa nos cães de rua. Segundo a empresa, dois carteiros precisaram se afastar de suas atividades, no ano passado, após terem sido atacados por animais soltos em um trecho atendido no bairro Estação. Para o morador Daniel, que por sete anos, nunca viu um carteiro em sua rua, a desculpa não convence. “Cachorro de rua tem em todo lugar em Montenegro”, avalia.

Para alguns vizinhos, a falta do serviço é explicada pela fama de o bairro ser violento e perigoso. Os Correios não confirmam esta hipótese, mas ressaltam que, para a entrega domiciliária acontecer, é preciso que sejam atendidos os critérios da Portaria número 6.206, de 2015, que inclui a exigência de condições de acesso e segurança ao empregado postal nas vias em que ele deve percorrer.

Sobre os cachorros, a estatal sugere que os moradores informem os órgãos responsáveis sobre o recolhimento dos animais. O município, no entanto, ainda não possui este serviço.

O que fazer sem o serviço?
Sem o atendimento dos Correios, algumas alternativas precisam ser buscadas. Veja algumas opções:

– Solicitar outra forma de recebimento das contas – As empresas são obrigadas a oferecer outra forma de pagamento, como o envio de segunda via do boleto na sede ou por e-mail; ou dados para a quitação via depósito bancário. Estas solicitações devem ser feitas antes do vencimento. Outra opção é o débito automático;
– Retirar o produto na loja – Muitos sites de venda pela internet permitem a retirada na loja física mais próxima ou na fábrica;

– Utilizar transportadora privada ou envio pelo ônibus – As transportadoras privadas, normalmente, são mais caras que os Correios, mas podem garantir o transporte mais rápido. Os ônibus também são opção. Todos os terminais rodoviários possuem um setor de encomendas que pode ser procurado.

Reclamações com o serviço se estendem pelo país

O município tem 25 carteiros trabalhando atualmente. Atrasos nas entregas são comuns

O portal Reclame Aqui é um conhecido site que junta queixas de brasileiros em relação a empresas e serviços. Em seu ranking, só com base nos últimos 30 dias, a empresa dos Correios é considerada a pior do país. Já acumula 8.657 reclamações, principalmente pelo atraso de entrega das correspondências. Nenhuma das queixas foi respondida.

Em Montenegro não é diferente. As redes sociais estão cheias de postagens, com cidadãos reclamando dos serviços. Um destes reclamantes é o encarregado de materiais Erno Oliveira. Morador do bairro Centenário, ele vem observando que, de um ano pra cá, as entregas não estão sendo feitas há tempo. “Nem se vê mais carteiros na rua. Eu tenho que ir lá nos Correios buscar minhas coisas”, conta.

Erno relata que só não acaba atrasando suas faturas em aberto porque mantém um controle rígido em casa de todos os seus vencimentos. “Quem não correr atrás, acaba pagando juros. A emissora das contas não está nem aí. Não tem como dar a desculpa dos Correios”, coloca. Por muitas vezes, após a emissão de uma segunda via e dias depois do vencimento, os carteiros chegam para fazer a entrega. Daí, já é tarde.

Via Assessoria de Comunicação, a estatal admitiu que houve um aumento significativo do número de correspondências e encomendas a serem entregues, principalmente no início do ano. Com 25 carteiros trabalhando no Centro de Distribuição Domiciliária dos Correios em Montenegro, a empresa abriu a possibilidade de mutirões nos finais de semana e apoio de empregados de outras unidades. Espera colocar, assim, tudo em dia.

“Os Correios esclarecem, ainda, que episódios pontuais de atraso na entrega de correspondências podem acontecer por diversos motivos e, para que a empresa consiga verificar cada caso, é importante que a população utilize os canais oficiais para registrar as reclamações e resolver possíveis dúvidas.

A empresa disponibiliza o “Fale com os Correios”, no site www.correios.com.br, e a Central de Atendimento aos Clientes dos Correios (CAC), pelo telefone 0800 725 0100 (de segunda à sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h)”, informou, em nota.

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