Inclusão e oportunidade, essas são as duas palavras que resumem a abertura da 2ª Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que ocorreu na manhã dessa terça-feira, 21, na Câmara de Vereadores de Montenegro. O evento teve a participação dos representantes da Apae da cidade, familiares e alunos da instituição, representantes do Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Montenegro (COMDPED), autoridades locais e a comunidade montenegrina.

Vice-presidente da Apae Montenegro, Henri de Quadros disse, em seu discurso, que a deficiência intelectual é vista com muito preconceito pela sociedade, e um dos objetivos da instituição é combater essa visão por meio da inclusão. “Estas pessoas podem e querem ter a vida com mais autonomia, contribuindo com trabalho na comunidade. Aqui fica o nosso apelo para que as oportunidades sejam dadas”, afirma.

Naia Sehn, diretora da Apae, destacou a importância do encontro, que possibilita troca de informações entre a instituição e a comunidade. “A nossa estrutura é muito grande e demanda custos que são aportados pelo município, pelo estado, pelo governo federal e parcerias com municípios vizinhos”, diz. Naia destacou a importância dos cidadãos estarem cadastrados no programa estadual Nota Fiscal Gaúcha, pois é possível direcionar recursos ao pedir o CPF na nota.

A partir dos recursos recebidos pelo programa, a Apae consegue custear demandas urgentes que surgem no dia a dia. “Nós temos dois projetos em andamento com os alunos, ‘Sons da Inclusão’ e ‘Cultura Inclusiva’, desenvolvidos por meio de repasses feitos pelos ministérios da Cultura e do Esporte”, revela.

Além disso, com incentivos fiscais por meio do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o projeto “Inclusão Produtiva” oferece uma horta e oficinas de culinária. Com isso, os jovens são incentivados a empreender. “Pretendemos fazer uma feira para que eles possam ofertar à comunidade a produção da horta”, diz Naia.
Os alunos da Apae ainda promoveram apresentações culturais ao público. O coral e a Banda Marcial da escola ficaram responsáveis por mostrar os trabalhos musicais feitos dentro da instituição. Com canções que retratavam a inclusão, os jovens animaram a Câmara de Vereadores. Outros dois estudantes mostraram o desempenho na dança.

Acessibilidade é um dos maiores desafios
Presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência de Montenegro (COMDPED), Valdair da Rosa Silva diz que objetivo do conselho é unir pessoas que possuem algum tipo de deficiência e que trabalha para atender esta área. “É um espaço onde recebemos as demandas e dificuldades dos cidadãos aqui na cidade. Articulamos estas questões com o Poder Público”, afirma.

Para Valdair, hoje os deficientes encontram diversos problemas de acesso por Montenegro. “Vai desde a mobilidade no transporte público até a educação, saúde, mas principalmente na infraestrutura das calçadas”, alerta. O presidente afirma que o conselho mantém contato direto com o departamento de Trânsito e a secretaria de Obras do município, a fim de alertar sobre os obstáculos encontrados.

“A pessoa com deficiência precisa ter a possibilidade de acessar os prédios e órgãos públicos e condições de transitar pela cidade”, aponta. Valdair afirma que o conselho muitas vezes não é contatado para algumas decisões e reuniões que envolvem a infraestrutura da cidade.

Diretora da Apae, Naia Sehn também concorda que falta acessibilidade, mas além disso o respeito não é presente na sociedade. “Eu acho que a inclusão social e o resgate da cidadania precisam ser vistos como uma forma de oportunizar uma vida normal aos deficientes intelectuais”, ressalta.

Na Praça Rui Barbosa, caminhada e varal
Durante a tarde de ontem, 21, o COMDPED também promoveu a caminhada pela acessibilidade “Sentindo na Pele”. A intenção do ato foi reunir pessoas deficientes ou não para percorrer um trecho da Praça Rui Barbosa e perceber as dificuldades de locomoção.
Vendas e cadeiras de rodas foram utilizadas para auxiliar na experiência. Aluna da Apae, Vanessa Dias, 20 anos, participou da atividade e simulou ser cadeirante. Não demorou muito tempo para a cadeira de rodas travar nas pedras irregulares que compõem os caminhos interiores da Praça Rui Barbosa. Mesmo com os professores ajudando o passeio não foi fácil.

Jéssica Fernanda de Oliveira, 24 anos, também fez a experiência durante a caminhada. Não possuindo qualquer deficiência, a montenegrina colocou uma venda e foi guiada durante o percurso. “Tive muita insegurança porque o chão tem vários desníveis e aí vem a dificuldade de caminhar”, revela. Jéssica diz que é preciso ter muita confiança em que está guiando.

Após a caminhada o grupo se reuniu para discutir como foi o passeio e o que ainda falta para melhorar a acessibilidade em Montenegro. Um varal de paineis artísticos criados pelas escolas do município também foi exposto no local. Conforme a conselheira do COMDPED, Cristiane Sastre, o “Varal da Inclusão” tem por objetivo promover a discussão da acessibilidade dentro das instituições de educação. “Precisamos quebrar o preconceito e a falta de informação. Para isso é fundamental trazer o assunto para a comunidade e para dentro das escolas”, destaca.

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