Governo diz que aumento das tarifas permitirá uma série de melhorias nas rodovias 240 e 122, inclusive a rotatória

Infraestrutura. Estatal diz que obra está no pacote de investimentos até 2023

O pacote de investimentos anunciado pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) na última semana, no valor de R$ 1,1 bilhão, prevê a revitalização do trevo do Posto Shell, onde fica a interseção da ERS-240, RSC-287, BR-470 e rua Buarque de Macedo. Entretanto, a estatal não estipula um prazo para colocar o projeto no papel, muito menos para executá-lo.

Contatada pelo Jornal Ibiá, a empresa informou apenas que a obra será realizada até 2023, ou seja, seis anos — prazo em que o governo estadual se comprometeu a colocar em prática todas as melhorias previstas no pacote.

A instalação de uma rótula definitiva é demanda que se arrasta desde 2006, ano em que o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), então responsável pela rodovia 240, colocou malas de concreto no local com o objetivo de improvisar uma solução para os constantes acidentes fatais no trecho. Desde então foram executadas algumas melhorias no pavimento e na sinalização, mas sempre em caráter provisório. À noite, por exemplo, a visibilidade é baixa porque não existe um sistema de iluminação eficiente, o que aumenta os riscos de acidentes.

Há poucos dias, a EGR melhorou a sinalização no trevo. Em todas as direções de tráfego foram colocadas placas novas que informam o rumo que os motoristas devem tomar para seguir às suas cidades de destino.

Segundo o diretor técnico da EGR, Milton Cypel, essa intervenção está prevista no contrato firmado com a empresa Sinarodo, que abarca também serviços de manutenção, conservação e implantação de sinalização vertical, horizontal e dispositivos de segurança nas áreas de abrangência do pedágio de Portão, Viamão e Boa Vista do Sul.

Empresário desenvolve projeto que prevê 3 pistas no local
Quarenta e quatro anos de trabalho em frente ao trevo do Posto Shell deram a João Fernandes de Souza, o “Joãozinho da Comauto”, a legitimidade de falar sobre o local como poucos montenegrinos. O empresário do setor automotivo lembra que desde a colocação das malas de concreto, em 2006, nunca mais ocorreram acidentes com vítimas fatais, algo antes corriqueiro. Contudo, ele concorda que se trata de uma situação improvisada e que é preciso reconstruir a rotatória. “Ali fica uma das principais entradas de Montenegro, mas é feia se considerarmos que várias cidades próximas têm acessos bem organizados e conservados”, compara. Acidentes até acontecem ali, mas são leves. Já as barbeiragens são corriqueiras, como parar em plena rodovia para dar preferência a quem circunda a rotatória.

João vai além ao avaliar a interseção das rodovias 240, 287 e 470 mais a rua Buarque de Macedo, porque em horários de pico o trânsito forma um gargalo no local. Preocupado com a situação, ele se deu ao trabalho de projetar como seria a saída ideal. “O melhor seria termos seis pistas. Assim, quem viria pela 240 para entrar na 470 teria a pista da direita; se quisesse seguir em frente, teria a do meio; e se quisesse entrar em Montenegro, teria a da esquerda. Mesma lógica serviria nos outros pontos do trevo. Não custaria muito essa obra”, detalha.

O diretor da Volkswagen Comauto chegou a apresentar o anteprojeto no ano passado em reuniões com técnicos da Prefeitura de Montenegro e do governo estadual. O seu estudo também prevê uma elevada para o cruzamento da RSC-287 com a Ramiro Barcelos. “Acredito que um viaduto aqui na rotatória não seria bom porque mataria 14 empresas. Imagine o impacto do fechamento delas na economia de Montenegro. Mas um viaduto perto do Posto Ipiranga seria bom, porque não atingiria nenhuma empresa e resolveria o problema da insegurança na travessia da faixa. Ninguém mais quer morar no lado de cima [da 287] por causa disso.”

Ele conta que seu projeto traz até um levantamento de custos, pois teve a ajuda de um amigo engenheiro que atua em órgão público federal da área da infraestrutura. “Depois que falei em custos, não fui mais convidado para as reuniões. Imagino porque os valores a que cheguei são bem inferiores aos calculados por eles”, revela.

Questionado se acredita que os planos da EGR para a rodovia sairão do papel, ele é enfático: “Talvez daqui a uns 10 anos”.

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