COM PREÇOS bem menores do que os praticados pela indústria no ano passado, a colheita da bergamotinha verde está deixando de ser rentável para os citricultores. Muitos optam por simplesmente colocá-las no chão

O valor da caixa de bergamota verde caiu de 40% a 50% neste ano, levando muitos citricultores a deixá-la no chão

“Estamos colocando no chão porque não tá valendo a pena vender”. A afirmação é da produtora de citros Jaqueline Müller, lamentando a perda das frutas retiradas durante o raleio, que garantia uma renda à família enquanto a fruta ainda não está madura. Ela, no entanto, observa que a queda no preço da caixa da bergamota verde, vendida a agroindústrias para produção de óleos essenciais, chega a cerca de 50% em relação ao ano passado.

Moradora de Pareci Novo, Jaqueline trabalha na produção de bergamota junto com o marido, Alessandro Müller. Ela observa que o valor nunca esteve tão baixo como neste ano. “Os caminhoneiros estão querendo pagar R$ 3,75 a caixa de 28 quilos”, afirma. Além da queda no preço, a previsão é que as vendas ocorram somente a partir desta semana. A produtora observa que a venda direta à indústria garantiria preço um pouco melhor, mas aí teria que pagar o transporte.

Jaqueline acrescenta que desde o término da safra de bergamota madura, em setembro do ano passado, a família está sem uma renda mensal. A venda do produto verde no raleio garantiria recursos para esse período. “Além de nós sermos prejudicados, vários trabalhadores que colhiam a bergamotinha verde vão ficar sem serviço”, observa Alessandro.

O presidente da Associação Montenegrina de Fruticultores, Fabiano Ost, observa que a situação é complicada, pois a venda da fruta no raleio garantiria uma renda aos produtores. Ele afirma que cerca de 30% da produção é retirada durante o raleio, processo natural para evitar a sobrecarga nos pés e garantir qualidade na fruta madura. “O pessoal aqui na região tem colocado o raleio no chão”, observa o presidente da entidade, que tem 25 famílias montenegrinas associadas.

Processo necessário ao desenvolvimento da fruta
O técnico em agropecuária e extensionista rural da Emater, Valmir Michels, tem percebido a insatisfação dos citricultores. Ele confirma que a queda no preço da bergamota de raleio tem sido contínua nos últimos anos. “As indústrias (de óleos) alegam questões de mercado, baixa demanda, que estão com quase toda a produção do ano passado estocada”, observa.

O técnico salienta a importância do raleio para garantir melhor qualidade das frutas que ficam. Esse processo de retirada das bergamotas verdes evita que o pé fique sobrecarregado, o que comprometeria o desenvolvimento, pois os nutrientes não seriam suficientes.

Mercado está retraído este ano
O responsável pelo setor de compras de matéria-prima e logística na Bio Citrus, Paulo Roque Kunrath, confirma as dificuldades do mercado, com a baixa demanda por óleos essenciais, e afirma que a empresa ainda tem estoques do ano passado. A redução no preço pago pela bergamota do raleio é consequência disso.

A indústria deve começar a comprar na próxima semana, pagando R$ 5,26 pela caixa entregue na empresa, ou R$ 4,00 no pomar, pois neste caso há custo com o transporte. No ano passado, no início da safra de raleio, os valores eram de R$ 8,15 e de R$ 7,00, respectivamente. A diferença representa uma queda em torno de 40%.

O óleo essencial extraído da casca de bergamota serve de matéria-prima às indústrias nos segmentos de perfumaria, cosmética, farmacêutica, bebida e limpeza. Kunrath, no entanto, reafirma que o mercado está retraído, reflexo da crise econômica que afeta o consumo e, naturalmente, impacta na produção das indústrias. Ele, no entanto, diz que é cedo para prever se o preço permanecerá nessa faixa durante todo o período de raleio. “Tudo depende do mercado”, resume.

1 comentário

  1. Eles não querem pagar mais ,espero que ninguém vende, porque os sócios da ecocitrus recebem 16 reais a caixa com certeza a ecocitrus não trabalha sem lucro.

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