A empresa Betonart, de São Vendelino, foi uma das participantes da última etapa do projeto de extensão realizado pela Unisc. foto: Unisc/Divulgação

Desenvolvimento. Núcleo de Extensão Produtiva e Inovação da Unisc oferece consultoria especializada e gratuita

Coordenador Tiago Farias Dias

O coordenador do Projeto Extensão Produtiva e Inovação (Pepi) do Vale do Caí, professor Tiago Farias Dias, anuncia que ainda restam algumas vagas para indústrias interessadas em consultoria gratuita para promover o desenvolvimento regional. Dirigida a empresas de pequeno e médio porte, a iniciativa — agora no segundo ciclo da quarta edição — ajuda o empreendedor a desenvolver-se em três áreas principais: planejamento estratégico, inovação e redução de perdas. “São, ao todo, 80 atendimentos ao longo desta segunda etapa, e ainda temos três ou quatro vagas em aberto”, salienta.

Faturar pelo menos R$ 30 mil por mês, gerar ao menos cinco empregos diretos e possuir a sede na região são os requisitos do Pepi Vale do Caí, que tem previsão de encerramento em setembro. Em função das eleições deste ano, não há nenhuma previsão de que as ações terão seguimento. No primeiro ciclo desta quarta edição, o programa estadual contemplou 46 empresas, que receberam 85 atendimentos ao longo de 786 visitas técnicas.

O Pepi foi retomado na segunda quinzena de novembro de 2017, mas desde agosto os consultores da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) — entidade que se conveniou ao governo estadual para executar essa política no Vale do Caí e no Vale do Rio Pardo — estão em campo a fim de prospectar pequenas indústrias da região. “Iremos até setembro com as atividades, que totalizam 11 meses. De várias empresas já temos o diagnóstico, a partir do qual se elabora um plano de ação”, explica Tiago, docente da instituição de ensino superior.

Em relação ao último ciclo, que encerrou em julho de 2017, os humores do mercado agora estão melhores. O coordenador percebe que se resgatou a confiança por parte de quem investe e gera emprego. “Noto que, na comparação com o ano passado, as pessoas estão acreditando mais no País”, avalia.

Pelo cronograma inicial, a quarta Pepi seria reiniciada em 15 de agosto, mas a data acabou adiada devido ao atraso no repasse do Estado à Unisc.

Desde novembro, o trabalho de campo é tocado por quatro consultores da universidade. O foco deles é ajudar os empreendedores a melhorar a produtividade e, consequentemente, a competitividade das indústrias. Durante as visitas às empresas, os consultores discutem inovação, estratégias de venda, finanças, recrutamento de pessoal, qualidade, formação de preço e redução de perdas.

A Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (SDECT), órgão do governo do Rio Grande do Sul, afirma que o programa “fomenta o desenvolvimento regional por meio de capacitações e melhorias na eficiência e eficácia produtiva das empresas”. Ele orienta as empresas para o planejamento e presta apoio para formulação de projetos de expansão e modernização.

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– O Pepi foi uma política estadual de fomento ao setor empresarial gaúcho criada pelo governo Tarso Genro, sendo lançado em fevereiro de 2013. O governo José Ivo Sartori deu continuidade à iniciativa. Como neste ano haverá eleições, não se sabe se em 2019 a iniciativa terá continuidade. “Seria importante que este tipo de política pública fosse mantido”, pondera o coordenador do Pepi do Vale do Caí.

Principais áreas de atuação do programa
O Pepi atua em três eixos principais. No da inovação, os consultores ajudam a empresa a desenvolver produtos ou processos inovadores, incorporar novas tecnologias, ampliar os esforços e investimentos em pesquisa e desenvolvimento e buscar novos mercados.

Já no tópico “redução de perdas”, a equipe da Unisc alerta que, quanto maior e mais complexo for o processo produtivo, maiores serão as perdas e menos eficiente o processo. “A eliminação de perdas objetiva a redução dos custos operacionais, além da melhora contínua de qualidade, aumento da produtividade, da competitividade e do lucro”, diz a cartilha do programa.

Quanto a “planejamento estratégico”, esta ferramenta é muito usada para definir estratégias de negócio. “Todas as empresas estão sujeitas a ameaças vindas de seu ambiente interno ou externo. Com a forte concorrência e rápidas mudanças no mercado, ter um planejamento estratégico é fundamental para subsidiar decisões mercadológicas nos momentos críticos”, defende a Unisc.

Política de Estado é aprovada
Localizada em São Vendelino, a fábrica de artefatos de cimento Betonart entrou no Pepi em agosto de 2016 e, 11 meses depois, apresentou uma série de avanços que conduziram a melhores resultados finais. O diretor comercial, Dirceu Flach, disse que até mesmo novos investimentos foram feitos depois das visitas dos extensionistas da Unisc. “Eles foram a minha salvação, até mesmo para entender melhor a empresa e promover os ajustes certos.”

Outra empresa contemplada, a Odin Vassouras, de São Sebastião do Caí, também viu apenas ganhos em fazer parte do programa. Alexandre Oderich, diretor, declarou que as visitas técnicas fizeram a indústria mudar o jeito de projetar, produzir, divulgar e comercializar os produtos. “A gente fica bitolado pela rotina diária e não presta a devida atenção às necessidades dos clientes”, salientou.

O programa em números*
– Onze meses de trabalho
– 786 visitas realizadas ao decorrer da quarta edição
– 245 oportunidades de melhorias implementadas;
– Quatro cursos realizados
– 78% das empresas participaram de ações de qualificação proporcionadas pela Unisc

* Observação: os dados acima se referem à mais recente edição do projeto, que encerrou em julho de 2017

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