Só na Semana Santa do ano passado, 17.750 quilos de peixe foram vendidos pelos piscicultores de Montenegro. Meta é ampliar números. foto: Marciel Borges/Colmeia

Dados da secretaria de Desenvolvimento Rural evidenciam importância da atividade e seu potencial para crescer

No ano passado, 59 toneladas de peixe vivo foram comercializadas pelos piscicultores montenegrinos. O dado demonstra o crescimento da prática na região que, com incentivos do município, tem se firmado como um meio de renda vantajoso para muitos produtores. Só em 2017, R$ 230 mil foram movimentados pela atividade em Montenegro. A expectativa é crescer mais.

Foi no dia 26 de dezembro de 2017 que, após uma “luta” de mais de dez anos, conseguiu-se formar uma associação de piscicultores no município, a Amop. Com ela, os produtores unidos planejam conseguir uma melhor organização para busca de incentivos e o comércio do produto. Mesmo já existindo extraoficialmente, a união oficial com CNPJ registrado chega para desenvolver ainda mais a prática.

Teófilo José Azeredo começou na piscicultura como um hobby

Teófilo José Azeredo é um dos 35 associados. Na localidade de Passo da Serra, onde mora, a propriedade de sete hectares e meio possui doze tanques para a criação de peixes. A produção, considerada de médio porte, oferece carpa-capim, carpa-húngara, carpa-prateada, cabeça-grande, tilápia e traíra. A piscicultura representa uma renda extra para a família.

O produtor é policial militar. Ele conta que mudou-se para a chácara há cerca de cinco anos e resolveu investir na atividade como um hobby. Desenvolvendo conhecimento e gosto pela piscicultura, concluiu que era a hora de ter algum retorno financeiro com a prática. E assim tudo começou. “É uma rotina tranquila. Meu pai e meus filhos me ajudam. Tu gasta cerca de uma hora por dia com a alimentação. O que dá mais trabalho mesmo é só a época da tirada”, coloca.

Teófilo relata que foi necessário todo um processo e uma série de autorizações dos órgãos públicos para o início das atividades. Isso para acompanhar a mudança do solo na abertura dos tanques, a qualidade da água e a procedência dos peixes para a venda. Cada tanque mede, por padrão, cerca de 20 x 50 metros. Antes de receberem a água, eles são preparados com a colocação de calcário para firmar o solo e com cal virgem, que funciona como um tipo de desinfetante. De 150 e 200 peixes são criados em cada.

Produto local de qualidade

Na propriedade dos Azeredo, os filhos Isadora e Theo também auxiliam na produção

Desde o segundo semestre do ano passado, os piscicultores locais – com apoio da secretaria municipal de Desenvolvimento Rural (SMDR) – conseguiram concretizar mensalmente as “Feiras do Peixe Vivo”. A iniciativa já havia sido buscada em outras ocasiões, mas acabava não indo para frente pois, em alguns meses, não havia oferta de peixes para o comércio. Conforme avalia o piscicultor Teófilo Azeredo, foi preciso uma mudança de mentalidade.

“Os piscicultores, antes, não tinham uma cultura de produzir o peixe o ano todo. Focavam só na Semana Santa. Daí, de um ano pra cá, começou essa mentalidade”, coloca. Ele ressalta que a procura do peixe, pelo consumidor, também tem aumentado, principalmente por ser uma alternativa mais saudável à carne vermelha. “Aqui a gente está tratando o peixe só com pasto verde e com ração à base de proteína, sem hormônios.”

A preocupação com a qualidade é total. “É também um peixe fresquinho, que eu tiro hoje para vender amanhã. Não é como tu comprar um filé congelado e industrializado, que tu vai comer mais de uma espécie e vai ter tudo o mesmo gosto”, completa Teófilo. Ele aponta que os montenegrinos, aos poucos, estão percebendo este maior cuidado e dando mais valor ao produto. “Antes faltava que o pessoal soubesse da qualidade do peixe.”

Sonho da agroindústria
Os membros da Amop se reúnem mensalmente, com participação de representantes da secretaria e da Emater, instituição que também oferece importante apoio aos produtores. Teófilo conta que um dos principais pontos discutidos nestes encontros é o futuro projeto de uma agroindústria que possibilitará a venda de um peixe já limpo e até cortado em filés.

Com a iniciativa, os associados querem buscar aquele consumidor – inclusive restaurantes – que não tem conhecimento, local ou disponibilidade para limpar o animal, gerando ainda mais desenvolvimento econômico para o ramo. Para tanto, é necessário um espaço físico e a adequação às regras deste tipo de empreendimento. É um sonho para o futuro.

Incentivos que fazem a diferença
Pela “Lei do Incentivo”, a Prefeitura disponibilizou aos piscicultores, só no ano passado, cerca de 230 horas/máquina de atendimento na abertura dos tanques. É ela, ainda, que oferece um veterinário para acompanhar e oferecer o laudo para a venda. Também proporciona as “Feiras do Peixe-Vivo”, fazendo, inclusive, o transporte da água.

As feiras ocorrem no segundo sábado de cada mês, na praça do bairro Timbaúva. Há tratativas para que elas passem, no futuro, por outros bairros. Para os produtores, também, a Secretaria de Desenvolvimento Rural intermedeia a compra dos alevinos, conseguindo, pela maior quantidade, um preço de compra mais em conta. Em 2017, 15.057 unidades foram adquiridas.

Financiada pelo Município, a União e, em maior parte, pelo Estado, a Emater é outra importante aliada da piscicultura local. A entidade oferece todo o auxílio técnico, oferece apoio no acesso às políticas públicas de incentivo e, em seu Centro de Treinamento, dá capacitação para os produtores.

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