Uma combinação incomum de fenômenos naturais causou ressacas avassaladoras em diversos pontos de Santa Catarina, assustando moradores e turistas. Praias que antes tinham largas faixas de areia, como o Matadeiro, em Florianópolis, o Ervino, em São Francisco do Sul, ou o Balneário Cambiju, em Itapoá, foram tomadas pelo mar e, hoje, têm poucos metros de terra firme.

De acordo com a editora Expressão e o Diário Catarinense, a soma de eventos meteorológicos persistentes com a ocupação desordenada de áreas próximas às praias fazem parte dessa equação que resultou na erosão no litoral. “Geralmente, isso ocorre em praias bem urbanizadas, que tiveram crescimento desordenado sem respeito à restinga, que seria uma área de amortecimento natural. É normal este processo erosivo nas dunas e restingas, o problema é quando tem ocupação urbana nessas áreas”, afirma o gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, Fred Rudorff.

Praia dos Ingleses, Florianópolis
Esta foi uma das mais afetadas. Se dois anos atrás havia uma faixa de areia de quase 30 metros de largura, hoje são menos de 10 metros. Os moradores mais antigos garantem que isso acontece de tempos em tempos, mas que dessa vez o impacto foi maior por causa das construções.

São Francisco do Sul
Em São Francisco do Sul, o avanço do mar causou estragos não só nas praias mais urbanizadas, como também naquelas mais inóspitas. Se em Itaguçu, Ubatuba, Enseada e Prainha a erosão marítima afetou vias públicas, calçadões e a rede de iluminação, na Praia Grande e no Ervino, o mar engoliu parte da Avenida das Dunas, que chegou a ser interditada pela Defesa Civil municipal na altura do Parque Estadual Acaraí.

Isso se explica por causa da sobreposição da maré meteorológica à maré astronômica, aliada às fortes ondulações de Leste na costa catarinense, mas há quem diga que é um sinal das mudanças climáticas que começam a dar as caras em todo o planeta como reflexo do aquecimento global.

O mar está subindo?
O físico oceanógrafo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Felipe Pimenta, desconsidera a hipótese de que o nível do mar está se elevando. “Se o nível do mar estivesse subindo, nós teríamos problemas em todas as praias. E não temos. O efeito é localizado, associado à orientação das praias e à maneira que elas interagem com ondulações e ventos atípicos”.

É essa a esperança de quem vive na faixa litorânea, especialmente nos municípios de Itapoá, Barra do Sul, Barra Velha, São Francisco do Sul, Navegantes e Florianópolis, onde diversas praias foram atingidas pelo avanço do mar neste ano. Às vésperas de mais uma temporada de verão, oportunidade para muitos moradores aumentarem sua renda com o comércio, a expectativa é de que o mar recue para não prejudicar a movimentação de turistas.

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