Animação e alegria dos casais é a grande marca do baile

Comuns na região, bailes da terceira idade animam a vida de centenas de idosos todos os finais de semana

Farinha na pista, dezenas de casais dançando e outras dezenas de pessoas conversando ao redor do tablado, nas mesas ou junto à copa. No palco, uma banda anima a festa com as mais clássicas dos bailes e os músicos vão mandando abraços para o público que veio de diferentes cidades para prestigiar o evento. Não fosse o horário, 13h, e a idade dos seus participantes, o baile da terceira idade promovido pelo grupo Mãos Dadas na última sexta-feira, dia 21, poderia ser confundido com um desses eventos que acontecem pelos salões da região nas noites de sábado.

Essa é uma pequena descrição do clima que toma conta dos diversos bailes da terceira idade que acontecem pelo interior. Em Brochier, reuniram-se na sexta-feira 42 grupos vindos de cidades do Vale do Caí, Vale do Taquari e da Serra. A festa tinha um motivo especial: a comemoração dos 20 anos do grupo Mãos Dadas.

E quem não podia perder essa festança era Osmar Joaquim da Silva, um dos fundadores do grupo. Aos 80 anos, ele diz que sempre gostou dos bailes.

“Mas mais das mulheres”, complementou rapidamente. Bebendo uma cerveja com os amigos – o que, segundo ele, não pode faltar –, ele lembra que já chegou a ir a cinco bailes num intervalo de sete dias. “Fui no sábado, no domingo, na terça-feira e depois de novo no sábado e domingo”, contou.

Orgulhoso por fazer parte do grupo organizador da festa de sexta-feira, Osmar destacou que a amizade é o principal motivo que o mantém participando dos bailes da terceira idade. “Onde eu chego, estou em casa. Tenho muitas amizades”, garantiu.

Se alguns, como Osmar, preferem conversar com amigos, outros não perdem tempo e vão para a pista de dança. Enquanto os casais de longa data aproveitam mais um dia para dançarem juntos, outros novos vão se formando e lotando a pista. No fim, nem mesmo os ventiladores ligados são capazes de aplacar o calor e o suor dos dançarinos.

Há ainda aqueles que preferem aproveitar o momento para se juntar numa mesa com os companheiros e jogar um pouco de baralho. Esse é o caso de Celvina Jahn, 62 anos, e suas amigas. Ela, que veio de São Pedro da Serra para o baile, jogava “pife” com outras três pessoas. “Viemos para jogar também. Os bailes são muito legais”, confirmou, já adiantando que no sábado iria para o evento promovido pelo grupo de São Vendelino. Celvina salientou ainda que a principal característica dos bailes da terceira idade é o grande número de amigos que os participantes fazem.

Banda destaca animação dos bailes
Há oito anos na estrada, os integrantes da banda Os Signos, de Teutônia, já perceberam algo: as turmas que participam dos bailes de terceira idade mostram mais animação que os frequentadores de bailões pelo interior. “Eles fazem mais festa que os outros (públicos). Eles vêm para dançar e se divertir e são bem participativos”, analisou Ademir Doeber, que toca instrumentos de sopro. Ademir revelou ainda que o repertório para os bailes da terceira idade também é diferenciado, bem como o volume do som, que é mais baixo. “Nessas festas, o salão está sempre cheio e a pista também”, reforça.

Voni e Renato se conheceram nos bailes e estão juntos há quase 17 anos

Rei e rainha se conheceram no grupo
Voni Bauer, 78 anos, e Renato Erig, 81, são a rainha e o rei do Mãos Dadas. São eles, junto com os reis e rainhas de outros grupos, os responsáveis pela dança que abre o baile, normalmente a Valsa da Terceira Idade. E foi num desses bailes que eles se conheceram, há quase 17 anos. Conforme contou Voni, os dois já dançavam juntos nas festas a que iam, mas o namoro só ficou sério quando eles foram com o Mãos Dadas para a praia.

Depois de “juntar os trapos”, como disse Renato, os dois foram escolhidos rei e rainha do grupo. “É muito bom (ser rei e rainha) e muito importante”, destacou Renato. Os dois fizeram muitos amigos durante os longos anos em que participam dos bailes da terceira idade e que a festa é melhor ainda quando eles são os anfitriões, como na última sexta-feira.

Inclusive, no baile do feriado de Tiradentes, eles tiveram a companhia de Petrolínea Vargas, 77 anos. Ao lado do marido, falecido há dois anos, ela foi a primeira rainha do grupo Mãos Dadas e recebeu o convite para participar da data especial. “Estou muito honrada de ser lembrada”, afirmou. A idosa conta que, depois de ficar viúva, deixou de frequentar os bailes e sente saudades dos amigos. Sexta-feira, ela foi de ônibus para Brochier, já que atualmente mora em Montenegro, especialmente para participar da festa.

Grupos saem todos os finais de semana
Coordenadora do grupo Mãos Dadas, Julita Maria Bergmann, 73 anos, explicou que eles realizam dois bailes por ano. Porém, marcam presença em alguma festa quase todos os finais de semana. “Os bailes são importantes. Eles são uma diversão”, reforçou. De acordo com ela, o Mão Dadas conta com 70 integrantes, sendo que os oito fundadores continuam participando dos bailes. Ela lamentou apenas que, ao longo de 20 anos, 21 membros já faleceram. A coordenadora salientou ainda que os bailes são uma oportunidade de se conhecer novas cidades e fazer amizades.

Já o presidente do grupo, Paulo Edevino Appel, 79 anos, destaca que essas festas são boas para “tirar o estresse dos velhinhos”. “Já pegamos casais que estavam com a cabeça para baixo e hoje nem remédio tomam mais”, garantiu. Ele salientou ainda que o transporte até os bailes é gratuito, com os membros do grupo pagando apenas o ingresso.

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