Aluno-soldado Douglas de Mello

Segurança. Eles atuam na cidade, mas poucos ficam aqui depois de formados

Tenente Kléber Vargas

Da atual turma de 122 alunos da Escola de Formação e Especialização de Soldados (Esfes) de Montenegro, oito estão reforçando o policiamento no município. Os outros foram encaminhados para os Comandos Regionais de Policiamento Ostensivo do Vale do Sinos e da Serra. Eles substituem, temporariamente, os policiais militares cedidos para a Operação Golfinho. Estão nas ruas desde 2 de janeiro e permanecerão até o próximo dia 18, quando retornam à instituição para concluírem a formação.

A turma anterior terminou o curso em 20 de julho do ano passado. Dos 398 policiais formados na instituição, apenas três ficaram na região, em Salvador do Sul, Barão e Bom Retiro. A torcida, agora, é para um contingente maior permanecer no Vale do Caí.

Antes de ingressarem nas Escolas de Formação, os candidatos são, necessariamente, aprovados em concurso para ingresso na corporação. Antes de iniciarem o curso passam, ainda, por exames médicos, físicos e psicológicos. Convocados para preenchimento das vagas disponibilizadas pelo Governo do Estado, seguindo a ordem de classificação, a nomeação ocorre ao se apresentarem. “Diferente de outras instituições, na Brigada Militar, no momento em que iniciam o curso, já são nomeados e passam a fazer parte das fileiras da corporação”, comenta o coordenador do Curso de Formação de Soldados, tenente Kléber Vargas.

Douglas Dias de Mello, 27 anos, vê na Brigada a possibilidade de concretizar o sonho de seguir a carreira militar. Ele prestou concurso para ingressar na instituição em 2012 e 2014, sendo aprovado na segunda tentativa. Foi chamado no ano passado. Agora, comemora a possibilidade de atuar no policiamento. “Estou gostando muito. É uma oportunidade de colocarmos em prática tudo aquilo que aprendemos no curso”, comenta.

Mello trabalhou na Oktoberfest de Igrejinha, onde flagrou diversas pessoas pela posse de entorpecentes. Contudo, ainda não atendeu a uma ocorrência de maior gravidade. Mas garante estar preparado para quando isso acontecer.

O aluno também prestou serviço militar e realizou concurso para a Escola de Sargentos das Armas (ESA), mas acabou não sendo aprovado. Natural de Uruguaiana, a 630 quilômetros de Montenegro, ele vê no Vale do Caí a possibilidade de trilhar uma carreira profissional sólida. Para tanto, precisa conviver com a saudade da esposa Michelle Cardoso, 25. O plano é, tão logo seja lotado definitivamente em um município, unir a família.

Os 60 primeiros integrantes da atual turma iniciaram a formação ainda em julho do ano passado e os outros em agosto. Ao todo, a capacitação conta com 1.600 horas-aulas e dura em média oito meses. São 49 disciplinas entre as presenciais e à distância, sobre temas como uso da arma de fogo, defesa pessoal e relações humanas.

Estágio supervisionado e apoio operacional nas ruas
Após o término do primeiro ciclo da formação, com duração média de dois a três meses, os candidatos já passam a fazer, como parte do programa do curso, estágio supervisionado nas ruas, contemplando carga de 60 horas-aulas. “Nesse período, agora, foi uma situação extraordinária, porque o Comando determinou que houvesse estágios porque muitos policiais estão apoiando as comunidades devido à Operação Golfinho. Como a Brigada tem que oferecer o policiamento para o evento, algumas localidades ficaram com seus efetivos abaixo do padrão que estavam conseguindo manter”, comenta o tenente Vargas.

Outras situações em que atuam fora da Escola são durante o apoio e o emprego operacional, no qual trabalham como policiais. Um das possibilidades é contribuírem, por exemplo, para realização de eventos públicos.

Oficiais torcem para novos policiais ficarem na região
O coordenador do Curso de Formação de Soldados da Escola, tenente Kléber Vargas, e o comandante da 1ª Companhia de Policiamento Ostensivo da Brigada Militar de Montenegro, capitão Jederson Dill, ressaltam a importância de os alunos-soldados atuarem para aumentar a segurança no município. Contudo, como cidadãos e em sintonia com o desejo da comunidade, torcem para que mais policiais formados fiquem na região.

“Temos a nossa posição como policiais e como cidadãos. Como cidadão, óbvio que gostaríamos que o policiamento em Montenegro fosse reforçado. Sabemos que em todo o Estado há deficiência de policiais, mas gostaríamos que a cidade onde é a sede da escola fosse atendida. Entretanto, essa distribuição não cabe a nós, é feita pelo Comando-Geral da Brigada. Nós cumprimos a nossa missão: recebemos os alunos, formamos e entregamos para o Comando”, salienta o tenente Vargas.

Dill tem posicionamento semelhante. O oficial também destaca como fundamental a Escola ser cada vez mais prestigiada. “A nossa torcida é para que grande número fique na região. No entanto, quanto mais alunos circularem pela Escola, melhor para Montenegro. Pois, durante a formação prática, eles auxiliam no policiamento aqui”, pondera. O oficial lembra, ainda, o fato de os policiais militares contribuírem para a capacitação dos alunos-soldados.

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