Sandro Lupatini / Divulgação

Eva Sopher, presidente da Fundação Theatro São Pedro, faleceu nesta quarta, dia 7 de fevereiro. Ela era umas das figuras mais respeitadas da classe artística do RS e do páis. O governador José Ivo Sartori decretou luto oficial do Estado por três dias. O velório está acontecendo nesta quinta (dia 8) no Theatro São Pedro, até as 18h.

Nascida em 1923, em Frankfurt, na Alemanha, Eva Margareth Plaut fugiu do regime nazista com sua família para o Brasil. Na época, com apenas 13 anos, teve que aprender outro idioma, cultura e, o mais importante, o respeito às diferenças, compreendendo o significado das palavras sobrevivência e liberdade. Morou em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde casou-se com Wolfgang Sopher e teve suas filhas – Renata e Ruth. Em 1960 mudou-se para Porto Alegre, onde dá início a um marco relevante na trajetória cultural do Rio Grande do Sul. Após tornar-se conhecida pelo trabalho como produtora cultural na Pró Arte, foi convidada a assumir, em 1975, o desafio de coordenar as obras de reconstrução do Theatro São Pedro interditado há dois anos devido ao mau estado de conservação e às precárias condições de segurança. Em 1982, quando foi criada a Fundação Theatro São Pedro, Dona Eva passa a responder por sua presidência.

A história de Eva Sopher já foi contada na biografia Doce Fera, escrita pelo jornalista Antonio Hohlfeldt, em filme, no documentário Eva e o Theatro, de Claudia Dreyer, e será sempre lembrada toda vez que se falar sobre cultura em nosso Estado. Poucas mulheres têm em sua biografia depoimentos de artistas e grupos que reforçam o título de uma das maiores administradoras culturais do Brasil. Dona Eva deixa duas filhas, quatro netos e oito bisnetos, inúmeros amigos e admiradores de seu trabalho. Hoje, o Theatro São Pedro está em luto, mas sua equipe sempre a terá como mentora e inspiração, seguindo seus valores e seu amor pelas artes de palco.

Honrarias

Ao longo de sua trajetória, Eva Sopher recebeu diversas homenagens locais e estrangeiras [pelo mérito de suas atividades], como o título “Personalidade do Ano”, “Destaque do Ano” e “Gaúcho Honorário”. Foi agraciada em 1970 pelo Presidente da República Federal da Alemanha com a “Cruz do Mérito de Primeira Classe”, comenda esta conferida por serviços prestados ao intercâmbio cultural entre o Brasil e a Alemanha. Em 1971, a Câmara dos Vereadores de Porto Alegre concedeu-lhe, com unanimidade, o título de “Cidadã Honorífica” da cidade de Porto Alegre. Em 1974, recebeu das mãos do Governador Euclides Triches a medalha “Simões Lopes Neto”, concedida na ocasião pela primeira vez desde a sua instituição, em 1972, “a pessoas que se distinguem por sua excepcional atuação no campo da cultura”. Ainda em 1971 a convite do então governador do Estado, passou a integrar o Conselho Deliberativo da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, cargo honorífico ao qual foi reconduzida pelos governos posteriores. Em março de 1978, recebeu do governo francês a medalha de “Chevalier dans l’Ordre des Arts et des Lettres”. Em dezembro de 1982 foi distinguida, junto com seu marido com a “Cidadania Honorifica Canelense”, em virtude da doação de sua residência, oferecida ao Governo do Estado e a qual, após ser transplantada sem ônus para os cofres públicos, está servindo como residência oficial de verão dos governadores, em Canela. Em 2015, foi agraciada com a Medalha Goethe, uma honraria oficial da República Federal da Alemanha a personalidades que se destacaram de maneira especial na promoção do intercâmbio cultural internacional.

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