uma das oPERAÇões, Macchina Nosytra foi desencadeada em novembro. Foto: Polícia Civil

Crime. Em dois anos, Polícia Civil gaúcha realizou nove grandes operações contra o roubo, furto e clonagem de veículos. Foram 197 prisões no período

Uma moradora de Montenegro está vendo a concretização de uma conquista se transformar em causa de estresse e apreensão. A técnica de enfermagem Tayssa Luane Ohlweiler Fagundes, 27 anos, há cerca de 40 dias, comprou um GM Onix semi-novo. Mas acabou tendo uma surpresa nada agradável. Chegaram à sua casa três multas por excesso de velocidade, infrações cometidas em três municípios de Santa Catarina: Lontra, Mafra e Três Barras. “Eu nunca saí de Montenegro com o carro. Está uma função para tentar resolver”, comenta.

O veículo teve a placa clonada. Também é cinza, mas possui rodas de liga leve e calhas de chuva nas janelas laterais, características diferentes do carro de Tayssa. As multas, uma grave e duas médias, somam R$ 455,55 e 13 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). “É uma sensação horrível, posso perder a carteira por algo que não fiz. Daqui a pouco, quem está usando este carro mata um atropelado ou comete um roubo à mão armada”, ressalta.

Ele contratou uma advogada para cuidar do caso e formalizou recurso junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para tentar solucionar a questão. Também registrou o caso na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). “Era um sonho ter um Onix e está sendo uma dor de cabeça”, finaliza.

A Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV) do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (DEIC) realizou, em dois anos, nove grandes operações contra o roubo, furto e clonagem de veículos em diversos municípios gaúchos e, algumas com abrangência em outros estados. No período, foram efetuadas 197 prisões. “Também realizamos ações diárias de prisões de clonadores, receptadores e assaltantes. Isso representa uma média de quase um preso a cada dia e meio”, ressalta o delegado da DRV Adriano Nonnenmacher de Souza.

Em novembro, por exemplo, foi desencadeada a terceira fase da operação Macchina Nostra nos municípios de Novo Hamburgo, Dois Irmãos e Alvorada, com o foco no combate ao roubo e à clonagem de veículos. A meta foi desarticular duas células de clonadores, intermediários e estelionatários de uma organização criminosa responsável por roubar centenas de carros entre outubro de 2015 a abril de 2017 em Porto Alegre e região metropolitana.
O delegado diz ser difícil precisar as principais causas do furto e roubo de automóveis. As ocorrências têm como objetivo o uso em assaltos, a venda principalmente no Paraguai, o uso pelo próprio criminoso e a clonagem. “Os casos de clonagem, como notamos no dia a dia, são muito grandes. Pelo menos a mais básica, que é a troca de placas”, frisa Nonnenmacher.

O roubo e furto de veículos apresentam, na parcial de janeiro a setembro de 2017, queda de 7,49% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 28.493 contra 26.358. Em todo 2016, o número chega a 37.182 considerando os dois tipos de crimes. Entre as causas apontadas para as cifras alarmantes, embora a queda nos primeiros nove meses do ano, de acordo com os dados mais atualizados disponibilizados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado, está o uso dos automóveis em assaltos e a clonagem.

Roubo de Veículos em 2017 no Estado
Janeiro 1.755
Fevereiro 1.622
Março 1.760
Abril 1.517
Maio 1.519
Junho 1.382
Julho 1.347
Agosto 1.356
Setembro 1.289
Total 13.547

furto de Veículos em 2017 no estadoJaneiro 1.542
Fevereiro 1.376
Março 1.524
Abril 1.461
Maio 1.582
Junho 1.260
Julho 1.393
Agosto 1.339
Setembro 1.334
Total 12.811

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