Segurança. Esse é um dos temas abordados pelo comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar, major Iber Augusto Lesina Giordano, nesta entrevista

A Câmara de Vereadores de Montenegro realiza na próxima segunda-feira, dia 11, às 19h, audiência pública para debater a situação da segurança no município. A proposta é da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos. Devem participar do encontro representantes da Brigada Militar, da Polícia Civil e do sistema prisional. Com o objetivo de antecipar temas que estarão em debate no evento, o Jornal Ibiá publica entrevista com o comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), major Iber Augusto Lesina Giordano.

O oficial ressalta o fato de a histórica falta de efetivo ser driblada pelo esforço e dedicação dos policiais. Também revela estar em andamento um projeto para implantar em Montenegro uma central de videomonitoramento com abrangência nos nove municípios cobertos pelo 5º BPM — Montenegro, Pareci Novo, Brochier, Maratá, Salvador do Sul, São José do Sul, Triunfo, Barão e São Pedro da Serra. “É uma das formas técnicas de ampliarmos a nossa forma de atuação. Isso é qualificar o trabalho”, frisa.
Também foram convidados para a audiência pública, representantes do Legislativo estadual, dos Executivos e Legislativos de todos os municípios do Vale do Caí e de entidades civis de Montenegro.

Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelo 5º BPM?
Nós temos, por exemplo, uma geografia que dificulta o nosso trabalho. Temos uma extensão de área muito grande, muitos caminhos vicinais. Temos uma preocupação com vários acessos da cidade, estamos no meio do encontro de muitas rodovias, ligação de grandes centros que passam por aqui. Então, a criminalidade acaba tendo fácil acesso ao nosso Vale. Em contrapartida, já existe entre esses marginais a ciência de que “olha aqui na região não dá, a Brigada vai atrás e pega”.

A falta do efetivo é o principal problema?
A questão da falta do efetivo é uma dificuldade que a gente vem superando no dia a dia. Viemos suplantando isso aí pelo esforço dos nossos policiais. Nós temos a nossa estratégia e temos otimizado a utilização do nosso efetivo, tanto que os nossos índices de ocorrências criminais estão dentro razoável. Do aceitável não, porque sempre vamos tentar diminuir. Mas, em comparação com outros lugares do Estado, nós estamos muito bem.

E quanto ao aparelhamento, está adequado?
Temos viaturas, temos armamentos, inclusive emprestamos armamento para a Escola. Nós recebemos, recentemente, equipamentos novos, como coletes de proteção balística. Fardamentos nós estamos recebendo até de modo satisfatório. Tem alguns pontos específicos em termos de alguns armamentos que a gente precisa completar a carga, mas de modo geral, eu não vejo dificuldade nessa questão.

O aumento do videomonitoramento na cidade auxiliaria bastante o trabalho da Brigada Militar?
Essa questão é uma das formas técnicas de ampliarmos a nossa forma de atuação. Isso é qualificar o trabalho policial. Com o videomonitoramento, conseguimos ter olhos, ver e não ser vistos. Então, sempre que a gente puder aumentar esses olhos eletrônicos, vamos ter uma atuação discreta, eficaz, porque o marginal se descuida e, se está tentando atuar em frente às câmeras, quando vê acaba sendo preso. Isso já aconteceu mais de uma vez aqui na nossa região. Devemos, ainda num esforço junto às prefeituras, montar em Montenegro um sistema de videomonitoramento regional. Estamos conversando com vários prefeitos no sentido de termos aqui uma central de videomonitoramento para outras cidades, não somente para Montenegro.
Seria uma central de monitoramento com abrangência em toda região do 5º BPM?
Sim. São nove municípios. A ideia é de que possam ser monitorados daqui da sala do 5º BPM.

Existe alguma previsão de quando deve ser implantado este projeto, que é uma vontade antiga do Vale do Caí?
Olha, estamos com um projeto em andamento, temos o desenho sendo elaborado pela Prefeitura de Montenegro, já temos o pedido do efetivo para essa finalidade, inclusive alguns já chegaram. É que essas coisas, às vezes, são morosas, dependem dos convênios das prefeituras, de liberação de verba. Alguns estão colocando a previsão orçamentária para o ano que vem. Então, isso ainda deve demorar algum tempo para ser concretizado.

Tem estimativa de quanto será o investimento?
Não, porque isso depende de cada cidade. Por exemplo, hoje em Montenegro, nós já temos um princípio de videomonitoramento. Mas, o que eu sei, até conversando com um dos prefeitos da região, é que a cotação que ele fez de câmeras de vídeo é que se conseguiu cada ponto a R$ 2.500,00. E havia um orçamento anterior muito mais alto. Essa diminuição no custeio deve facilitar um pouco as coisas.

De uma forma geral, qual a sua avaliação da atuação do 5º BPM neste ano?
Fizemos, recentemente, uma prestação de contas, um relatório da nossa atuação do batalhão na região. Foi um apanhado que nós fizemos durante todo o ano, indo a cada cidade onde há instalação da Brigada Militar, pegando as atuações de cada comandante de fração, pegando, junto com a comunidade naqueles locais, e fizemos um apanhado dessas respostas para passar para a comunidade. O que a gente viu durante essa apresentação é que, apesar do nosso efetivo não ser aquilo que a gente gostaria, os nossos resultados são excelentes. E, como eu falei, naquele ambiente lá, acaba que o nosso bom trabalho, a dedicação do nosso policial em suplantar a falta de um outro colega, acaba por impedir que a gente receba reforço. Porque o governo do Estado olha lá “Não, mas Montenegro, apesar do pouco efetivo, está mantendo, seus níveis dentro do que foi estabelecido pela Brigada Militar”.

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