com lâmpada, alavanca, pino e martelinho, nasceu a técnica que desamassa sem comprometer a pintura original

Carro amassado, seja por granizo, descuido ou por ação de terceiros acaba tirando a originalidade do automóvel. Quando a pintura fica comprometida, o jeito é entregar o veículo aos cuidados de um chapista ou funileiro. Mas quando a lataria ficou amassada e a pintura original não foi comprometida o martelinho de ouro pode ser uma opção para recuperar o carro.

trabalho de martelinho de ouro executado na oficina Polcar em um Space Fox

A técnica surgiu nas montadoras do Brasil, aponta o especialista Marcelo Lubaczeski. Nos primórdios tudo se resolvia com uma lâmpada, uma alavanca, um pino e o martelinho. Hoje Marcelo, que possui oficina apenas para executar esse tipo de serviço, possui cerca de 100 tipos diferentes de equipamentos para realizar o serviço. O nome já oferece uma ideia das características do trabalho. “Tem a ver com a maciez da mão ao bater. Pela técnica que exige muita precisão”, aponta Marcelo.

trabalho de martelinho de ouro executado na oficina Polcar em um Citroen C3

Dentre as vantagens do martelinho de ouro, além de manter a originalidade e a consequente valorização do veículo por esse aspecto, também se destacam o tempo de execução do serviço e o preço. “Normalmente entregamos o carro no mesmo dia em pequenos reparos. É mais em conta que o serviço convencional e sem repintura”, destaca Marcelo.

Há dez anos, depois de aprender a técnica em São Paulo, Marcelo se estabeleceu em Montenegro . Ele conta que naquela época ainda trabalhava paralelamente com auto-elétrica. Com o passar do tempo os clientes passaram a procurar mais pelo martelinho de ouro a ponto dele deixar a oficina apenas para desamassar os carros. Desde 2013 atua somente com o martelinho. “No início recebia dois carros por semana. Hoje na média de três carros por dia”, aponta.

Pelo resultado final, concessionárias entraram na lista de clientes

Marcelo trouxe o martelinho de ouro para Montengro e hoje atende clientes do Vale do Caí e grande Poa

Os consumidores gostaram tanto do trabalho que até concessionárias se tornaram clientes da oficina do Marcelo. Por aqui já passaram de fusca de colecionador, Duster a BMW. E dentre as curiosidades nessa área automotiva, Marcelo explica que a tecnologia tem proporcionado latarias com maior maciez ao longo dos anos. Isso porque as montadoras estudam como proteger e salvar vidas de motoristas e passageiros. Uma lataria mais macia serve para absorver os impactos, o que ajuda a preservar as vidas dentro dos veículos em caso de acidente. “As pessoas às vezes não percebem isso, que é para protegê-las. Com isso também facilita em muito o nosso trabalho”, aponta. Falando em rigidez dos materiais, o especialista em martelinho de ouro conta que já precisou recuperar um Galaxy Landau. Aço puro praticamente. “Não tem reforço. É só chapa externa mesmo e a interna é ‘ponteada’. Lata de quase 1 mm de espessura, é muito duro mesmo, mas deu certo”, diz Marcelo.

Nos casos mais difíceis, Marcelo conta que é preciso usar ventosas para recuperar o veículo. “As colunas exigem mais esse tipo de trabalho, tem que desamassar por sucção com ajuda de um sacador”, aponta.

Quem busca pelo serviço é aquele proprietário que gosta de manter o carro intacto, explica Marcelo. “Não é algo que o carro fica parado e tem que reparar. É gente extremamente cuidadosa mesmo que procura pelo martelinho”, aponta Marcelo.

Para 2018 Marcelo projeta expandir o negócio, através de novas parcerias. “No momento estamos na fase de projeto, mas em breve devemos anunciar o que temos planejado para expandir nossa atuação pelo Vale do Caí”, destaca.

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