Moacir e Clair não levaram sacola de pano, mas usaram caixas de papelão para acondicionar as compras
Malola observa que não pode evitar todos os plásticos das embalagens, mas ao menos a sacolinha ela substitui por uma de pano

A doméstica Malola Tamara Bonato Cechinel, 56 anos, faz a sua parte para reduzir o uso de plástico e o meio ambiente agradece. No corredor do Supermercado Via II, ela circula com o carrinho de compras, mas junto a embalagens com os biscoitos, o arroz e a batata inglesa, uma sacola de tecido para não precisar usar uma de plástico ao voltar para a casa. No Brasil, cerca de 1,5 milhão de sacolas de plástico são distribuídas por hora, conforme divulgação do Ministério do Meio Ambiente.

“Esse plástico a gente não consegue evitar”, diz ela, indicando as embalagens dos produtos no carrinho. “Pelo menos a sacola de plástico eu não preciso usar”, acrescenta. Malola afirma que o hábito de usar sacolas reutilizáveis – também chamadas de ecobags – é antigo, pois tem consciência de que o plástico leva séculos para se decompor.

E se não for descartado da forma correta, gera danos ao meio ambiente. Esses produtos poluem o solo, favorecem o entupimento de bueiros e, através de arroios chegam ao rio e ao mar. Desta forma, o plástico coloca em risco a fauna aquática, pois é facilmente confundido com alimento. Malola salienta que leva a sacola ao supermercado e, sempre que possível, aproveita os sacos de embalagens dos produtos para acondicionar o lixo gerado no dia a dia.

A dona de casa Clair Almeida, 45, e o industriário Moacir Oliveira, 44, aproveitam caixas de papelão, disponibilizadas, aos clientes no supermercado, para acondicionar as compras. “Não tem necessidade de usar sacola de plástico”, observa Clair. Ela afirma ter conhecimento dos danos gerados pelo uso desse material e, por isso, evita sempre que possível.

“Estamos de carro, é fácil levar em caixas”, reforça Moacir. Clair lembra que já trabalhou em supermercado e percebia o grande consumo de sacolas plásticas. Ela acrescenta que tem do tipo reutilizável em casa. Na ocasião, porém, não havia levado a sacola de pano, mas o uso das caixas também é uma forma de evitar a de plástico.

Do saco de papel ao uso do plástico
Com três décadas de trabalho no comércio varejista, o gerente do Supermercado Via II, do bairro Progresso, Luis Meneguzzi, recorda a época em que predominava a embalagem de papel. Ele era ainda adolescente, com 14 anos, quando começou nesse segmento como empacotador. “Uns cinco anos depois é que começaram a usar as sacolas plásticas”, lembra.

Desde então, essas predominam no comércio, não só nos supermercados, mas em outros estabelecimentos, tanto no ramo alimentício como de artigos em geral. Meneguzzi observa que a maioria dos consumidores não leva sacolas retornáveis e acaba utilizando as de plástico. “Há três o quatro anos até se via mais gente usando sacola de pano, mas atualmente é mais raro”, acrescenta.

Ele salienta, no entanto, que são disponibilizadas caixas de papelão aos consumidores que optam por não usar as sacolas de plástico. A medida garante o aproveitamento das embalagens das compras feitas pelo supermercado, o que naturalmente reduz o impacto no meio ambiente. “Uma caixa vale por pelo menos duas sacolas”, compara o gerente.

Meneguzzi afirma que os clientes aproveitam. Ele percebe que as caixas são usadas principalmente por quem mora em casa. “Acho que para quem reside em apartamento, talvez se tiver que subir escada, ache a sacola mais prática”, opina.

O tamanho do problema
Embora práticas e geralmente gratuitas, o uso excessivo das sacolas de plástico têm custo ambiental, pelo uso de recursos naturais e liberação de efluentes e gases tóxicos na sua produção, além de nem sempre serem descartadas de maneira correta, aumentando a poluição e ajudando a entupir bueiros que escoam as águas das chuvas ou indo parar nas matas e oceanos, sendo ingeridas por animais que morrem sufocados ou presos nelas.

Consumir sacolas plásticas de maneira consciente significa refletir antes de aceitar uma sacolinha. A compra é pequena? Será que não cabe na sua bolsa ou bolso? Você já tem uma sacola retornável? Está certo que reutilizamos as sacolinhas plásticas como sacos de lixo, mas pense bem: você não pega muito mais sacolinhas do que realmente precisa?

O consumo consciente leva em consideração o impacto individual de um produto – quanto consumiu de matéria-prima e insumos, quanto provocou de poluição em sua produção, se pode ser reciclado, etc. – e também o impacto coletivo do consumo somado de todos os cidadãos. A atitude responsável de cada um faz enorme diferença para a qualidade de vida de todos.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente – www.mma.gov.br

Mara admite que nem sempre se lembra de levar a sacola de pano ao supermercado, mas garante que faz o descarte correto do lixo

Caixa ecológico reduz uso de plástico
Seja pela consciência ambiental ou estimuladas por campanhas que visam reduzir o uso de plásticos, muitos consumidores tem uma sacola retornável, mas nem sempre ela é lembrada na hora de fazer as compras. A guia de turismo e professora aposentada, Mara Cleonei Kayser Kratz, 62 anos, tem uma sacola de tecido em casa, mas admite que nem sempre a leva no supermercado.

As vezes por esquecimento, outras porque foi a outro local e no caminho decidiu passar no supermercado. “Hoje eu saí para ir em outro lugar e aí vim aqui também”, afirma Cleonei, enquanto escolhe batata inglesa no supermercado Mombach, na Timbaúva. Ela reconhece que as vezes também esquece de levá-la, mas afirma que todo o lixo em sua casa tem destino correto.

A guia de turismo inclusive separa o material reciclável e entrega a uma empresa dessa área ou a catadores que circulam pelas ruas. “Vou colocando tudo separadinho e quando tem um volume maior eu dou o destino certo”, afirma. Cleonei observa a importância em agir dessa forma para evitar que o lixo gerado no dia a dia torne-se um problema ambiental.

No supermercado, a redução no uso de sacolas plásticas é estimulada através do projeto “EcoMombach, meu mundo mais limpo”. Além do uso de sacolas retornáveis, a ação colocou um caixa ecológico com maior disponibilidade de embalagens de papelão para acondicionar as compras. Em pouco menos de um ano, somente neste caixa, foram deixados de usar 92.428 sacolas plásticas. O número foi fixado no local, mostrando que atitudes simples fazem diferença, o que deve servir de estímulo aos consumidores.

O gerente comercial José Augusto Friederich Mombach afirma que inicialmente as sacolas retornáveis foram disponibilizadas por uma taxa simbólica associada a um volume determinado de compras. Ele acrescenta que a aceitação dos clientes foi boa, mas muitos dos consumidores acabavam esquecendo a sacola em casa.

José Augusto afirma que ação reduziu o uso de sacolas de plástico, mas observa que muitos consumidores esquecem de levar a sacola retornável

O caixa ecológico também precisou passar por adaptações. A idéia inicial era não usar sacolas plásticas nesse espaço, mas alguns clientes reclamaram, pois queriam usar esse tipo de sacola e às vezes havia mais fila nos outros caixas. “Houve algumas queixas, pois os clientes alegam que usam essas sacolas para por lixo depois”, observa Mombach. Desta forma, embora esse espaço continue sendo um estímulo ao uso de sacolas retornáveis e caixas de papelão, também é disponibilizada a de plástico.

O jardineiro Antônio Rodrigues de Oliveira, 59 anos, é um dos consumidores que prefere usar a sacola de plástico no supermercado, alegando que depois a reutiliza para acondicionar o lixo. “Também uso para guardar alguma coisa”, acrescenta, dizendo que nunca pensou em usar sacolas ecológicas. Ele afirma, no entanto, que procura colocar o lixo no lugar certo, considerando o horário da coleta e, assim, colaborando para que os resíduos gerados no dia a dia tenham um destino correto.

Antônio afirma que prefere usar as sacolas de plástico fornecidas no supermercado. Ele diz que aproveita para por o lixo que é recolhido pelo serviço de coleta

Deixe seu comentário