foram lançados diversos modelos do carro que serviu de táxi, funerário, carga e ainda levava toda a família para passear por décadas

A Kombi foi lançada na Alemanha em 1950 e passou a ser fabricada em solo brasileiro, em um galpão na capital paulista, apenas três anos depois com peças importadas. Em 1957, passou a ser produzida na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

Produzida sobre a plataforma do Fusca, ela utilizava motor 1.2 refrigerado a ar, que no primeiro modelo nacional tinha apenas 30 cv. Ao longo das décadas, a “Velha Senhora” ganhou várias outras motorizações maiores. Os modelos iniciais eram chamados de corujinha, em razão dos faróis arredondados.

A carroceria também teve diversas configurações, com variantes picape, inclusive de cabine dupla, furgão e de passageiros. Em 1998, a fabricante Vokswagen chegou a lançar uma versão mais luxuosa, chamada de Carat, com direito a bancos de veludo e revestimento de tecido.

Já a última modificação na mecânica e no visual ocorreu em 2005, quando ela deixou de usar o propulsor boxer 1.6 a ar e adotou um 1.4 flexível refrigerado a água. A mudança no motor implicou a instalação de um radiador na dianteira do carro, tal qual a antiga versão a diesel.

A produção final, com direito a anúncios da descontinuidade do produto se deu em 2013, marcada pela série especial Last Edition, que consistiu nas últimas unidades produzidas. A Kombi saiu de linha de vez após a obrigatoriedade dos air bags frontais e freios ABS nos carros vendidos no País. A plataforma do veículo não podia recebê-los.

Pau pra toda obra
A Kombi foi o ganha-pão de muitas famílias: foi táxi, carro funerário, entregadora de pão, de ovo, de água, carro de passageiro, de polícia, de bombeiro.

A agricultora Paula Cely Moraes, de São José do Sul, conta que a primeira feira em que o pai participou foi a bordo de uma Kombi, isso há mais de três décadas. Hoje ela tem uma “velha” em casa e outra mais conservada, para o uso no transporte de citros e demais produtos para a venda na casa do produtor. “Gosto de Kombi desde criança, aprendi a dirigir numa Kombi e é um amor por ela que nem pego outros carros da garagem”, conta Paula. Ela já fez entregas de carvão pelo Vale do Caí, sempre dirigindo a “perua”.

Mesmo a mais antiga, é considerada um xodó da família. “Aquela a gente usa quando as crianças têm apresentação no CTG. Joga tudo lá pra dentro e vamos embora!”, destaca a produtora. Para ela, o utilitário tem força e robustez para aguentar o dia-a-dia no campo. E dentre os “causos” com o furgão da Volkswagen, Paula relembra do dia em que fez carregamento de citros para a indústria. “Uma vez botei 50 caixas de laranja dentro da Kombi. O que não foi nas caixas, veio em sacos(risos). O carro aguentou firme”, afirma Paula. Para ela, o veículo é um complemento de renda da família.

Mais de uma tonelada de hortifruti por semana
O motorista Bruno Moraes trabalha com um dos últimos modelos de Kombi fabricados no Brasil. Do vapor Velho, ele traz laranjas, alfaces e demais hortifrutigranjeiros para abastecer outra banca na Casa do Produtor Rural. “Na segunda –feira a gente entrega a merenda escolar, faz a feira duas vezes por semana e no sábado também carrego ela”, aponta o motorista. O patrão ainda implementou o furgão com gás, o que proporciona economia de combustível ainda maior. O motorista destaca na Kombi a capacidade de suportar o peso das cargas. “Ela é muito forte, é bem valente, o motor. Essas Kombis mais novas parece que têm mais força. Carrego cerca de 1.200 quilos em dia de feira”, destaca o rapaz, que ainda elogia o bom desempenho do veículo em estrada de chão.

Histórias de uma vida

companheira da família Hass, foi graças a um “rolê” de Kombi que dona Edla conheceu o esposo

A aposentada Edla Berthold, recorda que o pai, seu Artur Hass, comprou uma Kombi branca para a empresa da qual ele era gerente. “Nós morávamos em Curitiba, isto era o ano de 1960 e pouco. Como não tínhamos carro, aos domingos meu pai a pegava e íamos conhecer Curitiba”, recorda.

De volta a Porto Alegre, a Kombi veio junto, conta Edla. “A gente gostava demais dela. Ele mandou forrar ela toda por dentro, mandou colocar cortinas, nas nossas viagens de férias, brincávamos durante a viagem”, diz com carinho. E entre os 16, 17 anos de idade um dos sonhos de menina foi realizado na Kombi. “Meu pai me ensinou a dirigir nela. Foi o máximo”, revela. Em 1969, seu Artur saiu desta empresa e a família veio morar em Montenegro. Mas as histórias com a Kombi não pararam por aí. “Sempre saía aos sábados e domingos para dar umas voltas pela cidade com minha irmã e amigas. E foi andando de Kombi pela cidade que conheci um rapaz, que dirigia um Opala preto. Anos depois, se tornou meu esposo”, revela.

Saiba Mais
– O dia 2 de setembro marca a data inicial de fabricação inteiramente nacional de um veículo que marcou época no país: em 1957, o “furgão Volkswagen” (o nome Kombi surgiria anos depois) começava a ser montado no país.

-O Brasil comprou, usou, vendeu e colocou na história 1,5 milhão de unidades da Kombi, enquanto no mundo todo foram 10 milhões de unidades.

– Se no resto do planeta o modelo deixou de ser fabricado no final dos anos de 1970, sendo substituído por utilitários atualizados, no Brasil a Kombi virou ícone e seguiu em linha com poucas alterações até dezembro de 2013.

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