A creche onde o caso aconteceu é considerada modelo pelos pais de uma das crianças agredidas

Prefeitura abriu sindicância para apurar o caso, que também será encaminhado ao Ministério Público pelo Conselho Tutelar

Pelo menos quatro crianças foram vítimas de atos de agressão na Escola Municipal de Ensino Infantil (E.M.E.I.) Descobrindo a Vida, na cidade de Maratá. Câmeras de monitoramento registraram imagens de uma servidora cobrindo o rosto de menores com cobertor, enquanto eles dormiam. Cenas de empurrões e balanço exagerado dos babinhos – cadeiras usadas por bebês enquanto se alimentam – também foram descobertas. O fato gerou indignação nos pais dos alunos. A Prefeitura de Maratá abriu uma sindicância para apurar os casos. Enquanto isso, o Conselho Tutelar também dá andamento a uma investigação e irá encaminhar todos os registros para o Ministério Público. Uma das famílias que teve seu bebê agredido espera que, além de exonerada, a mulher responda criminalmente por seus atos.

secretária de Educação e Cultura, Clarine Piettelkow Luft, diz que ficou surpresa com a situação envolvendo a monitora

Segundo a secretária de Educação e Cultura, Clarine Piettelkow Luft, o caso foi descoberto no dia 21 de junho, quando uma mãe pediu à diretora da E.M.E.I. para ver as imagens das câmeras da sala onde fica o filho. Ao ter acesso às imagens, a mulher, que não terá o nome revelado para evitar a exposição de sua família, constatou que seu bebê havia sido maltratado pela auxiliar da creche. “Na hora, a mãe da criança ficou sem reação. No dia seguinte, ela veio conversar comigo e pediu para que víssemos se não havia acontecido outras vezes”, relata Clarine. Ao entrar em contato com a diretora da instituição, Jussara Dutra, a secretária ficou sabendo que outra mãe apresentou reclamação semelhante. “Fui para a escola e confirmamos que duas atitudes dela foram erradas. Tiramos ela daquela turma e passamos para outra. Nada justifica o que ela fez”, afirma a secretária.

Jussara conta que, depois da primeira denúncia, várias outras começaram a chegar na escola, inclusive relatos de casos mais antigos. “Agora os pais dizem que viram o filho com um roxinho, mas por que não procuraram a escola antes para dizer isso?” Diante do crescente número de reclamações, a Secretaria de Educação abriu um processo investigatório contra a servidora e providenciou o afastamento dela da creche para outro setor da Administração.“Ela foi afastada da escola no dia 25. Não sabemos se ela vai ser demitida, mas se ela errou, vai ter que pagar pelo que fez”, afirma a titular da pasta.

Mãe pede punição para a funcionária
Ainda abalada com as cenas que viu, nas quais seu filho é submetido ao descontrole da monitora, a mãe de uma das crianças pede justiça. “A gente quer que a sindicância administrativa leve ela à exoneração. Além disso, ela vai ter que se entender com a Justiça”, diz a mulher.
Para a cidadã, o que aconteceu em Maratá não é um caso isolado e por isso é importante que a informação seja divulgada e sirva de alerta para outros pais. “Se em uma instituição modelo aconteceu isso, imagina nas outras. Tenho muitos elogios à escola, nossa denúncia envolve apenas uma das monitoras”, assegura.

Diante da confiança que possui no restante da equipe da escola, a mãe diz que seu filho continuará na creche, mas afirma que o abalo emocional ainda vai demorar um bom tempo para passar. “É um sentimento de tristeza e desolação”, conclui.

Conselho tutelar acusa outras monitoras de negligência sobre os casos
Após receber uma série de relatos sobre o que estava acontecendo na creche Descobrindo a Vida, o Conselho Tutelar de Maratá encaminhou um ofício para a Secretaria de Educação solicitando informações sobre as denúncias. “Estamos esperando a resposta da secretária informando quais providências foram tomadas e o que ainda será feito. Já ficamos sabendo que a pessoa foi retirada da escola”, relata a conselheira Vera Lopes.

O Conselho acusa de negligentes as demais monitoras que estavam na sala durante os atos de violência e não denunciaram a colega. Na sexta-feira, 6, Vera e as conselheiras Maria Helena Wilhelm, e Ana Paula de Souza, estiveram reunidas com a diretora da escola para obter mais informações sobre a funcionária. O colegiado está reunindo dados que serão anexados às imagens e levados ao Ministério Público. “Agora é assunto da Administração e do MP”, diz Vera.

“Nunca foi minha intenção maltratar ou agredir qualquer criança”, diz a acusada
A funcionária acusada de agressão aceitou falar ao Jornal Ibiá, desde que seu nome fosse preservado. A própria secretária de Educação de Maratá também pediu que a investigada não fosse identificada para evitar transtornos durante o processo. A mulher relata que chegou a conversar com suas superiores e explicou que não existiu má intenção no que fez. “Conversamos, observamos as imagens. Expliquei que, da minha parte, não houve maldade na forma como aconteceu”, comenta.

Segundo a mulher, a secretária de Educação e a diretora consideraram seus argumentos. “Me disseram que acreditavam, porém nem todos têm a mesma forma de pensar. Cada um tira suas conclusões. Perguntei qual seria o procedimento quanto a mim. E disse que fizessem o que era necessário”, explica.

Para a acusada, toda essa situação está sendo considerada horrível. “Nenhuma mãe me procurou. Os comentários são de brutalidade com as crianças. E inclusive tem pessoas dizendo em relação ao meu filho também”, acrescenta.

“Nunca foi minha intenção maltratar, agredir qualquer criança. Nas imagens, cada um vê da sua maneira, do seu ponto de vista. Provavelmente para essa mãe, para essas mães, que agora já não sei, foi agressivo.” Ela comenta ainda que as colegas nunca manifestaram reclamações quanto às suas atitudes em sala de aula. “Trabalhamos na turma em três. Até então, nunca ouvi diretamente ou indiretamente alguma reclamação a meu respeito, e acredito que elas não seriam negligentes quando a isso.”

Por último, a monitora diz que está disposta a prestar esclarecimentos.“E que essa mãe, ou essas mães, tomem as providências que acharem cabíveis, pois é direito delas e das crianças. Eu sei da minha verdade”, finaliza.

Em manifestação através das redes sociais, ela reafirmou que jamais houve intenção de maltratar ou agredir qualquer crinça e disse que, após refletir, decidiu se afastar temporariamente das suas atividades. “Talvez ou provavelmente isso iria ocorrer durante o decorrer dos dias. Até que os fatos sejam esclarecidos e também para não gerar mais polêmica ou conversas em relação de estar sendo favorecida/protegida”, declarou em postagem.

1 comentário

  1. Eu questiono: Para que servem esta Câmeras? A Direção nunca olha para verificar alguma irregularidade? Se não fazem isso, não tem sentido o equipamento, que a toda evidência não vai denunciar estas situações. Penso que toda cautela é pouca com o perfil de quem lida com nossas crianças!!!

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