Muita gente já não se sente à vontade em cruzar a Praça Rui Barbosa e deixa de aproveitar o espaço público Muita gente já não se sente à vontade em cruzar a Praça Rui Barbosa e deixa de aproveitar o espaço público

População reclama dos moradores de rua que se instalaram no local. Sujeira dos banheiros também incomoda

No coração da cidade, a Praça Rui Barbosa é um respiro de natureza no centro de Montenegro. Os bancos distribuídos convidam a população a dar uma parada para aproveitar o local num bom momento de lazer. Nos últimos meses, no entanto, esse lugar, que deveria ser agradável, tem se mostrado sinônimo de insegurança e confusão.

Prefeitura recebe constantemente reclamações a respeito do local

A reclamação é geral. Indivíduos que se instalaram na praça sujam os banheiros, brigam entre si, xingam as pessoas que passam e até cobram estacionamento dos frequentadores. Em março deste ano, um morador de rua foi morto por estrangulamento no local em plena luz do dia. “Não tem mais segurança. As pessoas chegam a fazer toda a volta para não atravessar pelo meio da praça”, comenta um frequentador que prefere não se identificar.

O medo de alguma represália é a razão para a escolha da não identificação. No meio da manhã, ele afirma ser esse um horário em que muita gente estaria frequentando a Rui Barbosa. Mas o local está praticamente vazio. “É um lugar que costumava ser visitado por muitas crianças, por idosos. Hoje nem dá. Pra minha esposa eu já digo que é melhor ela nem passar por aqui”, comenta.

Faz pouco mais de três meses que Ana Lara dos Santos começou a vender suas pipocas na praça. Para ela, que fica de segunda a sexta na área, já está claro que cruzar pelo meio do local não é uma boa ideia. “Não tem como passar. Uma vez, um dos moradores da praça me botou a boca. Ele parou, ficou me encarando e, do nada, começou a me chamar de tudo quanto é coisa. E não tem o que a gente responder. Qualquer coisa que a gente falar, a gente vai sair de ruim”, relata. Ana afirma que esse tipo de xingamento é constante para quem quer que passe no local, mas que as brigas com violência física só ocorrem mesmo entre os próprios moradores de rua.

Muitos evitam usar os banheiros devido a sujeira presente nos locais

O dono de estabelecimento nos arredores Cirson Braga aponta um outro agravante. “Muitos deles têm cachorro também. E esses animais avançam nas pessoas”, conta. “A praça é um lugar central da cidade, que deveria ser mais caprichado. É pras pessoas virem sentar, ficar descansando, mas esse pessoal incomoda. Desde cedo, estão na ativa. Tem dois bancos ali que são só deles. Ali, ninguém senta.”

A Prefeitura seguidamente recebe reclamações sobre a questão. Já foram realizadas abordagens aos moradores de rua pela assistência social, para oferecer um albergue e melhores condições para comer, dormir e tomar banho. As sugestões, no entanto, não teriam sido aceitas pelos indivíduos por causa das regras impostas por esses locais. É apontado, também, pelo Executivo Municipal, que a Guarda Municipal comparece para tentar dar orientações, mas não há a disponibilidade de haver um guarda específico no local durante todo o tempo.

Banheiros, nem pensar
Reclamação constante dos frequentadores é também a sujeira deixada nos banheiros da praça. Segundo informações da Prefeitura, responsável pelo serviço, basta limpar que em seguida o local já está sujo de novo. O cheiro forte de urina pode ser sentido de longe e, lá dentro, se nota que muitos chegam a fazer suas necessidades no chão.

“Eles fazem muita sujeira. Às vezes, uma pessoa de família quer usar o banheiro e não tem condições. É uma sujeirada”, comenta o proprietário de uma loja, que também preferiu não ser identificado. A colocação de um zelador no local acabou fazendo pouca diferença, visto que o vandalismo é constante.

A vendedora de pipocas Ana Laura coloca que muitas pessoas acabam preferindo pagar por um banheiro para evitar o uso dos da praça, que são públicos. Ela mesma, que se mantém trabalhando das 7h30min até as 17h, não frequenta o local. “Ali não tem como ir”, reclama.

Moradores de rua não são o único problema
A situação não para só nos moradores de rua. Os estabelecimentos da área também relatam que jovens usam a praça para beber e usar drogas. “Chega ali umas sete horas da noite e a gurizada vai pra praça puxar fumo”, aponta um dos proprietários.

“É beberragem, é maconha. De que jeito tu vai trazer um filho pra cá?” questiona outro frequentador. No passo dos moradores de ruas, esses indivíduos seguidamente protagonizam brigas e discussões. “Esses dias mesmo, duas meninas saíram no tapa aqui na esquina”, conta o cidadão.

Foi apontado que as viaturas da Brigada passam pelo local nesses horários mas, mesmo assim, sem uma fiscalização constante, os casos não deixam de acontecer. Existe a previsão de colocação de câmeras na praça a partir do projeto de vídeo-monitoramento do município, que deve instalar mais de 20 equipamentos na cidade. De acordo com a Prefeitura, no entanto, essas implantações só devem começar a ocorrer a partir de 2018.

 

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