Cena que se repete: cabeça e vísceras foram deixadas no terreno

Crime compensa. Somente nos quatro primeiros meses, são mais de 15 casos

Um crime praticado costumeiramente de noite e de madrugada tem sido cada vez mais registrado em Montenegro e no Vale do Caí. Com picos de alta nos últimos anos, o furto de gado (abigeato) até teve uma redução no segundo semestre do ano passado, mas os quatro primeiros meses de 2017 mostram um forte aumento.

Aproveitando as vastas áreas de campo e o fato de a região ter grande número de cabeças de gado, os criminosos se valem de áreas afastadas e sem policiamento para a prática criminosa. Se presos, ganham às ruas dias depois. A própria lei prevê penas brandas para os autores. Aos produtores, resta conviver com prejuízos, que costumam afetar o lucro de quem investe nos animais, tanto na modalidade de gado de corte e quanto na de gado de leite.

Foi o que ocorreu com o produtor rural Gustavo Polking, 48 anos, que ontem à tarde foi até a DPPA Vale do Caí registra o abate de três animais – duas vacas com cerca de cinco anos, e um terneiro –, todos da raça Red Angus, da propriedade do pai Carlos Polking. A área, localizada no Pesqueiro, às margens da ERS-124, foi invadida na madrugada de ontem pelos criminosos.

Os bichos foram carneados causando um prejuízo de cerca de R$ 6 mil. De recordação, deixaram apenas a cabeça e as vísceras dos animais. “É desanimador, triste, frustrante ver isso. Quando a gente viu, de manhã, dava para notar pelas poças de sangue que foi há pouco tempo”, afirma.

O produtor lamenta que pior de tudo é que não se trata de um caso isolado. No ano passado, a família teve outros três animais abatidos em outra propriedade. Na área atacada ontem há cerca de 100 cabeças de gado. Ele lembra que há uma semana um vizinho foi acordado com os seus terneiros gritando. Como o morador resolveu ver o que estava ocorrendo acredita que o ataque pode ter sido evitado.

Em análise em sua propriedade, Gustavo conseguiu constatar que os animais, que não são mansos, foram laçados e levados até uma área de plantação de eucaliptos. “Achei marcas de cordas no mato e nos moeirões”, acrescenta. Ele informa que também há marca de pneus no solo e de calçados – botas e tênis –, por isso aposta que pelo menos três homens tenham participado do furto. Para o sucesso da ação, cercas e três porteiras precisaram ser vencidas pelos bandidos.

Na terça de tarde, dois homens de 25 e 26 anos foram detidos pela Brigada Militar no Passo da Amora, suspeitos do furto de ovelhas. Eles são acusados de furto de gado na Vila do Peninha, em Triunfo. Os animais da raça Tex haviam sido levados da propriedade de uma idosa de 62 anos, recrudescimento. Eles foram soltos e responderão em liberdade.

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