Petrobras fala em aumento de R$ 3,09 nesta semana ao consumidor

A notícia na verdade surge como um boato à boca pequena entre os revendedores. Mas, se considerar o ritmo de aumentos promovidos pela Petrobras em 2017, até o final do ano o botijão do gás de cozinha deve chegar aos R$ 100,00. Por enquanto, o reajuste de 12,90%, anunciado nesta semana faz o preço ultrapassar a casa do R$ 80,00; enquanto o setor vê sua margem de lucro praticamente estagnada.

O sétimo aumento do ano vale para o gás liquefeito de petróleo (GLP) para uso residencial, em vigor a partir da zero hora de ontem. Os botijões industriais P20 e P45 (20 e 45 quilos), por enquanto, ainda não têm aumento projetado. Em setembro a estatal já havia anunciado dois reajustes somando R$ 6,55 de aumento.

“Devido ao cenário atual do país, vamos repassar somente aquilo que nos será passado pela distribuidora”, declarou Cauê Vargas, sócio-proprietário da Kary Gás em Montenegro. Segundo ele, outros reajustes haviam sido absorvidos pela revenda, mas desta vez não há o que fazer. Ao contrário do que pode pensar o coletivo popular, essa situação não é nada agradável aos comerciantes.

Cauê comenta que o mercado do gás ficou muito variável, sem ter mais data definida para a Petrobras arbitrar mudanças. Quando já foi feito o recálculo de custos, da margem de lucro e a tabela de clientes ajustada, vem outra mexida nos preços. E como simplesmente repassar ao consumidor não é uma boa política, os comércios têm reduzido seu ganho nos caixas.

Soma-se a isso, o fato de que, em anos anteriores, o mês de setembro era a data oficial para o repasse de custos da distribuição (que incluem transporte, depósito e funcionários), o que não aconteceu em 2017. “Faz um ano que não reajustamos nossos custos operacionais”, observa o comerciante. Ao reiterar que ninguém “está enchendo os bolsos”, afirmou que essa onda de aumentos é muito ruim para o setor.

De quanto será o aumento?
A Kary Gás saberá somente sexta-feira, quando buscar nova carga, qual será o percentual aplicado pela bandeira. Se forem os 12,90% integral, o aumento chegaria aos R$ 10,00. Mas Cauê não aposta que será menos. A Petrobras, por exemplo, calcula, no repasse integral, que será passado ao consumidor de 5,1%, ou cerca de R$ 3,09 mais caro. Ela diz que o novo reajuste reflete a variação do preço do combustível no mercado internacional. O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) calcula que o reajuste oscilará entre 7,8% e 15,4%, de acordo com o polo de suprimento.

Outra entidade, o Singasul (Sindicato das Empresas Distribuidoras, Comercializadoras, e Revendedoras de Gases em Geral) diz que não há como prever o impacto junto aos revendedores e consumidores. Ela lembra que o mercado é livre, sem tabelamento do produto, podendo o valor ser alterado conforme os custos de cada empresa.

Acumulado do ano
Com esse reajuste de 12,9%, a Petrobras já acumula alta de 47,6% desde que iniciou nova política de preços do combustível, no dia 7 de junho. E, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), nas revendas já subiu 9,12% desde a semana anterior à mudança na política da estatal. Na semana encerrada no sábado passado (7), o botijão custava, em média no país, R$ 62,21. Quatro meses antes (3 de junho), era vendido a R$ 57,01. Em janeiro custava R$ 55,74.

Combustíveis
Também ontem entraram em vigor novos reajustes para diesel e gasolina. Para o diesel, o Grupo Executivo de Mercado e Preços estabeleceu queda de 0,2%, que se soma à redução de 1,3%, em vigência hoje. Para a gasolina, foi estabelecida retração de 2,6%, após aumento de 1,5% que vale a partir da terça-feira.

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