Maria Antônia tem rotina estabelecida desde cedo para dormir melhor. Foto: arquivo pessoal
A neurologista Luciana Rosa explica as patologias mais comuns do sono e como dormir melhor

Rotina apertada, preocupações, troca da noite pelo dia, seja por diversão ou porque o trabalho exige… Manter o sono em dia pode não ser tarefa fácil. E cada fase da vida tem suas necessidades de descanso, de acordo com a neurologista Luciana Rosa. “Quando se é criança, o sono acaba sendo fragmentado. Isso faz com que se durma inúmeras horas em curtos períodos de tempo, em torno de umas 3h, ao longo do dia e 12h diárias”, explica a médica.

E com o envelhecimento, o padrão de sono modifica, afirma Luciana, que é especialista em Distúrbios do Sono. “Então começamos com um ciclo regulatório interno hormonal, alterando o ciclo sono vigília. Consequentemente, no período do dia vamos ficando mais acordados, tentando consolidar o sono durante a noite”, relata.

E só quem convive com adolescentes sabe a quantidade de tempo em que passam dormindo. Luciana destaca que essa é uma das fases em que o período do sono costuma ser bem maior. Já na terceira idade, a neurologista afirma que a tendência é a diminuição dos períodos de repouso.

“O sono é considerado problema quando começa a causar algum impacto negativo na vida da pessoa. Ou então aquele paciente que passa a ter algum sintoma ao adormecer, como o ronco. Para a cultura gaúcha, o ronco é considerado viril, normal, aceitável, mas significa obstrução de via aérea”, explica.

E assim como em adultos, o ronco em crianças é sempre considerado patologia, que pode trazer problemas na hora de dormir. “Todo o paciente que ronca precisa ser investigado, para ver se não há algum quadro de apneia ou alguma outra obstrução de via aérea alta”, conta.

Os hábitos irregulares de sono podem ser prejudiciais e, inclusive, desencadear outras doenças, diz Luciana. “A partir do momento que temos o diagnóstico de uma patologia relacionada, ela está intimamente ligada com o aumento do risco de o paciente ter Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico, descontrole da pressão arterial, diabete, doenças psiquiátricas ou então emocionais, quadros depressivos, ansiosos. Inclusive sabemos que até quadros demenciais tem interação”, informa.

Como descansar de forma saudável?
São inúmeros os fatores que tem alterado, com o passar dos anos, os hábitos de sono da população. “Principalmente pela qualidade de vida. Pela inversão dos turnos de trabalho, onde o sono do dia não é reparador. Próprios sintomas emocionais, como ansiedade, depressão, o estímulo de eletrônicos, o celular, tudo contribui para essa alteração”, destaca.

Para buscar um descanso mais saudável, a neurologista indica manter uma alimentação adequada, principalmente sem comer muito à noite, pois há um aumento do metabolismo e deixa a pessoa alerta. Além, claro, de ter as boas 8h dormindo.

“Além de manter uma prática regular de exercícios físicos, a orientação é que sejam feitos até as 18h. Como as atividades liberam adrenalina, pode dificultar o padrão do sono. E, obviamente, que todas essas orientações são gerais e adequadas a serem seguidas. Mas conforme a qualidade de vida, às vezes é difícil seguir tudo”, salienta.

Outra dica é ao sentir vontade de dormir, ir diretamente para a cama. “Temos que saber que a cama é feita para dormir e fazer sexo. Ficar lendo, assistindo televisão ou mexendo no celular, realizando algum trabalho, nada disso deve ser feito. Isso impede que o sono inicie com todas as fases programadas” conclui.

Quais as patologias do sono mais comuns?
As doenças mais comuns do sono, conforme esclarece a médica, são apneia, hipersonia e as parassonias. Luciana também destaca que inúmeras doenças neurológicas estão associadas a elas. “São exemplos o Parkinson – associada a distúrbio comportamental do sono REM e também à apneia. Quadros demenciais também relacionados à apneia. Então, quando vamos tratar inúmeras doenças, é preciso investigar se não há nenhuma enfermidade do sono associada à doença neurológica”, relata.

A importância da rotina
Luciana ainda informa que é importante manter hábitos e rotinas, desde recém nascido, para uma boa qualidade do sono. “Como por exemplo, ter horário certo para tomar banho. E que seja mais no fim do dia. Tentar diminuir a claridade no ambiente e mantê-lo mais quieto também contribui para induzir o organismo da criança a ir secretando os hormônios e todas as substâncias necessárias para iniciar a manutenção do sono”, diz.

Natália Stiehl, mãe da Maria Antônia Stiehl Rosa, afirma que a bebê dorme muito bem. “Eu estabeleci uma rotina para ela dormir desde a segunda semana de vida dela. Todos os dias, no mesmo horário, dou banho, ponho chá de camomila na água. E depois ela mama e dorme. O banho relaxa os bebês”, defende.

Quando nasceu, ela dormia 2h, segundo a mãe. Depois o período de repouso foi aumentando. “Hoje, com 2 meses, ela chega a descansar por 8h ininterruptas. Eu vi muitos vídeos de ajuda na internet com relação ao sono do bebê e quando ela dorme eu durmo”, brinca.
Natália expõe que é necessário fazer tudo igual sempre, respeitando horários. “É de 5h a 8h no primeiro bloco de sono e de 2h a 3h no segundo”, conclui.

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