alunos da Escola Adão Martini se arriscam diariamente para poder estudar. Pais reivindicam o transporte.

Entre o mato alto e o tráfego intenso da BR-386, alunos da Adão Martini correm risco ao irem a pé para a instituição

No início das aulas deste ano, os alunos da Escola Estadual Adão Martini, localizada na comunidade de Vendinha, tiveram uma mudança inesperada na rotina. Para chegar até a instituição, alguns deles estão sendo obrigados a fazer o percurso a pé em meio ao mato alto das estradas e o período do movimento intenso da BR-386, próximo do trajeto.

A novidade tem tirado o sossego dos pais, que estão preocupados quanto à segurança dos filhos nessa nova jornada. O transporte escolar, que antes fornecia carona a todos os alunos, passou a ter restrições, ao forçar os que moram mais próximo da Adão Martini a irem caminhando.

Os princípios constitucionais de condições de acesso e permanência na escola competem ao Estado e Municípios, a responsabilidade de oferecer meios para transportar os estudantes quando a distância for superior a 2 quiômetros de distância entre a residência e a escola, independentemente de residirem na zona urbana ou rural. Antes desse limite, é responsabilidade é dos pais.

No entanto, a mãe de dois alunos da escola, Raquel Teixeira, 50 anos, disse que é a primeira vez que isso acontece. “Os motoristas sempre levavam as crianças, independente da distância”, comenta a mãe, alegando que não há nada na lei que impeça as caronas dentro desse limite de 2 km, apenas que obrigada a partir desse perímetro. Agora ela faz parte de um grupo de pais que mudaram toda a rotina para buscar os filhos na escola por medo do perigo que eles são expostos.

A escola Adão Martini fica localizada na beira da BR-386, assim, além do perigo diante do tráfego intenso dessa rodovia, os estudantes de ensino fundamental ainda enfrentam o mato alto em alguns pontos do percurso. “Eu fico com o coração na mão, pois não é sempre que eu posso buscar meus filhos porque eu trabalho, então o jeito é ligar do serviço para saber se eles chegaram bem em casa”, lamenta Teixeira.

O microempresário Jeferson da Silva, 47, explica que tem feito um verdadeiro “malabarismo” com a esposa para poder buscar a filha de 11 anos. “É um absurdo o transporte escolar sair todos os dias com lugares vazios e não poder oferecer caronas para todas as crianças, como sempre foi”, disse Silva, que teme o pior não só com a filha, mas com qualquer aluno.

Sem resposta
Procurada pela reportagem no dia 9 de março, a secretaria municipal de Educação e Cultura não se manifestou até o fechamento dessa edição.

Carona de desconhecidos chama atenção
Alguns pais relatam que já presenciaram pessoas desconhecidas oferecendo carona aos estudantes. O aposentado Paulo Antônio de Oliveira, 62, tem medo de algo que ele define por “tragédia anunciada”.

“Uma vez eu vi um condutor de um carro estranho parando e três crianças entraram no veículo, isso ainda vai dar errado”, alerta o aposentado que, embora os filhos não estejam na situação desse grupo de alunos, ele se preocupa.

“Eu sou pai, sei dos riscos que essas crianças estão correndo diariamente”, acrescenta o aposentado.

Deixe seu comentário