“Eu venho aqui para deixar as pessoas alegres”, declara o artista, com orgulho

Aos 75 anos de idade, aposentado se dirige ao Centro todas as manhãs para apresentar sua arte e alegrar as ruas

De Venâncio Aires, mas morador de Montenegro há 53 anos, o aposentado José Nelson da Silva tem, há cinco, uma rotina diferente em suas manhãs. Em todos os dias da semana, ele pega o seu violino e, de casa, no bairro Centenário, vai para a Praça Rui Barbosa apresentar sua arte. Em pleno centro montenegrino, toca clássicos de Mozart, Bach, Verdi e outros renomados artistas da música clássica.

“Eu venho aqui para deixar as pessoas alegres. A música faz bem para o ser humano”, declara, entre uma música e outra. José Nelson carrega consigo um ensinamento do famoso violinista holandês André Rieu, que, antes dos seus espetáculos, sempre declara que, com sua música, irá aquecer os corações do público. E é isso que o venâncio-airense busca na Rui Barbosa.

Com o tempo no local, ele angariou diversos amigos, que se reúnem para escutar as melodias, tomar chimarrão e conversar com o artista. Dos que passam, as crianças são as que mais se agradam com a apresentação. “Elas dançam e sorriem”, comenta. Dentre os adultos, no entanto, muitos caminham com os olhos vidrados nos celulares e, presos à rotina, nem mesmo percebem o que lhes é oferecido.

José Nelson sempre trabalhou com música. Dá aulas de violino e de acordeão e, hoje, toca em um restaurante nos finais de semana. Antes da aposentadoria, foi militar da Brigada e, por anos, tocou na banda da corporação. Na Praça, hoje, apesar de não ser o intuito, aceita de bom grado as gorjetas que lhe dão. “Mas é primeiro para trazer alegria e também para o meu treino”, garante. “O violino é muito difícil e aqui eu consigo praticar. Quem não pratica não é músico”, define, com sabedoria.

O artista – hoje com 75 anos de idade – aprendeu a arte do violino desde jovem. Com experiência, ele ressalta que é preciso que o gosto pela música clássica seja mais incentivado hoje em dia. “Sem atacar um ao outro, eu acho que é preciso dar mais valor à musica de verdade. A música clássica e também a música brasileira de Pixinguinha, Zequinha de Abreu e Ernesto Nazareth. São músicas que não morrem nunca”, declara.

Forte relação com a fé
O “violinista da Praça” tem forte relação com a fé. Durante a reunião de seus espectadores, ele aproveita a atenção para também divulgar um grupo de orações que ele ajudou a fundar. A música, ele explica, tem relação com a religião. “Quem reza cantando, reza duas vezes. Um instrumento é algo que eleva o espírito”, explica.

O Grupo de Oração Jesus Misericordioso encontra-se em todas as noites de quinta-feira, na Capela Nossa Senhora do Rosário, para orar. “Nós estamos em uma época em que se precisa de muita oração”, avalia. Além da alegria com a música, José Nelson trabalha para disseminar a fé.

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