Em 516 dos 5.570 municípios brasileiros o câncer já é a principal causa de morte. Em nossa região, seis municípios têm a doença como a principal causa de morte: Capela de Santana, Portão, Salvador do Sul, São José do Hortêncio, São José do Sul e Vale Real. Em números absolutos, a situação mais preocupante é em Portão, onde foram identificadas 62 mortes causadas por câncer, dos 224 óbitos observados.

Quando são analisados os dados percentuais, Vale Real tem o resultado mais alarmante: 52% dos 25 óbitos, foram ocasionados pela doença. São José do Sul vem logo atrás, com 39% dos casos, e Capela de Santana em seguida, com 30%.

MUNICIPIO HABITANTES ÓBITOS POR CÂNCER TAXA 10.000 ÓBITOS TOTAIS % de mortes por câncer
Vale Real 5.548 13 23,43 25 52%
São José do Sul 2.260 7 30,97 18 39%
Capela de Santana 11.289 19 16,83 64 30%
São José do Hortêncio 4.463 8 17,93 28 29%
Portão 33.994 62 18,24 224 28%
Salvador do Sul 7.315 10 13,67 39 26%

Os dados mostram que a maior parte das cidades onde o câncer já é a principal causa de morte está localizada em regiões mais desenvolvidas do País, justamente onde a expectativa de vida e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são maiores. Dos 516 municípios onde os tumores matam mais, 80% ficam no Sul (275) e Sudeste (140). O Rio Grande do Sul é o Estado com o maior número de municípios (140) onde o câncer é a primeira causa de morte.

O levantamento inédito feito com base nos números oficiais mais recentes do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM). De acordo com a análise do Observatório de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a doença avança a cada ano e, com a manutenção dessa trajetória, em pouco mais de uma década as neoplasias serão as responsáveis pela maioria dos óbitos no Brasil.

Para a coordenadora do movimento e presidente e da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE), Merula Steagall, a expectativa é de que o estudo contribua para um melhor planejamento das ações de controle, prevenção e tratamento da doença no Brasil. “O aumento da mortalidade pela doença aqui está relacionado, também, às dificuldades enfrentadas pelo paciente para o diagnóstico e para o acesso ao tratamento. Diversos tipos de câncer são preveníveis e outros têm seu risco de morte significativamente reduzido quando diagnosticado precocemente. Nosso objetivo é alertar e engajar os múltiplos atores a somarem esforços no combate ao câncer”, destacou Merula.

Já o 1º secretário do CFM, Hermann von Tiesenhausen, enfatizou a importância de se discutir o avanço do câncer, especialmente no momento em que os candidatos a cargos eletivos elegem suas prioridades para as Eleições Gerais de 2018. “Este diagnóstico revela um grave problema de saúde pública que, a cada ano, assume maior relevância na lista de prioridades dos gestores. Na visão do CFM, é preciso envidar todos os esforços para conter essa epidemia e manter a obediência às diretrizes e aos princípios constitucionais que regulam a assistência nas redes pública, suplementar e privada no Brasil”.

Deixe seu comentário