Veículo foi carregado em Porto Alegre e faria a primeira entrega em Lajeado

Crime. Mercedes Benz 710 foi atacado por cinco criminosos na rodovia e vítima foi colocada no porta-malas

Nervoso, com as mãos trêmulas e a voz embargada. Dava a impressão de a qualquer hora cair em prantos. Assim o motorista de caminhão Adimilson Vieira de Oliveira, 41 anos, contou à reportagem do Jornal Ibiá como foi o assalto sofrido por ele na noite dessa quarta e madrugada de quinta-feira. O crime começou por volta das 23h40min na BR-386, quando houve o ataque na rodovia, entre Montenegro e Tabaí.

Assaltantes arrobaram as portas do baú para roubarem a mercadoria

Oliveira conduzia o Mercedes Benz 710 de uma transportadora carregado com cosméticos, pneus e outras mercadorias desde Porto Alegre. Faria a primeira entrega em Lajeado, depois seguiria para Santa Cruz, Santa Maria e Rosário do Sul. Mas, antes de chegar ao destino, foi abordado por uma quadrilha.

De acordo com relatos do motorista, um Honda Civic de cor clara deu sinal de luz atrás do veículo de carga. Adimilson deu passagem. Foi quando o carro tomou a dianteira e um dos cinco ocupantes do carro atirou na direção do caminhão após mostrar a arma para a vítima. Ele não soube dizer se o disparo foi certeiro ou não. Um dos meliantes também quebrou o vidro dianteiro do caminhão com um ferro.

Obrigado a parar, um dos homens, que estava encapuzado e armado, entrou no Mercedes Benz e mandou o empregado da transportadora dirigir sem olhar para ele. “Eu só pedia para não fazerem nada comigo porque tenho três filhas. Achei que fossem me matar”, conta Adimilson, lembrando a noite de pavor vivida. Apesar da truculência da quadrilha e dos momentos de tensão, ele não ficou ferido.

Após rodar por algum tempo, o criminoso mandou o motorista parar e o colocou dentro do porta-malas do Honda Civic e um dos indivíduos assumiu a boleia. Depois de os assaltantes arrombarem as portas traseiras do baú do caminhão e transportarem toda a carga para outro veículo. Enquanto realizavam a ação, a vítima seguia refém. “De vez quando, um deles batia no porta-malas e perguntava se eu estava bem. Pedia para eu ficar calmo e dizia que não fariam nada comigo”, conta o motorista, que apesar disso, ainda temia pelo pior.

Adimilson foi liberado com o caminhão em uma estrada vicinal próximo à ERS-124. “Disseram para eu dirigir em linha reta e não olhar para trás”. A vítima se deslocou até uma empresa do Polo Petroquímico, em Triunfo, onde buscou socorro e a Brigada Militar foi acionada, os policiais do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM). O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) vai investigar o caso.

Há apenas três meses no emprego
Adimilson Vieira de Oliveria dirige o caminhão da empresa há apenas três meses e já foi vítima de um assalto. Traumatizado, mas sem condições de abandonar o emprego com o qual sustenta a família, ele planeja pedir a empresa para não transportar mais cargas valiosas. Uma alternativa, segundo ele, fazer a entrega de jornais do Grupo RBS, um dos serviços prestados pela empregadora.

O segundo caso semelhante em um mês
Esse foi o segundo roubo de carga ocorrido na região em um mês. No dia 12 de dezembro, um caminhão da Magazine Luiza foi assaltado na ERS-240, em Capela de Santana. Pelo menos três indivíduos encapuzados e armados abordaram o veículo e fizeram o motorista dirigir por algum tempo. Em seguida, eles colocaram o profissional no porta-malas de um Gol branco e o soltaram logo depois na Vendinha, no limite entre Montenegro e Triunfo.

O veículo de carga foi encontrado em Montenegro, na rua Osvaldo Aranha. De acordo com a Brigada Militar, um cidadão viu o caminhão da empresa parado na rua e, ao estranhar os indivíduos passando a mercadoria para outro veículo, chamou a polícia.

Foram roubados, principalmente, eletroeletrônicos. O motorista vinha de Caxias do Sul e realizaria a entrega na loja de Montenegro. O delegado Marcos Eduardo Pepe, respondendo pela Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), ressalta que apenas a investigação do Deic poderá comprovar se os dois crimes têm alguma relação ou não.

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