O aposentado Erni Derlam leva uma sacola plástica para colocar o lixo encontrado na rodovia

Casal percorre três quilômetros diários e recolhe o lixo encontrado ao longo do trajeto, na BR-470, em Montenegro

“Um dia, a natureza vai cobrar”, diz o aposentado Erni Eri Derlam, aos 84 anos. A afirmação vem de quem caminha três quilômetros por dia e vê a quantidade de lixo aumentar cada vez mais nas margens da rodovia BR-470, em Montenegro. Para colaborar com a natureza, Erni recolhe diariamente os resíduos deixados por motoristas e pessoas que não se preocupam com o meio ambiente.

Erni e Nelma são casados há quase 60 anos e caminham diariamente há mais de uma década pela BR-470

Conforme o idoso, as latinhas de alumínio são os resíduos mais encontrados. “As latas nunca mais terminam na natureza. Junto e vendo elas”, diz. Os demais papeis e plásticos recolhidos durante o trajeto são levados para casa. “De vez em quando, eu até levo uma sacola para ter onde colocar”, afirma.

A esposa de Erni, Nelma Catarina Derlam, 77 anos, diz que os materiais arrecadados do chão são ensacados, pois se o procedimento não for esse, o caminhão de recolhimento não leva. O casal repete o ato em outros locais, como na praia, por exemplo. “A gente cuida e também recolhe o lixo que encontra na praia”, revela Nelma. O marido afirma que, no litoral, o perigo ainda é maior, pois os resíduos vão para o mar.

Juntos, os aposentados dizem que faltam respeito e consciência às pessoas, principalmente aos mais jovens. “Eles comem algo e atiram os papeis no chão ou pela janela do carro”, analisa Nelma. No entanto, outros tipos de lixo são encontrados perto da estrada, como televisões e equipamentos eletrônicos.

Caminhada saudável pautada pelo companheirismo
Enquanto realizam um bem à natureza e um serviço desnecessário se todos colaborassem e destinassem o lixo ao seu local correto, Erni e Nelma Derlam aproveitam e realizam uma caminhada benéfica também à saúde. Após residirem por 31 anos no centro da cidade, os dois retornaram para mais perto das terras onde nasceram, na localidade de Faxinal, nas imediações da empresa Comexi.

Há 13 anos, Erni sai de casa assim que o dia começa a clarear. O percurso já era maior, até a localidade de Campo do Meio. Agora o idoso caminha três quilômetro, ida e volta, por cerca de uma hora. “A médica disse que é muito saudável caminhar. Foi difícil começar, mas agora não paro mais”, diz o simpático senhor, que promete manter a rotina enquanto puder. Nelma acompanha o marido sempre que pode, reafirmando o companheirismo de uma união que já dura quase 60 anos.

Nem mesmo o frio atrapalha a vontade da dupla de aposentados. “No inverno, a gente se agasalha mais e vai. Não tem problema”, revela Erni. Ele afirma que, em dias de geada, quando os caminhões passam, o frio é sentido com mais intensidade.

Todos os cuidados possíveis são tomados por Nelma e seu esposo, tendo em vista o grande movimento e a falta de acostamento pela BR-470. Eles garantem que não é muito seguro transitar a pé pelas margens da via, porém, realizam o procedimento correto para caminhar onde o tráfego de veículos é intenso. “A gente anda no sentido contrário ao dos carros”, conta Erni.

Histórias felizes e cenas tristes ao longo do caminho
Entre risos, o solidário Erni Eri Derlam revela que encontra muitas moedas no trajeto feito diariamente. Porém, certo dia, uma quantidade maior de dinheiro foi encontrada na lateral do asfalto. Eram três notas de R$ 100,00. O aposentado pegou os R$ 300,00 e guardou. “Levei no banco para conferir se eram falsas ou não”, revela.

O ex-mecânico também aponta algumas cenas lamentáveis, como as dos animais mortos ao longo da estrada. “Muito bicho aparece morto de manhã. Já encontrei até cavalos atropelados”, conta o idoso. Por ser uma área com bastante mato e a velocidade dos veículos ser alta, os atropelamentos de animais são rotineiros.

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