José Cândido e Verônica com as filhas de quatro patas: Raica e Betina. Foto: doc photos

José Cândido e Verônica oficializaram sua união, mas quem ganhou os presentes foram os animais abandonados

A celebração da cerimônia foi uma maneira de formalizar uma união que já existe há vários anos; a comemoração, uma forma de compartilhar com amigos e parentes um momento de alegria. Casamento, no entanto, também lembra presentes. No casório dos advogados José Cândido Jordão e Verônica Costa quem os recebeu foram os animais abandonados e vítimas de outros tipos de maus tratos.

“Moramos juntos há 13 anos, então decidimos oficializar o casamento”, observa Verônica. Os amigos questionaram sobre a lista de presentes e, ao pensar nisso, o casal decidiu que os animais seriam presenteados. Ela acrescenta que a iniciativa partiu de José. Considerando que já tem o necessário em uma casa, o casal optou por transformar a tradição de presentear os noivos em um ato solidário.

A escolha foi por beneficiar os animais, uma vez que já ajudam grupos organizados que se dedicam a essa causa. Com essa definição, o passo seguinte foi operacionalizar a forma de receber as doações. “Pensamos que poderia ser um transtorno aos convidados levarem ração no casamento, então sugerimos a doação em dinheiro”, recorda. A proposta é mencionada no convite.

Sem sugerir valores, a doação foi espontânea e podia ser anônima. Foi colocada uma urna para receber os envelopes com as contribuições para serem distribuídas a organizações sem fins lucrativos, que se dedicam aos animais abandonados ou em situação de risco. A ideia foi bem recebida pelos convidados, que elogiaram o desprendimento dos noivos em abrir mão de ganharem presentes.

A iniciativa vai ao encontro das atitudes do cotidiano do casal, pois já auxiliam vários animais. Eles têm duas filhas de quatro patas em casa: Raica e Betina — duas cachorras que já moram com o casal há quase 12 anos e não gostam de dividir seu espaço com outros cães.

Por isso, não raro Verônica e José precisaram encontrar lares temporários ou definitivos para cães que já recolheram na rua. Ela menciona um dos casos que lhe marcou mais pela brutalidade da situação. Trata-se de um cachorro que fora agredido e perambulava pela rua Júlio Renner, a Via II. O cão foi levado ao veterinário e a suspeita é que tenha sido ferido com faca. Além de pagar o tratamento, o casal custeou também a castração e ainda conseguiu uma família para adotá-lo.

Para ela, praticar a solidariedade é importante e cada um deve escolher a causa com a qual se identifique mais para ajudar. “E a que eu me identifico é a dos animais”, afirma.

Verônica observa que o problema de abandono de cães é preocupante em Montenegro e o combate deveria receber mais atenção do poder público. A advogada entende que deveria haver um programa de atendimento aos que estão em situação de risco, bem como incentivo à castração, pois é a forma de combater a procriação desenfreada, uma das principais causas do abandono.

Formas de ajudar animais abandonados

Deixe vasilha com água e ração na calçada.
Se você vir um animal ferido, reflita se você mesmo pode providenciar o atendimento médico. Lembre-se que o trabalho das ONGs é feito por voluntários e não há razão para pensar que é uma obrigação deles.
Se você não pode ou não quer ficar com o animal depois de recolhido, divulgue o caso para encontrar alguém interessado em dar-lhe lar temporário ou mesmo adotá-lo.
Apadrinhe uma castração
Colabore com grupos organizados de protetores de animais, faça doações, participe dos eventos beneficentes, compre produtos personalizados dessas instituições.
Em Montenegro, temos a Amoga, o Cachorreiros e Gateiros e o Katami, que sobrevivem com o trabalho voluntário de seus integrantes, doações e promovendo eventos beneficentes. Todos têm contato via Facebook.

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