Homero Souza costuma levar o bisneto Bernardo para brincar na praça, atividade mais saudável que a internet

Especialista sugere algumas brincadeiras tradicionais que ajudam na interação e estimulam várias habilidades

“É importante brincar ao ar livre”, observa o aposentado Homero Souza, 74 anos, enquanto embala o bisneto Bernardo, três anos, na Praça São Pedro, no bairro Timbaúva. Ele mora próximo ao local e gosta de levar o menino para aproveitar os brinquedos.

O aposentado comenta que hoje as pessoas ficam muito tempo conectadas, inclusive as crianças, principalmente através dos smartphones. Ele recorda algumas brincadeiras que eram comuns na sua infância. “Eu jogava bolita, brincava de ovo-podre”, exemplifica. Seu Homero conta que os filhos e netos ainda brincaram com bolita. “Eu brincava junto com eles”, recorda, sorrindo. “Mas hoje a gente não vê mais isso”, acrescenta.

Ao lado da filha Isabela e da sobrinha Ana Clara, Rodrigo observa que brincar é importante para as crianças

O cabeleireiro e barbeiro Rodrigo Sena, 28 anos, aproveita o dia ensolarado para levar sua filha, Isabela, 7 anos, e a sobrinha, Ana Clara, 6 anos, para brincarem na praça. Para ele, esses passeios são saudáveis e necessários para o desenvolvimento das crianças. Na sua infância, gostava de brincar com bolita e, na adolescência, de jogar “stop”. Ele conta que as meninas já brincaram de jogar sapata, também conhecido como “amarelinha”, mas normalmente as idas à praça são para aproveitar os balanços.

Brincar faz parte do universo infantil e é fundamental para o desenvolvimento saudável. Para a psicopedagoga especialista em educação e em educação especial, Ana Regina Caminha Braga, a criança precisa experimentar, ousar, tentar e conviver com as mais diversas situações. Assim como, deve brincar com outras crianças, com adultos, com objetos e com o meio. A especialista separou cinco brincadeiras bem tradicionais que podem ajudar no desenvolvimento dos pequenos. São opções desconhecidas para boa parte da nova geração, mas que estimulam o desenvolvimento de diversas habilidades e ainda proporcionam aos pais, avós e bisavós, relembrarem a infância e a brincarem juntos.

Confira algumas brincadeiras e a opinião da especialista
Stop
Separem canetas e folhas de papel. Agora escolham as categorias, por exemplo, nome, animal, cor e frutas. Façam uma tabela com colunas e coloquem uma categoria em cada uma delas. Todos reunidos, é a vez de falar “o stop” e cada um coloca a mão com quantos dedos quiser (um, dois, cinco). O número total é a letra do alfabeto da jogada (13 equivale à letra M). Todos escrevem em suas tabelas, o mais rápido possível, palavras que comecem com a letra escolhida e se encaixem naquela categoria. Quem terminar de preencher primeiro diz “stop” e todos param. Feito isso, é só contabilizar 5 pontos para palavras repetidas e 10 pontos para palavras diferentes. Vence quem tiver o maior número de pontos ao final da tabela.
Palavra da especialista: Stop é um clássico. Brincando, você trabalha a interação e a comunicação. Você ajuda a criança a desenvolver habilidades como raciocínio, memória, agilidade, espírito de competição e liderança.

Ilustração: Divulgação/ P+G Comunicação Integrada

Sapata ou Amarelinha
Joga, pula, agacha e pega a pedrinha! Tudo isso sem pisar na linha, é claro. Para essa brincadeira, desenhe um caminho no chão e divida-o em casas numeradas de 1 a 10. Jogue a pedrinha em ordem numérica, primeiro o 1, depois o 2 e assim por diante – vale lembrar que a criança não pode pisar na casinha que estiver com a pedrinha – ela deve pular, sem pisar nas linhas, até o final do trajeto. Ao chegar, deve retornar, apanhar a pedrinha e recomeçar, dessa vez, atirando a pedra na segunda casa e depois nas seguintes até passar por todas. O participante não pode pisar, perder o equilíbrio ou jogar a pedra na risca nem atirá-la fora da risca. Se isso acontecer, ele volta para o início. Vence quem completar o caminho primeiro.
Palavra da especialista: com essa brincadeira, a criança trabalha a questão de lateralidade, seu equilíbrio, a matemática, a lógica e a compreensão do que deve ser feito.

Ilustração: Divulgação/ P+G Comunicação Integrada

Passa Anel
Tudo que você vai precisar aqui é de um anel e um espaço para sentar com as crianças. Para começar o jogo, uma criança fica com o anel, enquanto as outras do grupo se sentam uma ao lado da outra com os braços apoiados no colo e com as palmas das mãos unidas. A criança com o anel deve passá-lo entre a palma das mãos dos amiguinhos. Quando resolve parar, abre as mãos mostrando que estão vazias e pergunta para um dos participantes: “Com quem está o anel?”. Se ele acertar, será o próximo a passar. Se errar, quem recebeu o anel é quem passa.
Palavra da especialista: com essa brincadeira, as crianças desenvolvem o trabalho em equipe, além do respeito ao próximo, já que tem que esperar a resposta e a participação de cada colega.

Pular elástico

Ilustração: Divulgação/ P+G Comunicação Integrada

Essa brincadeira é clássica e vai ficando mais difícil com a altura, que começa nos calcanhares e vai até o pescoço. O ideal é que duas crianças fiquem 2 metros afastadas uma da outra, enquanto a outra se posiciona no centro do elástico para fazer todos os movimentos da cantiga. Pode pular com os dois pés em cima do elástico, com os dois pés fora dele, saltar com um pé só e depois com o outro. Se errar, o participante troca de posição com um dos colegas que estão segurando o elástico, vence quem conseguir pular mais alto.
Palavra da especialista: essa brincadeira ajuda os pequenos a trabalhar com os movimentos do corpo, mobilidade e flexibilidade, além de servir como um exercício.

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