Tendo em vista o processo de carregamento, Everson alerta para o cuidado com a perda de vida útil do material

Se você acha que seu aparelho está dependendo muito da tomada para continuar ligado ou superaquece, cuidado!

É verdade que as baterias de smartphones têm vida útil? Comprei o celular novo, preciso fazer uma carga completa? Quanto tempo devo deixar carregando o telefone? Estas e outras perguntas desse gênero podem gerar dúvidas que parecem não ter solução. Atualmente, as baterias são leves, capazes de produzir alta densidade de energia e ainda são recarregáveis, mas o defeito delas ainda é a durabilidade.

Atualmente, as baterias são leves, capazes de produzir alta densidade de energia e ainda são recarregáveis, mas não duram muitas horas

Técnico em Informática e em manutenção de equipamentos eletrônicos, Everson de Castro, de 43 anos, diz que muitos clientes de sua loja, na qual atua consertando essa linha de equipamentos, perguntam como proceder com as baterias de seus dispositivos. “Simples, não usando enquanto o dispositivo está sendo carregado e controlando o uso de aplicativos que utilizam muita energia do aparelho, como os jogos”, comenta.

O funcionamento das baterias de lítio se dá através de uma reação física, que movimenta eletrodos e íons de lítio. Esse fluxo gera uma corrente elétrica, que alimenta os smartphones. Durante a descarga da bateria, os íons de lítio migram do ânodo para o cátodo, e os elétrons se movem através de um circuito externo na mesma direção dos íons. Esse movimento gera uma corrente elétrica que é enviada pelo circuito para que o dispositivo faça proveito dela. A carga é o inverso. Existe uma fonte de energia externa, o carregador, que aplica uma sobretensão, forçando os íons de lítio a passar na direção inversa. Quando não houver mais íons de lítio para serem atraídos, a bateria está carregada por completo.

Tendo em vista o processo de carregamento da bateria, Everson alerta para o cuidado da perda de vida útil do material. “O natural é que elas durem de três a quatro anos. No entanto, se você usar o celular na tomada, por exemplo, a bateria vai sendo afetada, pois o carregamento não gera de forma natural energia para proporcionar o funcionamento correto do aparelho ao mesmo tempo. Isso exige uma potencialização anormal da bateria, que gera superaquecimento, com possibilidade de danificar o sistema do celular e de estufar, podendo até promover uma pequena explosão”, diz.

Na primeira carga, preciso deixar 12 horas na tomada?
Everson afirma que o ideal é sempre fazer uma carga completa, que geralmente dura de duas a três horas. “Chegando a 100%, pode utilizar o aparelho. Evite, porém, utilizá-lo na tomada ou retirar antes do seu carregamento. Se for muito necessário, é tranquilo, mas não pode virar habitual”, comenta.

Caso o usuário precise comprar um carregador ou bateria nova, deve prestar atenção no tempo que leva para carregar. “Bateria que carrega muito rápido acaba muito rápido, não fornece qualidade e pode gerar danos ao aparelho”, afirma. O normal é que as baterias cheguem aos 100% entre duas ou três horas e durem menos de um dia, mas o desempenho depende dos aplicativos que serão utilizados. É importante também não deixar que o aparelho se desligue por falta de bateria, ou seja, assim que ele solicitar, já conectá-lo na fonte de energia e deixar carregando.

Fique atento às dicas
* Evite expor o equipamento e sua bateria a fontes de calor elevado;
* não tente remover uma bateria fixa. Alguns modelos são projetados com a bateria integrada e podem ser danificados caso a mesma seja removida por uma pessoa não especializada;
* não use materiais pontiagudos ou cortantes para desencaixar a bateria do smartphone;
* não tente abrir, cortar ou incinerar uma bateria;
* na hora do descarte, procure um local apropriado. Jogar esses itens em lixo comum pode causar danos ao meio ambiente;
* compre produtos (celulares e baterias) certificados pela Anatel. Todos devem ter o selo de aprovação da agência;
* utilize os acessórios originais do fabricante. Por exemplo: se o celular é original da Motorola, use um carregador original da Motorola para carregá-lo. Embora a entrada para o cabo USB permita a utilização de outros tipos de carregadores, essa ação pode gerar alguma falha no processo funcional do aparelho;
* evite usar a câmera por tempo muito prolongado, pois isso também superaquece a bateria;
* não carregue o celular enquanto faz atividades intensas, como jogar, pois será necessário desempenhar um processamento maior. A carga também aquece o aparelho, portanto, duas atividades que vão superaquecer pode danificar as células da bateria;
* não utilize GPS, wi-fi e dados móveis enquanto carrega o celular;
* atualmente, a carga noturna (ir dormir e deixar o aparelho carregando) não é problema. Os sistemas de carregamento identificam que não há mais necessidade de carga e “desligam” o carregador automaticamente.

Cuidado com o aquecimento
Uma das principais causas da inutilizarão das baterias começa com o aquecimento excessivo. Everson explica que quando ela superaquece, pode estufar e perde a durabilidade e a eficiência. “Podem acontecer curto-circuitos, que podem levar a explosões”, afirma o profissional. O ideal é que a bateria não ultrapasse os 45ºC. Portanto, se o smartphone estiver mais quente que a sua mão, mantenha-o em repouso até que a temperatura diminua.

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