Versão testada pelo Ibiá Motores, que possui todos os opcionais possíveis, está avaliada em R$ 62 mil. FOTO: Fiat/Divulgação

Traços marcantes fazem do Argo um carro de personalidade. Por dez dias, o Ibiá Motores testou a versão Drive 1.3, que tem se destacado pelo bom custo-benefício. Trata-se de um modelo bem equipado, com uma lista extensa de opções, mas há uma ressalva quanto ao câmbio automatizado GSR, que apresenta leves trancos e, às vezes, não faz as mudanças no momento mais adequado. O sistema de operação da caixa, um painel com cinco botões no console central (já aplicado no Uno e no Mobi), requer um período maior de adaptação do que os câmbios automáticos convencionais.

O hatch da Fiat é um carro com qualidades diversas, principalmente por dentro. Basta abrir a porta para perceber um bom espaço interno e, principalmente, um painel diferenciado que chega a sugerir luxo. Materiais plásticos estão presentes em toda a parte (em tecido, há apenas um detalhe no forro das portas), mas muitos apresentam textura bem trabalhada e acabada com direito até a uma faixa em cinza fosco no meio do painel. Os encaixes das peças não apresentam imperfeições e, para o motorista, a impressão é de um painel bem envolvente, o que sugere aconchego e conforto. Tem razão a montadora ao dizer que “você não dirige o Argo, você sente”.

Com sete polegadas e em posição “flutuante”, a central multimídia é um dos pontos fortes do Argo Drive. FOTO: Fiat/Divulgação

Para pessoas “espaçosas”, que costumam deixar chaves, celular, carteira, óculos, garrafa d’água, o console não dá conta de tudo, mas com jeitinho se acha lugar, porque se divide em dois níveis, com desenho arrojado. Além dos comandos do câmbio, ele traz saída auxiliar, tomada 12v e entrada USB. Há uma segunda entrada USB junto à alavanca do freio de mão. O painel tem saídas do ar-condicionado em forma arredondada e moderna, bem parecida com alguns modelos da Mercedes-Benz e até da Ferrari.

Outro lado bacana são os botões do controle de tração (ASR), acionamento do start&stop, pisca-alerta, travamento das portas e desembaçador bem no centro do painel, funcionando com toques para cima ou para baixo, algo pouco usual, mas prático, lembrando teclas de piano. Há porta-óculos para o motorista e a chave principal, em sofisticado formato canivete, traz comando elétrico do porta-malas. Na versão testada, os retrovisores são elétricos, têm repetidores de seta e, no engate da ré, se abaixam para facilitar a visualização dos meios-fios.

Nesses tempos em que a conectividade é um dos principais de fatores de decisão pela compra, o Argo Drive tem a seu favor a multimídia com tela “flutuante” de sete polegadas e alta resolução. É praticamente um tablet no meio do painel, com comandos bem à mão e de uso intuitivo, além da compatibilidade com os aplicativos Apple CarPlay e Android Auto, cujos comandos ocorrem por botões, toques ou voz. Basta você dizer o nome de uma música da playlist para que ela toque no sistema de som.

Entre o velocímetro e o conta-giros, ambos com grafismos que sugerem esportividade, há uma tela TFT de 3,5 polegadas e alta qualidade de imagem. Nela se pode visualizar a velocidade, o consumo, a pressão dos pneus, carga da bateria, temperatura do óleo, horas de uso do motor, aviso de porta mal fechada, e outros dados detalhados do computador de bordo.
Ainda sobre o interior, os donos do Argo não têm queixas como teto baixo demais ou espaço pequeno para as pernas dos passageiros do banco de trás. Pequeno inconveniente é o túnel central. O condutor encontra uma boa posição de dirigir, que não é nem baixa nem alta. O banco dele, assim como a direção, tem regulagem de altura.

Elétrica e progressiva, a direção se mostra leve durante manobras e, no trânsito, vai pesando mais à medida que o velocímetro sobe. O porém fica para manobras dentro de garagens e estacionamentos de shopping, por exemplo. Quando se calcula os centímetros para não encostar, o “casamento” entre motor e acelerador deveria ter ajuste mais fino. Há uma espécie de delay entre um toque bem leve no acelerador e a efetiva resposta do motor. Nos testes do Ibiá, em duas ocasiões com o carro parado para manobrar o motor se desligou pelo Star&Stop e, ao ser acelerado novamente, não respondeu. Foi necessário dar a partida outra vez. Outro ponto negativo é a largura da coluna A, que prejudica bastante a visibilidade em diagonal.

Um hatch muito bom em suspensão

Borboletas atrás do volante e comandos na direção tornam o ato de dirigir mais prático e confortável. FOTO: Fiat/Divulgação

No trânsito urbano, o Argo segue a tradição da Fiat em ter carros com torque mais baixo nas arrancadas e ganho gradativo de velocidade, ou seja, o motor vai mostrando a sua potência à medida que passa dos 1.500 giros. O câmbio GSR na posição Drive não permite “espichar” cada marcha e, às vezes, se apressa em fazer as trocas para reduzir o consumo. O Ibiá Motores saiu da rua Ramiro Barcelos, pegou a RSC-287 rumo ao bairro Centenário e, pouco antes do fim do trecho de lomba, o carro mudou para quinta marcha, o que o fez chegar à ponte seca sem muito pique. Então, se o motorista quiser uma tocada com respostas mais imediatas, terá de colocar na posição Sport e as trocas pelas “borboletas” atrás do volante. Neste caso, entre uma troca e outra, sente-se o corpo levemente projetado à frente.

Calçado em pneus 185/60 R15, o hatch da Fiat tem vocação para curvas. As oscilações da carroceria são mínimas, uma característica incomum, mas bem positiva, para os carros da marca. O largo entre-eixos (2,52m), os controles eletrônicos de estabilidade e tração mais o acerto da suspensão deixam o carro sempre na mão, sem sustos, em rodovias. Ao enfrentar a buraqueira, caso das ruas do bairro Industrial, por exemplo, o sistema faz um trabalho bom, sem batidas secas nem exagerados sacolejos.

O motor Firefly 1.3 roda com boa disposição e, com pé leve, se consegue atingir médias de 15 km/h em uso rodoviário. Entre 110 e 120 km, o nível de ruído é percebido, já que os giros rondam a casa dos 3.500 rpm. Conforme a Fiat, ele gera 101 cv e torque de 13,7 kgfm com gasolina, e, com etanol, 109 cv e de 14,2 kgfm, respectivamente. A velocidade máxima é de 180 quilômetros por hora com gasolina no tanque, enquanto o 0 a 100 é de 11,8 segundos, conforme a Fiat.

Os bancos têm forração distante do sofisticado, mas são macios o suficiente para um nível de conforto em conformidade com a proposta do carro. Por fora, notou-se a ausência dos frisos laterais, que são bem úteis quando se abre as portas em espaços apertados. Condutor e passageiro dianteiro encontram uma facilidade curiosa: desembarcam com facilidade, já que o vão da porta e o chão do carro têm baixo desnível. Na prática, você sai do carro sem ter de levantar tanto a perna. O porta-malas tem capacidade para 300 litros, número que, nesta categoria, fica atrás apenas do Sandero, que possui 320 litros.

Equipamentos

Comandos do câmbio automatizado ocorrem por
botões no console central, o que exige um certo tempo, até que o condutor se acostume ao uso. FOTO: Fiat/Divulgação

Sistema de monitoramento da pressão dos pneus, central multimídia de 7 polegadas com conexão para os sistemas Apple CarPlay e Android Auto, volante com comandos do rádio e telefone, duas portas USB (uma delas voltada aos passageiros traseiros), controle de tração, controle eletrônico de estabilidade, assistente de partida em rampa, Isofix para fixação de cadeiras infantis, controle de velocidade de cruzeiro, apoia braço para o motorista, vidros elétricos dianteiros e traseiros, retrovisores externos elétricos com função tilt down e repetidores laterais.

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