Motorista do Uber, Marcelo Roxo foi morto na estrada do vapor Velho

Investigação tem imagens que mostram o acusado dirigindo carro da vítima

O menor de idade preso ontem sustentou a versão de latrocínio (matar para roubar) para o assassinato do motorista do aplicativo Uber, Marcelo Gabriel Lisboa Roxo, de 23 anos. O corpo foi localizado no domingo à noite, na estrada entre Santos Reis e Vapor Velho, interior do Município. O acusado, de 17 anos, foi identificado rapidamente graças ao rastro que deixou, chamando a atenção de populares que o denunciaram. Já na segunda-feira, 24 horas após o crime, ele foi localizado pela Polícia Civil (PC) na localidade de Costa da Serra, interior de Montenegro.

O jovem estava na casa de um primo, possivelmente onde passou o final de semana. Os pais relataram ontem na DPPA que desde sexta-feira não viam o rapaz. A família viveu por algum tempo na Costa da Serra, mas hoje mora em Portão. Nesta passagem por Montenegro, acreditam os pais, o filho se envolveu com o consumo de drogas, haja vista que o tráfico seria muito forte naquela comunidade. Disseram também que o rapaz não saberia manusear um revólver.

Marcelo Roxo em frente ao Corsa que usava como motorista do Uber Foto: Facebook

Todavia, assim que foi preso por agentes da 1ª DP, o acusado confessou o crime, dizendo que sua intenção era roubar. Mas ontem, ele não portava nada que o ligasse à vítima, tampouco a arma usada foi encontrada. Mas baseado em denúncias, o Setor de Investigações (SI) conseguiu imagens do sistema de segurança de um posto de combustíveis onde o acusado chegou dirigindo o Corsa Classic de Marcelo. Ele foi ao local para tentar vender a arma do crime para um popular.

O veículo da vítima foi encontrado na tarde de ontem, abandonado na cidade de Portão. O delegado da 1ª DP, Eduardo Azeredo, acredita que o menor tenha cometido o crime sozinho, tendo atraído a vítima para uma emboscada. A investigação ainda aguarda que a empresa do aplicativo Uber colabore com informações a respeito da chamada realizada para Marcelo. Isso permitirá confirmar se a corrida foi contratada pelo sistema, como afirma o acusado, ou em chamada direta no telefone do motorista.

Vítima foi morta com tiro na nuca após ficar no porta-malas
A forma como o Uber foi chamado tornou-se importante a partir do relato de uma testemunha à Polícia Civil. Essa pessoa informou que, há alguns dias, Marcelo comentou que transportou um traficante carregando uma carga de drogas. Mas o motorista não entrou em detalhes, logo, não há confirmação se essa corrida aconteceu em Montenegro e se envolvia o menor executor.

Aos agentes, o acusado confirmou que é usuário de cocaína, mas não falou nada a respeito de transporte de drogas ou se conhecia a vítima. Marcelo é militar do Exército, boina azul da ONU, esteve na Missão de Paz no Haiti. Era morador de São Leopoldo e fazia Uber como renda extra. Ele trabalhou na madrugada de sábado para domingo, turno no qual foi chamado para realizar uma viagem entre Portão e Maratá.

Por volta das 8 horas, o motorista ainda fez contato com a família por meio do WhatsApp. Em depoimento, o acusado explicou que Marcelo suspeitou da mochila onde ele carregava o revólver e passou a fazer muitas perguntas. O rapaz então resolveu sacar a arma e render o motorista, obrigando-o a entrar no porta-malas do Corsa. A vítima permaneceu neste lugar por mais de três horas, enquanto o agressor rodava.

Inclusive, quando chegou ao posto de gasolina, Marcelo ainda estava vivo no porta-malas. Como se sentiu ameaçado, guiou até a estrada que liga Santos Reis a Vapor Velho. Era em torno do meio-dia, ele mandou Marcelo sair do porta-malas e deitar no chão. O jovem observou então que a vítima “era muito grande” e tentou levantar rápido, então, temendo uma reação, desferiu um tiro na nuca. A execução teria sido exatamente onde o corpo foi encontrado.

Agricultor ficou chocado com a cena
Um produtor rural de Santo Reis encontrou o cadáver no fim da tarde, início da noite de domingo. “Voltava de Brochier de carro com a esposa pela estrada do Vapor Velho. Ela me chamou a atenção e eu desci pra ver”, relata o produtor, que chamou a Brigada Militar. “Isso aqui é uma calmaria, nunca passamos por essa situação”, explica o morador, que não quis ser identificado.

Outra moradora da localidade rural de Montenegro, Dulce Klein, teria relatado à Polícia que ouviu disparos de arma de fogo, mas isso foi por volta das 16 horas no dia do crime. Isso cria um hiato no tempo corrido entre o início da viagem e ainda o tempo que o jovem diz que andou com a vítima sequestrada. A perícia encontrou R$ 200,00 em dinheiro nas meias de Marcelo, o que deixa dúvida também quanto ao latrocínio.

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