Cleci (de azul) e a irmã Joracilda se reencontraram no último Natal, após longos 53 anos de espera. foto: arquivo pessoal Juliana Wiebling

Uma história de desencontro vivida por duas irmãs catarinenses foi revertida e produziu momentos de grande emoção em Capela de Santana. Separadas ainda na infância, há 53 anos, quando os pais se divorciaram, Joracilda Scorteganha, Cleci e Odete Giacomoni cresceram em lares diferentes, sem a oportunidade da convivência. Os laços de sangue, porém, sempre falaram mais alto.

Joracilda, a mais velha, permaneceu com os pais, porém Odete, filha do meio, teve seu destino entregue a uma família de São Miguel do Oeste, em Santa Catarina, e a mais nova, Cleci, mãe de Juliana Wiebling, narradora dessa bela história, foi adotada por um casal de Romelândia, que depois mudou-se para Cunha Porã, também em Santa Catarina.

As irmãs Odete e Cleci, pela proximidade das cidades, ainda conseguiram manter certa convivência e vínculo, mas, de Joracilda, ambas não tiveram mais notícias. “Achávamos que o nome era Joiraci. Mas sempre procuramos por ela, com a única informação de que residia em Mato Grosso. Então eu procurei lá, porque a mãe sempre teve o sonho de encontrá-la”, destaca a filha de Cleci, Juliana.

Entrava ano e saía ano e a dúvida sobre o paradeiro da querida irmã acompanhou quase toda a vida adulta de Cleci. Juliana então resolveu contatar um radialista da cidade em que supostamente a tia desaparecida estava, reduzindo as esperanças da família quando não obteve sucesso.

“Foi então que nos informaram, no ano passado, que ela estava em Igrejinha, Rio Grande do Sul, e era proprietária de um restaurante. Liguei para todos da cidade, mas nunca a encontrei. No Facebook, adicionei todas as pessoas com o mesmo sobrenome do marido dela, mas ninguém conhecia. Desde a época do Orkut, na verdade”, salienta Juliana.

O grande dia chegou
Acompanhando desde pequena o sofrimento da mãe, que foi adotada com apenas um um ano de idade, e toda a sua história de vida, Juliana conta que sempre se esforçou para realizar um dos maiores desejos e motivo de felicidade da vida de Cleci: reencontrar sua irmã.
“No dia 3 de dezembro de 2017, uma menina me chamou pela internet dizendo que procurava a irmã de sua sogra. Eu então recebi uma foto dela, que coincidentemente era do casamento da minha mãe. Para nós, foi um momento de muita alegria, porque nem imaginávamos mais que a encontraríamos, estávamos perdendo as esperanças. A Odete não esteve presente”, emociona-se.

E foi através de uma tela, com o auxílio da tecnologia, que depois de longos 53 anos as irmãs tiveram seu primeiro encontro, em uma chamada de vídeo. “As duas choraram, apresentaram suas famílias, num momento de renovação”, relata Juliana.

Outra boa surpresa, de acordo com a jovem, veio logo em seguida, ao terem conhecimento de que o pai das três irmãs desencontradas havia constituído outra família, com mais cinco filhos. Apesar dos “novos” irmãos morarem em diferentes localidades, Juliana salienta que já possível manter contato. “Pessoalmente, conhecemos a ‘Joira’ pouco antes do Natal, no dia 22 de dezembro. Embarcamos em Santa Catarina para 8h de viagem até Capela de Santana, onde atualmente ela mora. E parecia nunca terem se distanciado. Elas têm muita semelhança física e no jeito de ser, nos costumes. Encontramos ela e a família. Foi um Natal de coisas boas, união, família reunida. No dia 25 retornamos”, destaca. E nesse domingo, 14, elas conhecerão uma das irmãs por parte de pai de Cleci.

“Assim pensamos que a vida pode ser sofrida, pois cada uma teve sua história. A Joracilda e a Cleci passaram por momentos difíceis, porém nunca perderam a fé e a esperança, o amor e a alegria. O encontro ficou marcado, e com certeza esperamos ansiosamente pelo próximo”, conclui Juliana.

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