BRASILEIROS estão cada vez mais intolerantes quando o assunto é crime e enxergam na morte dos criminosos a solução do problema

Pesquisa do Datafolha mostra que mais da metade apóiam execuções. É o maior índice da série iniciada em 1991

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha constatou que o número de brasileiros favoráveis à pena de morte aumentou nos últimos anos. O estudo mostrou que o número de apoiadores cresceu de 47% para 57%. Os entrevistados foram questionados se, em caso de uma consulta popular sobre esse tipo de penalidade, votariam a favor ou contra.

Em comparação com a pesquisa anterior, realizada em março de 2008, o índice aumentou 10 pontos (era 47%). Já, a parcela de brasileiros que declararam que votariam contra a adoção da pena de morte soma 39% (era 46% em 2008), 3% não opinaram e 1% é indiferente.

A pesquisa também mostrou que quanto menor a renda, maior é a aceitação à punição. De acordo com o levantamento, a parcela mais pobre da população é a mais favorável. Já nos grupos que recebem até cinco salários mínimos mensalmente, 58% são a favor. Naqueles com renda de cinco a dez salários, o número cai para 51% e, entre os mais ricos, 42% concordam com a execução de presidiários.

Ainda conforme o Datafolha, os entrevistados com idade entre 25 a 34 são os que mais aceitam esse tipo de pena, somando um total de 61%. À medida que a idade avança, o apoio decresce e pessoas com mais de 60 anos compõem o grupo que menos aceita essa ideia, totalizando 52%.

De acordo com os gêneros, não há grande diferença na porcentagem, sendo que 54% das mulheres se mostram favoráveis à penalidade e os homens somam 46%.

O Datafolha também fez um levantamento sob a ótica das religiões das pessoas entrevistadas, constatando que, entre os evangélicos, 50% aceitam a pena de morte e, entre os católicos, 63%. Já no grupo representado pelos ateus, apenas 46% apoiam esse tipo de punição. A pesquisa ouviu 2.765 pessoas nos dias 29 e 30 de novembro do ano passado.

Polêmica
O tema pena de morte assusta a população, que se mostra insegura para assumir uma posição. Nas ruas do centro de Montenegro, poucas são as pessoas que se sentem confortáveis para discutir sobre essa polêmica punição. A grande maioria é favorável, mas destaca pontos essenciais que devem ser levados em consideração, como, por exemplo, uma reforma do sistema Judiciário e na própria legislação.

Ao mesmo tempo em que as pessoas enxergam na pena de morte um caminho para freiar a criminalidade, elas se questionam se, de fato, essa é a melhor alternativa, já que, para muitos, essa penalidade acabaria sendo aplicada somente a determinados grupos sociais. Entre os defensores, a redução de custos com a manutenção de presos pelo Estado é um dos principais argumentos.

QUAL A SUA OPINIÃO?
As opiniões sobre a aplicação da pena no Brasil não divergem muito. Porém, as pessoas só defendem esse tipo de punição para crimes como estupro, pedofilia e homicídio, destacando que, antes dessa discussão, falta muito debate sobre a realidade da Justiça brasileira.

Fátima dos Santos, 33, costureira. “Eu sou contra porque não cabe a nós o julgamento, somente a Deus. Eu sei que as coisas não estão boas, mas ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém.”

Alexandre Wink, 30, autônomo. “O estupro e a violência me fazem ser a favor da pena de morte e outra coisa importante é o custo de cada preso para o Estado mensalmente. Esse tipo de penalidade iria reduzir custos, mas talvez nossa Justiça não tenha estrutura e, com isso, iria morrer muita gente inocente.”

Carlos Leuck, 27, mecânico montador. “Sou contra porque o Brasil não tem maturidade para lidar com esse assunto e nem discutir ainda. Nós precisamos evoluir, amadurecer, mudar valores e conceitos para depois trabalhar em cima disso.”

Ana Brito, 63, professora.“Para crimes hediondos, eu sou a favor, mas como a lei é falha aqui no Brasil, somente os negros e os brancos que não têm poder iriam ser condenados. Os ricos iriam continuar como estão. Se a Justiça funcionasse para todo mundo, tudo bem. Porém, isso não acontece.”

Luciano Matins, 39, taxista. “Eu sou a favor da pena de morte por conta do grande índice de criminalidade que temos, mas infelizmente esse tipo de punição não iria funcionar para todos. As pessoas ricas e de classe média alta iriam ficar impunes.”

Giovane Correia Texeira, 30, mecânico.
“Para os crimes hediondos de estupro e homicídio, não tem alternativa, senão a pena de morte. Isso iria criar uma cultura de medo e as pessoas iriam pensar duas vezes antes de cometer esse tipo de violência, sem contar que sairia mais barato para o Estado.”

Roberta Peres, 20, manicure. “Dependendo da situação, eu sou a favor da pena de more, principalmente para acusados de estupro. Hoje, infelizmente, a Justiça é muito flexível para quem comete esses tipos de crimes, sendo que o cidadão de bem só perde.”

Priscila Ceresa Klaus, 33, secretária. “Eu sou a favor porque os crimes estão ficando cada vez mais bárbaros. Mas, antes disso, seria necessária uma reformulação das leis e mais emprego e ensino para a população. Isso iria diminuir a criminalidade.”

Deixe seu comentário