Dia do Descarte Correto é uma oportunidade para garantir o destino certo a eletroeletrônicos estragados

Embora seja fundamental para o destino correto do lixo, a coleta seletiva é uma raridade no país. A pesquisa nacional Ciclosoft, realizada pela associação Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), mostra que os brasileiros ainda estão engatinhando nesse processo, pois apenas 18% dos municípios adotam esse sistema. Montenegro está nessa fatia, mas também tem muito a evoluir para garantir que o lixo siga o caminho adequado.

Conforme informações repassadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, através da Assessoria de Comunicação (Acom), a média mensal da coleta seletiva é de 110 toneladas, encaminhadas à central de triagem para ser separado pela cooperativa de catadores. Desse total, porém, apenas 33% está em condições de seguir na cadeia da reciclagem.

O restante, esclarece o secretário Rafael Almeida, é lixo comum e material que seria recilcável, mas, por ter sido misturado, não está em condições de ser aproveitado. Esses quase 70% são depositados em contêineres e recolhidos pela empresa para seguir o destino do lixo comum, o aterro sanitário de Minas do Leão. Se ainda estamos longe do ideal, a boa notícia é que esse percentual de material aproveitado vem crescendo. Nos dois primeiros anos de sua implantação, entre 2012 e 2013, o índice de aproveitamento da coleta seletiva era de 11%.

O avanço nesse sistema, fundamental para reduzir o impacto ambiental causado pelo lixo, depende do esforço de todos, tanto da população em geral como da Prefeitura e da empresa que presta o serviço. “Quando acondicionado de forma incorreta e disposto, pela população, também incorretamente, o resíduo reciclável acaba sendo agrupado com o resíduo comum, o que resulta em falsos índices para verificação dos dados sobre a variação em questão”, é observado nas respostas repassadas pela SMMA.

Falta de educação e de conscientização de parte da população é um dos obstáculos para o avanço na coleta seletiva

E qual o maior obstáculo para o avanço na coleta seletiva em Montenegro?
Ao responder, a secretaria de Meio Ambiente reforça que a separação adequada do lixo comum e do material reciclável é o primeiro passo para que a coleta seletiva ocorra com eficácia e bom aproveitamento. “Desta forma, a consciência ecológica e a educação ambiental andam juntas, ao passo que somos todos responsáveis pelo lixo que produzimos”, acrescenta.

É observado também que a participação de associações ou cooperativas de catadores no gerenciamento de resíduos tem se mostrado uma das alternativas mais viáveis para solucionar parte dos problemas ambientais decorrentes do gerenciamento inadequado dos resíduos urbanos e dos problemas sociais causados pelo mercado informal de reciclagem. Nesse contexto, a SMMA identifica que o avanço da coleta seletiva em Montenegro esbarra na conscientização e/ou motivação individual para que seja realizado o descarte correto dos resíduos, na totalidade da remoção – coleta seletiva e transporte – dos resíduos e na eficácia do serviço prestado, o que inclui cumprimento do itinerário e do cronograma de datas e horários estipulados para os bairros.

Quanto custa a coleta do lixo?
Em Montenegro, a Prefeitura gasta R$ 200 mil mensais com a coleta de lixo. Desse total, R$ 25 mil são da seletiva, enquanto os R$ 175 mil restantes são utilizados na coleta de lixo comum, dos quais R$ 130 mil para área urbana e R$ 45 mil para o meio rural.

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Os resíduos orgânicos (lixo úmido) recolhidos em Montenegro são destinados para o aterro sanitário de Minas do Leão. O material reciclável (lixo seco) vai para a central de triagem de Montenegro – Cooperativa de Trabalho de Recicladores de Resíduos Sólidos de Montenegro Cidade Limpa. O espaço fica junto à área onde havia a antiga Estação de Transbordo de Resíduos Sólidos, que era conhecida como lixão, mas já não mais existe. A SMMA esclarece que esse aterro está inoperante e em monitoramento.

Neste mês de novembro, a empresa responsável pela coleta de lixo, Komac, divulgou um serviço telefônico para atendimento à comunidade. Através do 0800 494 0900, a população pode fazer críticas, elogios e sugestões à empresa.

E que medidas estão sendo tomadas para superar esses problemas?
A SMMA afirma que vem fazendo ações de educação ambiental para motivar e conscientizar a população quanto ao descarte correto de resíduos: o Dia do Descarte Correto, que consiste no recebimento de materiais específicos, como lixo eletrônico, pilhas, baterias, óleo de cozinha, lâmpadas entre outros em datas programadas; ações de educação ambiental nas escolas do município; orientações dos catadores da Cooperativa Cidade Limpa; além de fiscalização das empresas responsáveis pela coleta, reciclagem e destino final do lixo.

Material da coleta seletiva é levado à cooperativa de catadores para triagem. No local, chega muito lixo seco e úmido misturados
Entregar material reciclável aos catadores nas ruas também é uma alternativa para colaborar com a cadeia da reciclagem
A média mensal de resíduos recolhidos em Montenegro chega a 1.025 toneladas, das quais 915 toneladas são pela coleta de lixo comum

Jogar lixo no chão favorece entupimento de bueiros e alagamentos, problema bem conhecido dos montenegrinos

O que diz a pesquisa da Cempre?
1055 municípios brasileiros – 18% do total – operam programas de coleta seletiva. E cerca de 31 milhões de brasileiros (15%) têm acesso a programas municipais de coleta seletiva.

A maior concentração dos programas municipais de coleta seletiva está nas regiões Sudeste e Sul do país. Do total de municípios brasileiros que realizam esse serviço, 81% estão situados nessas regiões.

Os programas de maior êxito são aqueles em que há uma combinação dos modelos de coleta seletiva: a maior parte dos municípios brasileiros ainda realiza a coleta por meio de postos de entrega voluntária (PEVs), como os contêineres, e de cooperativas (54%); a coleta porta a porta precisa de maior atenção dos gestores municipais (29%).

Praticamente metade (44%) apoia ou mantém cooperativas de catadores como agentes executores da coleta seletiva municipal.

O apoio às cooperativas está baseado em: maquinários, galpões de triagem, ajudas de custos com água e energia elétrica, caminhões (incluindo combustível), capacitações e investimento em divulgação e educação ambiental.

População atendida pela coleta seletiva no Brasil (em milhões)

 

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