Paródia da música de Nego do Borel expôs a indignação com a realidade da educação no Estado, em um protesto pacífico e criativo

Profissionais tiveram salários parcelados pela 21ª vez pelo Governo Estadual

Em peso, alunos cantaram seu apoio aos educadores da escola

Os alunos da Escola Estadual Técnica São João Batista reuniram-se ontem em uma manifestação pacífica de apoio aos professores. No pátio da instituição, que já aderiu à greve após mais uma vez ter os salários parcelados pelo Estado, os estudantes cantaram uma paródia da música “Você partiu meu coração”. A letra expressou a indignação pela atual situação dos educadores que, do tempo trabalhado em agosto, receberam apenas R$ 350,00.

“Você partiu o nosso pão. Governador vai dar problema. Agora vai faltar então, educação, saúde e merenda”, ditava a música, cantada em peso pelos alunos. Na manhã, eles chegaram a ter o primeiro período de aula, antes da adesão à greve. Reuniram-se, então, para a performance da paródia, que foi mobilizada pelas redes sociais.

Encantada com a iniciativa, a professora Juliana Bender aponta que o ato, construído com a paródia, é uma forma alegre de mobilização para chamar a atenção das pessoas. “É fundamental que os alunos e a sociedade entendam essa situação crítica do professor, que não é respeitado, nem como educador, nem como cidadão”, aponta.

A ideia do ato partiu do Grêmio Estudantil da escola, a Chapa Conecta, que, em parceria com a professora Alma Dahlem, compôs a canção. “No dia do recebimento dos R$ 350,00, os professores desabafaram conosco em aula e isso nos tocou muito. A gente se põe no lugar deles”, conta a vice-presidente do Grêmio, Daniele Santarem. Eles também propuseram o uso de hashtags nas redes sociais para chamar atenção ao caso.

Kerolayn de Oliveira, Daniele Santarem e Paulo Pires, membros do Grêmio Estudantil mobilizaram os colegas para a manifestação ontem

“Detona o aluno ver o professor sendo desvalorizado”, afirma a presidente da Chapa Conecta, Kerolayn de Oliveira. “A gente logo vai estar entrando no mundo profissional e não quer passar por esse tipo de coisa”, completa um outro membro do Grêmio, Paulo Pires. Todos os alunos, mesmo liberados da sua obrigação com a aula, continuaram na instituição para participar da performance.

Ato é aula de cidadania

A aluna Júlia Klafke afirma que, mesmo que a greve possa vir a prejudicar os estudantes pela falta das aulas, seria um egoísmo não considerar a situação dos educadores. “Receber é um direito deles. Muitos até choraram enquanto davam aula. Não dava para ficar de braços cruzados”, aponta.

As alunas Júlia Pellenz e Júlia Klafke expressam seu apoio ao movimento

Júlia Pellenz, outra aluna, concorda com o posicionamento. “Tava mesmo na hora de começar a acontecer alguma coisa”, conta. Ela indica que, também por ideia dos estudantes, hoje, durante o desfile de 7 de setembro, os alunos irão vestidos de preto, numa manifestação silenciosa indicando o luto pela educação.

Co-autora da paródia, a professora Alma comenta que a iniciativa é uma forma de expressão da indignação geral com os parcelamentos. “A gente quer que essa paródia vire um hino para que outras escolas também cantem este movimento. Esse tipo de ato é uma forma de educar o aluno para a cidadania”, relata.

A professora diz que a escola está com a proposta de mobilizar a comunidade, num sentido de derrubar a cultura de desvalorização do movimento de greve. “Buscar nossos direitos é uma aula também.”

Polivalente também adere
Já na segunda-feira, os alunos do Colégio Estadual Dr. Paulo Ribeiro Campos, o Polivalente, também protestaram em apoio aos seus professores. Os alunos, que já estão em turno reduzido pela situação dos professores, juntaram-se em frente à escola com cartazes de apoio. “Luto pela educação”, “Quem não respeita a educação, não merece reeleição”, “Professores desmotivados. Alunos Prejudicados”, eram alguns dos dizeres erguidos pelos estudantes.

De acordo com a escola, os educadores expuseram sua realidade em aula para estimular uma discussão sobre o tema. A escola aderiu ontem à greve da classe.

A Paródia do São João Batista
Conheça a letra da paródia cantada pelos alunos

Você partiu o nosso pão
Você partiu o nosso pão
Governador vai dar problema, não, não, não
Agora vai faltar então
Educação, saúde, merenda
Cara, não é assim

Você partiu o nosso pão
Governador vai dar problema, não, não, não
Agora vai faltar então
Educação, saúde, merenda
Cara, não é assim
Se eu não tenho nem dinheiro
Quem dirá ensinar com amor
Você vacilou primeiro
Nosso jogo acabou

E nessa fossa eu fui primeiro
Quando passa esse terror?
Tô na vida sem dinheiro
Dá salário, por favor

Você partiu o nosso pão
Governador vai dar problema, não, não, não
Agora vai faltar então
Educação, saúde, merenda
Cara, não é assim

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