Rubi e a esposa Dulci no ateliê da Alfaiataria Marmitt

Cruzar a porteira no alto de uma colina no bairro Faxinal é como atravessar o tempo direto para a década de 70. Em uma pedra branca, na rua estreita e pouco movimentada de chão batido que é a Papa João XXIII, as letras em prata anunciam o caminho até a Alfaiataria de Rubi Albino Marmitt, 69 anos. É lá, no topo, na casa de n° 60 que a tradição da alfaiataria se mantém viva.

Produzindo fatiotas, calças, sobretudos e camisas, Rubi é alfaiate há mais de 47 anos e talvez seja o último profissional do ramo em atividade atualmente na cidade. Egresso de uma época em que trajes elegantes de alfaiataria eram mais comuns, ele relata que teve a influência de um amigo para entrar na profissão e lembra como se fosse hoje do seu primeiro corte: uma camisa. “Esse amigo casou e ficou fora da cidade. E, em um mês, quando ele retornou, eu estava usando a camisa, o que o deixou surpreendido, já que no início eu era relutante quanto a ser alfaiate”, enfatiza.

Também o irmão de Rubi, já falecido, com quem atuou em parceria na Magazine Costa por quase 14 anos, quando a loja ainda ficava na Osvaldo Aranha, seguiu a mesma profissão. “Meu irmão não gostava muito de confeccionar calças, então definimos que eu faria essas peças, enquanto ele ficava responsável pelos blazers. E até hoje é o que mais gosto de fazer”, destaca o senhor dedicado, que conhece como ninguém nomes de tecidos, moldes e cortes.

Dulci Marmitt, casada com Rubi há 44 anos, também se dedica à arte da costura, com reformas de roupas, e ambos se ajudam nas tarefas. Orgulhosa, tanto de sua atuação quanto da do marido, ela relata, muito calma e sorridente, que os clientes de Guaíba, cidade em que residiram por 11 anos, reclamaram com o retorno deles a Montenegro, há três meses.

Quem apreciou a notícia, segundo o casal, foram os fiéis clientes montenegrinos que ficaram na cidade durante seu período fora. “O cliente chega, tira as medidas, depois faz a prova antes de eu concluir o trabalho. Porém, a procura é sempre maior no inverno. O tecido é geralmente a pessoa quem traz, mas temos as amostras no ateliê”, informa Rubi.

A mudança com o passar dos anos
Rubi acredita que a profissão está se perdendo com o passar dos anos e destaca que, em Guaíba, tinha conhecimento de que apenas ele desempenhava a atividade nos últimos tempos. Também aqui em Montenegro, conforme salienta, só restou a sua dedicação à confecção, já que o primo, que igualmente se ocupava da tarefa, não mais atua por problemas de saúde.

“Os estilos e hábitos alteraram igualmente. Antigamente era costume as pessoas ganharem tecidos em datas festivas para posteriormente transformarem em peça de roupa, com costureira ou alfaiate. Eu cheguei a receber tecidos até comidos pelas traças, de tanto tempo que as pessoas deixavam guardados”, conta.

Hoje, tranquilo, Rubi dispõe de maior tempo para outras atividades e para curtir a aposentadoria. No começo, não era assim. Na época em que casou, acordava às 3h muitas vezes para cortar moldes e costurar. “O movimento era excessivamente grande e eu pensava que precisava sustentar a minha família com a profissão. Agora tudo está mudado, as roupas mudaram, são mais leves, assim como os aviamentos e a quantidade de pessoas que procura este serviço”, constata o alfaiate.

Coleção de blazers
Com o cômodo da frente da residência reservado ao ateliê do casal, Dulci aponta feliz para um blazer azul “da moda” que o marido está confeccionando para ela. E no quarto, com as mãos delicadas, vai retirando mais uma dezena deles do cabideiro, de diversas cores e estilos. “Eu quase não compro roupa. E como participamos do coral Santo Antônio, eu uso muito as peças para as apresentações e eventos. Tenho também conjuntos que ele fez para mim e sobretudos para o inverno”, revela.

O contato com a Alfaiataria Marmitt pode ser feito através do 51 98151 8669 ou 51 996930571.

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