Muitos ônibus, carregados de mulheres dos municípios vizinhos, trouxeram as participantes

Cerca de 700 moradoras de áreas rurais da região tiveram um dia de debates sobre o papel da mulher no campo

Ontem (8) foi o Dia Internacional da Mulher e, pela região, muitas atividades especiais foram realizadas. Uma das mais marcantes aconteceu no ginásio de esportes da comunidade de Campo do Meio, onde cerca de 700 mulheres moradoras das áreas rurais de Montenegro e mais treze municípios vizinhos foram reunidas em um momento de confraternização e valorização. A organização foi da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS).

Antes das 9h, um café da manhã especial começou a ser oferecido. A atividade ocorreu com apoio da Emater e dos sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Vale do Caí. É o segundo encontro do tipo que ocorre em Montenegro. Tradicionalmente, um município é escolhido como sede a cada ano. “É para comemorar este dia 8 e para que as mulheres se sintam mais valorizadas. O papel da mulher mudou muito com o tempo”, colocou a presidente do sindicato montenegrino, Maria Regina da Silveira.

“Nós vemos mulheres com muita vontade”, afirma Maria Regina

Na manhã desta quinta, enquanto falava aos presentes – alguns homens também compareceram – ela tratou da atual posição das mulheres no meio rural. “As mulheres têm este dom de cuidar. Nós vemos mulheres com muita vontade, que têm vez, têm voz, têm seus direitos e suas vontades”, disse Maria Regina. Na abertura, ainda, autoridades e representantes dos apoiadores do evento celebraram as presentes. Dentre eles, o prefeito municipal Carlos Eduardo Müller, o presidente da Câmara de Vereadores, Erico Velten, e o deputado estadual Elton Weber (PSB).

Após, uma palestra a cargo da Fetag-RS abordou, entre outros assuntos, a criação dos filhos, luta contra o machismo, violência, protagonismo feminino e a historia da Federação e do sindicalismo. Um almoço foi vendido no local e, na parte da tarde, uma gincana colocou todas para brincarem, com distribuição de brindes. No final da tarde, ainda, uma reunião dançante ao som do artista brochiense Eduardo Festa Show fechou as celebrações.

Mulheres apoiam iniciativas de valorização

Graciela coordena uma comissão que busca valorizar as mulheres

Para a moradora da localidade de Muda Boi, Zaira Maria da Silva, já se foi o tempo em que a mulher do campo era mandada pelo marido e não tinha voz em casa. “Isso já foi. Se a gente deixasse e só ficasse em casa, eles iam mandar para sempre”, opina. A amiga Loeci Santos da Silva concorda. Moradora da localidade de Fortaleza, ela avalia que, cada vez mais, a mulher está tendo destaque. “Isso é muito importante. Em todas as áreas do interior, a mulher está representada”, observa.

Loeci Santos, Zaira Maria da Silva e a amiga Maria Helena Azeredo aprovam as atividade de integração feminina

Também presente no evento estava a Comissão de Mulheres do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Montenegro. Graciela Santos, a coordenadora do grupo, reforça a importância do encontro e do trabalho que a Comissão vem realizando, com treinamentos e trocas de experiências. “Isso dá abertura para elas terem uma nova visão no campo. Antes, a mulher era muito submissa. O marido falecia e ela não sabia administrar. Então, é importante ter conhecimentos”, apontou.

A mulher jovem conquista lugar no campo

Jaciara defende a valorização

Para a moradora da localidade de Linha Catarina, Jaciara Müller, o Dia da Mulher também é uma oportunidade para falar sobre as jovens no campo. “Em casa, o pai puxa muito mais para o filho homem. Eles mesmos mandam as filhas para a cidade para que elas não passem trabalho”, explana. “Hoje, muitas destas mulheres estão voltando para o campo.”

Jaciara tem 27 anos e coordena uma Comissão Regional de Jovens no Campo com membros dos 14 municípios presentes no encontro de Campo do Meio. Nesta Comissão, 20 jovens são de Montenegro e, ali, trocam experiências, registram necessidades e vão em busca de políticas de incentivo. Sendo homem ou sendo mulher, a coordenadora avalia que é preciso mais espaço para o jovem no campo.

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