Na próxima terça-feira, 8, é comemorado o Dia do Artista Plástico. É artista plástico a pessoa que manipula materiais como tinta, metais e argila para produzir peças. E a pintura, dentro desse conceito, é umas das expressões artísticas mais antigas do mundo e influenciou a sociedade de diferentes maneiras. Realismo, surrealismo, impressionismo, expressionismo, cubismo… as fases da arte também estão relacionadas diretamente com a evolução humana.

Neci Homem de Alemeida, 77 anos, é uma artista plástica montenegrina que se dedica à pintura. Com traços muitos singulares em seus trabalhos, é formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Santa Maria, Licenciada em Desenho e especializada em História de Artes Aplicadas.

Porém, a afinidade e apreço pelo desenho vêm desde pequena, muito antes da graduação. Quando criança, recorda da participação em concursos da escola, em que vencia todos. “Lembro também de que eu amava o circo. E acho que ele me levou para as artes, pela liberdade de expressão que representa”, destaca.

Dedicada ao conhecimento teórico e técnico, defende que há dois tipos de artistas. “Os que vêm com dom e os que vêm com a vontade. Acredito que me encaixo nesse segundo. Quando o Governo criou o plano de carreira, o anúncio foi de que professores sem faculdade seriam extintos do quadro. Como eu tinha apenas magistério, isso me motivou a estudar”, relata.

E Neci não parou por aí. Tendo participado de exposições em diversas partes do país, conta que já esteve em Portugal mostrando suas obras.

“Eu, particularmente, gosto de pintar a figura humana. Eu já tive a fase das flores, agora estou na das paisagens. A gente vai mudando com o tempo. E a cor predominante na minha tela é o azul da Prússia. Ele dá cor, transparência para outras cores, luz, sombra…”, afirma.

A essência da arte não muda
Neci destaca que, como tudo, a arte também mudou com o passar do tempo. Conceitos, teorias podem ter alterados, mas, segundo a artista, a essência da arte permanece a mesma. “Que é a do sentir. Isso não altera, pois é intrínseco ao artista e ao processo artístico”, salienta.

A artista plástica Neci Homem de Almeida já expôs em diversas cidades do Brasil e até em Portugal

Com atelier próprio, o Bell’s Arts, localizado na Ramiro Barcelos, a professora também dá aulas de pintura sobre tela, aquarela, tecido, vidro, desenho e artesanato no espaço.

“Aqui em Montenegro, é preciso batalhar para poder viver de arte. Mas não podemos pensar em dinheiro. Isso é o que eu gosto de fazer, é o que me dá saúde, calma, sensatez. Ao pintar uma obra, é preciso pensar, analisar. E dou aulas, repasso o conhecimento para deixar um legado”, pontua.

Amarras
A pintura Amarras, de Neci, tem toda uma simbologia em torno do corpo feminino. De acordo com a artista, ele representa a libertação, em processo lento, das amarras sociais. “O corpo feminino é tão amarrado de moralismos, preconceitos. Mas essa opressão começou a amenizar nos últimos tempos, transformar. Contudo, a mulher ainda está nesse processo, se desamarrando dos machismos”, destaca.

Neci ainda coloca que há, sim, diferença entre ser artista mulher e artista homem. “O homem tem essa liberdade de viver da arte. Não tem outras atividades a que se dedicar como a mulher, por exemplo, que é atribulada, conciliando a carreira, maternidade e afazeres domésticos. Eu mesma uma época precisei escolher entre a família e a pintura. Pela responsabilidade que nós mulheres temos em constituir uma família. Eu passei a me dedicar mesmo à pintura de 2000 para cá”, conclui.

Criação de Adão, de Michelângelo
O grande legal da arte, segundo Neci, é poder se apropriar de outras obras, com adaptações, versões próprias. “Isso é gostoso. Colocar a própria visão no trabalho. E aquele ditado de que nada se cria tudo se transforma é verdadeiro. Claro que todo mundo, inclusive grandes nomes da arte, começaram copiando. Mas depois colocamos o nosso “eu” e buscamos apenas inspirações, as minhas são as fotografias. Busco sempre incentivar meus alunos a não apenas copiarem algo, mas a colocarem seu traço, suas particularidades e criarem uma versão”, explica.

Trabalhando sob encomenda, a artista vende suas obras por valores variados que podem ir de R$ 50,00 a R$ 2 mil.

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